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Construí um ERP contábil do zero, ele já tem tudo que as gigantes têm e mesmo assim o mercado é brutal: por onde seguir sem pensar só em dinheiro?

Vou ser honesto desde o começo porque aqui não é lugar de propaganda, é lugar de conversa de verdade.

Passei um bom tempo olhando de perto a rotina de contador. E o que mais me incomodava não era a contabilidade em si. Era tudo que vem antes dela. Importar arquivo, conferir o que não bate, refazer o que veio torto do ERP do cliente, abrir planilha pra tapar buraco que o sistema deixou. A parte intelectual do trabalho, a que exige cabeça de contador, vivia espremida entre uma gambiarra e outra. E o pior é que isso já tinha virado rotina, ninguém questionava mais.

Resolvi atacar esse problema construindo um ERP contábil do zero. Sem legado dos anos 2000, sem tela cinza, sem remendo em cima de remendo. A ideia era simples de falar e difícil de fazer: e se a parte mais chata do trabalho do contador simplesmente deixasse de existir?

Hoje, depois de muito código e muita conversa com quem vive a dor, o produto já roda com bastante coisa funcionando dentro da mesma base, conversando sozinho, sem exportar e sem importar. São 65 módulos.

Plano de contas e plano referencial da Receita.
Regras de contabilização e lançamentos manuais.
Sociedades em conta de participação.
Patrimônio.
SPED Fiscal, EFD Contribuições, EFD Reinf, ECD e ECF.
Contas a pagar, contas a receber, fluxo de caixa, centros de custo e bastante coisa além disso.

O ponto que me deixa mais animado é a integração de verdade. O financeiro e o fiscal do cliente moram na mesma base da contabilidade. O lançamento que entra na operação já chega lastreado. A apuração não fica esperando alguém digitar. O SPED sai com lastro real, do cliente mais simples até a indústria com produção mais complexa. É moderno, é rápido, é o ERP contábil que eu montaria hoje se pudesse começar do zero, e foi exatamente isso que fiz.

E aqui vem a parte que importa pra discussão.

Quem está usando aprova. A aceitação de quem entrou pra testar e ficou tem sido alta de um jeito que sinceramente me surpreendeu. Tecnicamente o produto já entrega o que as grandes plataformas do mercado entregam, inclusive na parte contábil mais pesada, que costuma ser o calcanhar de aquiles da concorrência nova. Então no papel está tudo certo: produto bom, validação real, gente feliz usando.

O problema é que o mercado de software contábil é um dos mais difíceis que existem. É um setor com troca lenta, com contador que depende daquele sistema todo santo dia pra fechar obrigação com prazo legal, com medo legítimo de migrar e dar errado bem no meio de uma entrega de SPED. Confiança aqui não se compra com anúncio. Se constrói devagar. E todo mundo que já tentou entrar nesse mercado sabe que ter o melhor produto não significa quase nada se ninguém se sentir seguro pra trocar.

Daí a pergunta sincera que eu trago pra cá, porque é o tipo de coisa que eu queria ouvir de quem já passou por isso.

Como crescer num mercado desses sem cair na armadilha de pensar money first e market first? Eu não quero rodar uma máquina de venda agressiva, prometendo o que ainda não amadureceu só pra fechar contrato. Isso quebra a confiança, e nesse setor confiança é o ativo principal. Ao mesmo tempo, produto bom parado não paga conta nem prova nada.

Algumas coisas que tenho pensado e queria a visão de vocês:

Vale focar em um nicho bem específico de contador, dominar aquele recorte por completo e só depois abrir o leque, em vez de tentar atender todo mundo de uma vez?

A construção de confiança num produto crítico passa mais por prova social e bastidor aberto, mostrando como a coisa funciona de verdade, do que por discurso de vendedor?

Crescer devagar e com base sólida é defensável quando você já tem concorrentes grandes e capitalizados, ou nesse jogo quem não corre é atropelado?

Faz sentido tratar os primeiros clientes muito mais como parceiros de construção do que como receita, mesmo que isso atrase a parte financeira no começo?

Não vim aqui vender nada. Vim porque essa comunidade tem muita gente que já construiu produto de verdade, que já sentiu na pele a diferença entre ter um bom produto e ter um bom negócio, e que entende que crescer rápido e crescer certo nem sempre são a mesma coisa.

Se você é contador, queria saber o que realmente te faria confiar a ponto de migrar de sistema. E se você já construiu ou escalou produto em mercado conservador e crítico, queria muito saber por onde você começaria hoje, sabendo o que sabe agora.

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