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Comparar ou se informar: o que muda no jeito de usar as redes

Em 2023, a American Psychological Association publicou um conjunto de recomendações sobre o uso de redes sociais na adolescência, e uma delas chamou atenção: adolescentes tendem a se beneficiar quando limitam o uso das redes especificamente para fins de comparação social, principalmente em torno de conteúdo sobre corpo e aparência. Ou seja, o problema não costuma ser a rede social em si — é sobretudo o uso dela como régua para medir a própria vida em relação à vida dos outros.
Isso aparece de um jeito bem concreto no dia a dia. Rolando o feed antes de dormir, aparecem fotos de festa, viagem, corpo, notas, roupa nova — e vem aquele aperto no peito, junto com o pensamento "a vida de todo mundo é mais interessante que a minha, deve ter algo de errado comigo". Sentir uma pontada de comparação ao ver a vida dos outros nas redes é bastante comum, principalmente na adolescência, quando a opinião dos colegas pesa muito na forma como cada um se enxerga. Isso não é frescura nem sinal de que algo está errado — é a mente tentando entender onde você se encaixa em relação ao grupo, algo que o cérebro humano faz desde muito antes de existir internet.
Nas redes sociais, vemos com frequência recortes selecionados da vida das outras pessoas — a foto boa, o dia bom, a conquista — sem o cansaço, a insegurança ou o dia ruim que também fazem parte da rotina de quem postou. É um pouco como comparar o final de um filme de alguém com o começo do seu próprio dia: os dois momentos não estão no mesmo ponto da história, então a comparação sai desequilibrada. Vale lembrar que isso não significa que toda rede social seja automaticamente prejudicial — o efeito depende bastante do tipo de conteúdo consumido e de como cada pessoa se relaciona com ele.
Dá para ajustar essa relação com algumas mudanças pequenas, possíveis de fazer sozinho. Primeiro, ajuda observar, sem se cobrar por isso, quais contas ou tipos de conteúdo costumam deixar aquele gosto ruim de comparação depois de ver — só perceber isso já muda a forma como a pessoa reage da próxima vez. Depois, vale separar um tempo do dia sem celular por perto, mesmo que curto, porque isso dá um respiro para a mente formar opiniões próprias sobre o próprio dia, sem o filtro constante da vida alheia. Em seguida, é útil anotar ou lembrar, de vez em quando, de alguma coisa boa e concreta do próprio dia — não para competir com ninguém, mas para treinar a atenção a notar o que também está dando certo na própria rotina. Também ajuda lembrar, na hora da comparação, que aquela pessoa também tem dias ruins que não aparecem ali — isso não anula o que se sente, mas ajuda a colocar a cena em contexto. E manter também relações e atividades fora das redes pode ajudar a reduzir o peso dessas comparações, porque dá espaço para experiências que não passam pelo filtro de like e curtida.
Se essa comparação vem tomando conta com muita frequência, deixando a autoestima muito abalada ou fazendo a pessoa se afastar dos próprios amigos e atividades, vale conversar com alguém de confiança — um adulto da família, um professor ou o psicólogo escolar. Pedir apoio nesse momento é um passo normal, não fraqueza, e a situação tem solução. Algumas escolas e redes de ensino já estruturam esse acompanhamento com apoio de profissionais e ferramentas digitais: a TestU.online, por exemplo, é uma plataforma pensada para esse tipo de fluxo, com um espaço pessoal onde o estudante pode pedir uma conversa de forma reservada com o psicólogo da escola, além de materiais e orientações disponíveis para consulta. O contato com o profissional continua sendo o centro do processo — a plataforma existe para ajudar esse pedido de ajuda a não se perder no meio da rotina corrida da escola.

Fonte: American Psychological Association, Health Advisory on Social Media Use in Adolescence (maio de 2023).

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