Pitch: construí uma IDE com Debian de verdade rodando no Android (e que sincroniza com o PC)
Sou desenvolvedor solo e esse é o meu projeto: o Parser, uma IDE mobile que roda um Debian real no celular e sincroniza o trabalho com o PC em tempo real. Quis compartilhar os bastidores técnicos e o que aprendi construindo — crítica e pergunta difícil são bem-vindas.
O que é
Um terminal Linux de verdade (Debian stable-slim, arm64) rodando sob PRoot no Android, com editor e sincronização bidirecional com o computador. A ideia nasceu de um incômodo simples: eu queria continuar um trabalho no celular sem depender de SSH num servidor.
Bastidores técnicos
- PRoot, não é VM nem chroot: o Android não dá root, então a saída foi um rootfs Debian montado com PRoot — syscall translation em userspace, sem privilégios. Funciona em qualquer aparelho.
- Rootfs enxuto, mas útil: stable-slim com
aptfuncionando. Pré-instalei o que um dev precisa na hora: git, bash, curl, openssh-client, nano, wget, ping, node 22, adb.postgresql-clientnão vem por padrão, mas instala com umapt-get install -y postgresql-client— aí dá pra gerenciar um Postgres remoto direto do celular. - Sync de verdade: na mesma rede Wi-Fi, celular e PC conversam direto (nada sai da rede, latência perto de zero). Fora de casa, o tráfego passa por um broker com criptografia de ponta a ponta (AES-256-GCM). Se os dois lados editarem o mesmo arquivo, não há merge silencioso: a edição recusada vira tela de conflito.
- Pareamento por QR: em vez de digitar IP/porta/token no celular, o PC mostra um QR e o app pareia sozinho.
O que aprendi (a parte que dói)
- Android odeia processo em background. Manter o terminal vivo com a tela apagada foi uma das brigas mais longas: foreground service, wakelock parcial e economia de bateria das fabricantes (cada uma mata processo de um jeito) — o código mais chato do projeto não é o terminal, é sobreviver ao sistema.
- Dev fareja UI fake de longe. Nos primeiros testes, qualquer atalho visual que não fosse o terminal real gerava desconfiança imediata. A lição virou regra do produto: interface 100% real, sem maquiagem.
- Play Store + app de terminal = categoria sensível. Publicar um app que executa código arbitrário exige cuidado redobrado com política de uso — documentação clara do que o app faz (e não faz) virou parte do lançamento, não detalhe.
Estado atual
O app está publicado e gratuito para baixar/testar: parser.grolv.com.br/download
Estou especialmente interessado em feedback de quem vive no terminal: o que você esperaria de um Debian no bolso que hoje não entrega? E quem já tentou algo parecido com Termux/PRoot — onde emperrou?
— Alexsander, desenvolvedor do Parser (GROLV)