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As vezes temos que dar um passo para trás

A arte de voltar ao início

Meu nome é Elton. Sou estagiário em um órgão público e programo desde os 16 anos.

Quando comecei a programar, sempre tive uma enorme vontade de colocar a mão na massa desde o início — acredito que esse seja o pensamento de muitas pessoas que entram nessa área. Porém, logo me deparei com uma grande barreira: a falta de conhecimento técnico.

Isso me fez passar muitas horas, durante vários dias, assistindo e reassistindo a conteúdos como lógica de programação. Apesar de esses assuntos serem essenciais, eles também podem parecer monótonos demais para a mente de jovens da geração Z, como eu.

Estamos constantemente em busca de agilidade e rapidez para saciar uma vontade que parece aumentar a cada dia, talvez impulsionada pela dopamina. Mas será que é apenas isso?

Movidos por essa enorme pressa de colocar nossas ideias em prática, começamos rapidamente a desenvolver diferentes tipos de aplicações: web, desktop, mobile, sistemas embarcados e muitas outras.

Esse processo se tornou ainda mais acelerado com o auxílio das grandes LLMs, como:

ChatGPT, Claude, Gemini, entre outras.

Com essas ferramentas, conseguimos produzir soluções em uma velocidade que antes parecia impossível. No entanto, em meio a toda essa agilidade, acabamos nos esquecendo do elemento mais importante para qualquer programador: os fundamentos.

Passamos rapidamente de aprender as bases da construção de algo para simplesmente reproduzir cópias e mais cópias, como se estivéssemos utilizando uma impressora 3D.

Esse comportamento nos leva a acreditar que estamos construindo um futuro próspero como profissionais. Porém, muitas vezes não percebemos que esse futuro está lentamente afundando em uma piscina de areia movediça.

Isso acontece pouco a pouco, desde o momento em que deixamos de lado o verdadeiro aprendizado para apenas pedir que uma ferramenta produza aquilo que desejamos.

Voltar ao início, portanto, não significa regredir.

Significa reconhecer que nenhuma ferramenta, por mais poderosa que seja, consegue substituir completamente a compreensão dos fundamentos. As LLMs podem acelerar o desenvolvimento, apresentar caminhos e ajudar a resolver problemas, mas cabe a nós compreender o que está sendo construído, por que funciona e quais são as consequências de cada decisão.

Talvez a verdadeira evolução de um programador não esteja apenas na capacidade de produzir mais rapidamente, mas também na disposição de retornar às bases sempre que necessário.

Porque, às vezes, voltar ao início é justamente o que nos permite continuar avançando.

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