Por que o ERP brasileiro e o sistema contábil sempre foram dois mundos separados?
Faz um tempo que venho construindo um ERP e venho cavando o porquê de o software contábil brasileiro ser quase sempre uma ilha separada do operacional da empresa.
A líder do mercado tem ~60% de share, é robusta, entrega as obrigações. Mas qualquer contador que você converse vai dizer a mesma coisa: o mês começa dia 1 e morre dia 20. Não porque o sistema dele é ruim — é porque ele passa metade do mês importando XML, conferindo divergência, ligando pro cliente atrás de dado, refazendo lançamento.
A dor não está no contábil. Está no abismo entre o ERP do cliente e o sistema do contador. Dois bancos de dados, dois cadastros, duas verdades. E no meio, e-mail e planilha.
O que me intriga é arquitetural: por que esse mercado se cristalizou em dois mundos? Os dois lados têm os mesmos dados: produto, cliente, NF, lançamento financeiro. A diferença é só quem olha. Em vez de UMA base e DUAS interfaces (uma pro operacional, uma pro contador), construíram DOIS sistemas que ficam a vida toda tentando se reconciliar via XML.
Olhando pra Reforma Tributária chegando agora (IBS/CBS rodando em paralelo com ICMS/PIS/COFINS até 2032), a fragmentação fica ainda mais cara. Quem tem dois mundos vai precisar atualizar dois sistemas, refazer dois cadastros tributários, reconciliar duas verdades em cada NF.
Não tenho conclusão fechada. Mas tô convencido de que essa separação não é técnica, é histórica. Alguém aqui da área contábil ou de software fiscal pensa diferente? Curioso pra ouvir outras visões.