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A Decadência Técnica na Programação — e o que o Xadrez nos Ensina Sobre Isso

Tenho observado algo preocupante na nossa comunidade.

As pessoas estão dizendo que a programação manual morreu. Que a IA chegou ao ponto em que escreve software tão bem quanto um humano — e muito mais rápido. E parcialmente, isso é verdade.

O problema não é a IA. O problema é o que estamos fazendo com ela.


O caminho até aqui

A história do desenvolvimento de software é uma história de abstração crescente.

Nos anos 90 e início dos anos 2000, programadores eram forçados pelas limitações do hardware a dominar Assembly, C e arquitetura de máquina em um nível absurdo. Não havia escolha. Cada byte importava. Cada ciclo de clock tinha peso.

Desse ambiente nasceram coisas extraordinárias.

A demoscene — comunidade de programadores que criava arte audiovisual em tempo real — empacotava mundos 3D gerados proceduralmente e música sintetizada em 64 kilobytes. Menos do que um screenshot moderno. Programadores de jogos inventavam técnicas mirabolantes para espremer performance de hardware mínimo. O algoritmo "fast inverse square root" do Quake III, com seu comentário de código "what the f**k?", é símbolo de uma era onde a restrição era a mãe da genialidade.

Depois vieram as abstrações legítimas e bem-vindas: C++, Java, Python. Cada camada facilitando mais, permitindo foco em problemas maiores.

Até que chegamos em 2023, e o salto foi diferente.

Não foi uma abstração de linguagem. Foi a abstração do próprio pensamento.


O que está acontecendo hoje

O termo vibe coding — cunhado pelo co-fundador da OpenAI Andrej Karpathy em fevereiro de 2025 — descreve o que muitos estão praticando: você descreve a intenção, a IA gera o código, você clica "Accept All" sem ler profundamente o que foi produzido.

Os números são brutais.

Uma análise de 8,1 milhões de pull requests de 4.800 equipes encontrou aumento de 30 a 41% na dívida técnica após adoção de ferramentas de IA. A duplicação de código cresceu de 8,3% para 12,3% das linhas alteradas. A atividade de refatoração caiu de 25% para menos de 10%. Empresas da Fortune 50 registraram aumento de 10 vezes em vulnerabilidades de segurança mensais entre dezembro de 2024 e junho de 2025 — diretamente correlacionado com a adoção de IA.

E o mais revelador: a própria Anthropic publicou um estudo randomizado e controlado mostrando que desenvolvedores usando assistência de IA tiveram pontuação 17% menor em testes de compreensão de código do que os que codificaram manualmente. A maior lacuna foi exatamente em debugging — a habilidade mais crítica para trabalho sênior.

Um relatório de 2026 com 2.147 engenheiros encontrou que 91% sentem falta da sensação de resolver algo difícil sem ajuda. Engenheiros com menos de 3 anos de experiência pré-IA reportam a maior erosão de habilidades — eles nunca chegaram a construir a base que os sêniores estão vendo se deteriorar.

A New Stack publicou em março de 2026 um artigo com um título que diz tudo: "I started to lose my ability to code." Desenvolvedores sêniores relatando, com suas próprias palavras, que estão perdendo a capacidade de programar.

Isso não é retórica. É um dado medido.


A lição que o xadrez nos dá

Em 1997, o Deep Blue da IBM derrotou Garry Kasparov. As engines de xadrez eram superiores aos humanos.

O que aconteceu depois? Os jogadores de xadrez melhoraram drasticamente.

Pesquisas documentaram que o treinamento com computadores de xadrez aumentou o rating Elo dos jogadores em aproximadamente 11 pontos por ano em média. Magnus Carlsen atingiu 2882 de rating — o maior da história humana — numa era em que engines chegam a 3.600+.

Como o xadrez fez isso e a programação não?

A resposta está numa distinção simples, mas profunda:

A engine de xadrez substitui o adversário. A IA de código substitui o pensamento do próprio programador.

No xadrez, você usa a engine depois da partida — para analisar, aprender, entender onde errou. Na partida em si, você está sozinho. O confronto direto entre humanos permanece intocado. A engine é um complemento ao treino.

Na programação, a IA entra durante o trabalho. Ela entrega o código funcionando sem que você precise compreender o algoritmo. Ela substitui exatamente o processo cognitivo que constrói habilidade. Estudos medem que o uso de IA suprime a carga cognitiva profunda — o processamento que efetivamente forma competência — em 35%.

No xadrez: a ferramenta elevou os mestres porque o confronto humano permaneceu obrigatório.

Na programação: a ferramenta está rebaixando os devs porque o confronto com o problema deixou de ser necessário.


O paradoxo que poucos estão vendo

Gente dos anos 90 com alto nível técnico usando IA fariam coisas extraordinárias — porque ampliariam uma base sólida.

Gente com baixa base técnica usando IA faz sistemas frágeis, inseguros e inmanuteniáveis mais rápido do que nunca.

A IA é um multiplicador. E está multiplicando por números cada vez menores.

A contratação de recém-formados nas 15 maiores empresas de tecnologia dos EUA caiu 55% desde 2019. 54% dos líderes de engenharia planejam contratar ainda menos juniors. Os engenheiros que serão necessários em 2027 — aqueles com 2 a 4 anos de experiência em debugging real, refatoração e compreensão de sistemas — simplesmente não existirão. Não foram formados.

Estamos criando um vácuo técnico que a própria IA não consegue preencher.


Como reverter isso

Usar IA no trabalho é inevitável e legítimo. Não é sobre abandonar as ferramentas.

É sobre não abandonar o treino.

1. Recrie restrições artificialmente.
Reserve tempo para projetos onde a IA é proibida. Implemente um algoritmo do zero. Resolva um problema sem copilot. A restrição é professora — como sempre foi.

2. Estude o nível baixo nas horas livres.
Assembly, C, estruturas de dados implementadas na mão. Você talvez nunca os use no trabalho. Mas eles formam o substrato de raciocínio que separa quem apenas usa a IA de quem a dirige com competência.

3. Use IA como revisora, não como autora.
Escreva sua solução primeiro. Depois mostre à IA para ela criticar. Ou peça que ela explique o código gerado linha por linha — se você não entender, não use.

4. Leia código de outros.
Código do kernel do Linux. Código do Quake. Código antigo e brilhante. Ler código alheio com atenção é um treino de leitura crítica que a geração atual está perdendo.

5. Contribua para open source com revisão real.
Projetos que exigem justificativa de cada decisão, revisão por pares rigorosa, e arquitetura pensada. Esse é o ambiente que reproduz, hoje, a pressão formativa que os anos 90 impunham pela escassez de recursos.


Conclusão

O problema não é a IA. Nunca foi.

O problema é a cultura de abandono que se instalou ao redor dela.

O xadrez nos mostra que uma ferramenta pode coexistir com a excelência humana — desde que o confronto direto com o problema permaneça. Desde que a ferramenta treine, e não substitua.

Na programação, esse confronto está sendo eliminado. E com ele, a capacidade de criar, diagnosticar e inovar que define um desenvolvedor de verdade.

A demoscene criava milagres em 64 kilobytes porque não havia outra escolha.

Hoje a escolha existe — e precisamos ter a disciplina de escolher o caminho difícil nas horas de treino, para que o caminho fácil do trabalho gere, de fato, excelência.


Referências


Este artigo foi desenvolvido a partir de uma reflexão pessoal sobre o mercado de desenvolvimento, sustentada por pesquisas publicadas em 2025 e 2026. Os dados citados têm fonte rastreável nos links acima.

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Que a IA chegou ao ponto em que escreve software tão bem quanto um humano

Tão bem quanto um humano? aqui vou te colocar uma reflexão:

O código pré ia era bem escrito?

Sou dev há mais de 10 anos e te garanto: o código anterior não era bom.

Gostamos de trazer exemplos de desenvolvedores de jogos antigos que faziam milagres para otimizar os seus jogos, de produzir um código excelente e de qualidade extrema.

Aqui entra numa "frase de coach" que ouvi recentemente:

O silencio dos perdedores

Essa frase se qualifica bem ao sentido do post mas foi dita em outro momento:

Só conhecemos os empreendedores que arriscaram tudo e venceram. Não conhecemos os perdedores, os que faliram, conhecemos as excessões.

Se a qualidade do código de antigamente era tão boa assim o que levou à criação do Ermac de Mortal Kombat?

Lembro de fazer curso para técnico de computador pré 2010 e meu processor falar "Nunca instale Windows XP antes do SP3, ele é extremamente bugado e cheio de falhas de segurança.

A programação realmente está em decadência ou isso está só mais evidente agora?

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Minha ideia era exatamente essa. Gostei muito da reflexão, faz total sentido e acrescenta bastante nesse debate, especialmente no ponto de que a IA “escreve tão bem quanto um humano”. É o que a comunidade, influencers e seniors estão falando o tempo todo, principalmente com o caso do Fable 5.

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O problema não é a IA. O problema é o que estamos fazendo com ela.

Não foi uma abstração de linguagem. Foi a abstração do próprio pensamento.

E todo este post foi criado e formatado por IA. Aff...

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Além de ser um desmerecimento a todo raciocino e pesquisa que eu fiz, juntando minha observações como desenvolvedor de software e meus anos de prática e estudo de xadrez...

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Sim, eu usei a IA para formatar o texto, todo pensamento e referências foi feito por mim, então ela só me ajudou a formatar para deixar melhor para vocês lerem...

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OK, peco desculpas pelo tom desrespeitoso que usei.

Mas ainda assim gostaria de entender melhor seu ponto de vista sobre o assunto.

Do jeito que vejo:

  • Usou IA para

  • Criar/formatar um conteudo

  • Que critica a IA usada para

  • Criar/formatar um conteudo

Colocando desta maneira, nao fica um tanto quanto esquisito ?

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Em nenhum momento eu critiquei o uso da IA, se deu a entender isso foi um equívoco seu, falei da decadência técnica vinda dos programadores por usar IA para tudo, perdendo a capacidade que antes o tinha... Citei o xadrez como o uso da IA pela natureza do esporte ao invés de cair o nível técnico individual, facilitou análises e melhorias no seu próprio nível de jogo, em várias partes deixei explícito que o problema não e o uso em si mais da forma que e usado, usei IA para pegar todo meu texto bruto e formatar de uma forma que facilita a leitura e fique agradável para os leitores