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O TabNews virou um reflexo do mercado. O que podemos aprender com isso?

Por muito tempo, fiz tudo o que ouvia dizerem. Sites de notícias, pesquisas, influencers e tendências falavam, e eu tentava seguir. Afinal, aquela pessoa tinha milhares de seguidores, parecia bem-sucedida, tinha uma faculdade renomada, trabalhava em uma empresa conhecida ou já havia passado por multinacionais.

Durante muito tempo, pensei:

“Quem sou eu para discordar de alguém que conquistou coisas que eu ainda não conquistei?”

Demorei 5 anos para entender como o mercado realmente é, Hoje percebo que grande parte da internet transformou autoridade em produto.

Cenários bonitos, câmeras caras, cortes rápidos, prints de faturamento, promessas de liberdade financeira e discursos motivacionais se tornaram uma fórmula extremamente lucrativa. Muitas vezes, o modelo é sempre o mesmo: mostrar um resultado fora da curva, convencer as pessoas de que estão atrasadas e vender a solução em forma de curso, mentoria ou comunidade. Em geral, quem gera mais lucro nesse processo é o iniciante que está começando, pois é ele quem está em fase de aprendizado e mais suscetível a esse tipo de promessa.

Também é o público mais numeroso, algo que pode ser observado nas visualizações de vídeos voltados para iniciantes no YouTube. Esse grupo concentra a maior quantidade de pessoas e, por isso, tende a ter maior potencial de consumo.

O problema é que sucesso real não funciona como propaganda. Não existe fórmula simples para construir conhecimento profundo, desenvolver habilidades complexas ou criar algo relevante.

Ao mesmo tempo, a internet criou um ambiente onde aparência de competência muitas vezes vale mais do que competência real.

Plataformas digitais ajudaram a acelerar isso. Algoritmos normalmente recompensam frequência, retenção e engajamento, não necessariamente profundidade técnica. Um conteúdo superficial com boa edição pode alcançar milhões de pessoas, enquanto materiais extremamente técnicos muitas vezes ficam restritos a nichos pequenos.

Isso não acontece apenas com influencers. Esse comportamento está se espalhando para plataformas, empresas, mercado de trabalho e até para a forma como consumimos conhecimento.

Hoje, praticamente tudo é otimizado para retenção, crescimento, métricas e faturamento.

  • Redes sociais brigam por atenção.
  • Empresas brigam por redução de custos.
  • Plataformas brigam por engajamento.
  • Influencers brigam por visualizações.
  • Aplicativos brigam pelo máximo de tempo de uso.

E, no meio disso, qualidade, profundidade, sustentabilidade e impacto de longo prazo frequentemente deixam de ser prioridade.

Isso não é apenas opinião. Existem precedentes históricos claros.

Na década de 1920, fabricantes como Philips, Osram e General Electric participaram do chamado “Cartel Phoebus”, um acordo que padronizou a vida útil das lâmpadas em cerca de 1.000 horas. O objetivo era reduzir durabilidade para aumentar consumo e vendas recorrentes.

Décadas depois, vimos casos parecidos em outros setores:

  • produtos difíceis de reparar;
  • baterias seladas;
  • software por assinatura substituindo licenças permanentes;
  • atualizações que tornam hardware antigo mais lento;
  • impressão bloqueada por software;
  • empresas dificultando manutenção independente.

O incentivo econômico quase sempre aponta para crescimento constante, consumo recorrente e maximização de lucro.

Em muitos casos, o próprio usuário também participa desse ciclo. As pessoas querem soluções rápidas, atalhos, facilidade e resultados imediatos. Isso cria um mercado onde simplificação excessiva frequentemente vende mais do que conhecimento profundo.

O problema é que esse modelo começa a afetar diretamente pessoas comuns.

Quando um curso ruim promete carreira rápida em tecnologia para milhares de pessoas sem entregar base real, o dano não é apenas financeiro. Muitas vezes, alguém investe anos da própria vida seguindo uma direção errada.

Em alguns casos, a pessoa:

  • entra em dívida;
  • perde tempo;
  • abandona áreas onde poderia ter sido boa;
  • aceita trabalhos ruins por necessidade;
  • ou simplesmente desiste.

O impacto psicológico também existe. Muitas pessoas entram na tecnologia acreditando em promessas irreais de crescimento rápido, salários altos imediatos e estabilidade garantida. Quando encontram a realidade do mercado, acabam frustradas, ansiosas ou acreditando que falharam individualmente.

E isso gera outro efeito: profissionais mal preparados entram no mercado produzindo software ruim, arquitetura ruim e soluções frágeis.

O impacto disso é real.

Empresas perdem dinheiro com contratações ruins, projetos atrasam, produtos falham e equipes inteiras sofrem com baixa qualidade técnica. O próprio mercado brasileiro de tecnologia frequentemente reclama da dificuldade de encontrar profissionais qualificados, enquanto ao mesmo tempo existe uma explosão de conteúdo superficial ensinando atalhos rápidos para “ganhar dinheiro programando”.

Isso cria uma falsa percepção de abundância de conhecimento. Nunca existiu tanto conteúdo disponível gratuitamente, mas ao mesmo tempo nunca foi tão difícil separar material realmente útil de entretenimento disfarçado de aprendizado.

O sistema inteiro acaba entrando em conflito consigo mesmo.

As empresas querem:

  • profissionais experientes;
  • salários baixos;
  • alta produtividade;
  • baixo custo operacional.

Os profissionais querem:

  • estabilidade;
  • crescimento;
  • salários melhores;
  • menos desgaste.

Os clientes querem:

  • preço baixo;
  • entrega rápida;
  • alta qualidade.

Na prática, nem sempre essas três coisas conseguem coexistir.

Muitas empresas também contribuem para esse problema ao exigir experiência prática em ferramentas e cenários que quase nenhum ambiente educacional ensina. O mercado pede profissionais “prontos”, enquanto boa parte da formação continua distante da realidade operacional das empresas.

Nos últimos anos, isso ficou ainda mais evidente com a onda de layoffs globais em tecnologia. Enquanto empresas investem bilhões em inteligência artificial e automação, milhares de profissionais são desligados em nome de eficiência operacional e redução de custos.

O dinheiro continua existindo. Ele apenas muda de direção.

Ao mesmo tempo, o Brasil demonstra constantemente capacidade técnica quando existe execução séria. O PIX é um exemplo claro disso. Um sistema financeiro nacional conseguiu criar transferências instantâneas, gratuitas e escaláveis em um país continental, reduzindo drasticamente a dependência de taxas bancárias e simplificando pagamentos digitais.

Isso mostra que o problema brasileiro não é incapacidade intelectual.

Durante muito tempo pensei que países desenvolvidos fossem simplesmente “mais inteligentes”. Depois imaginei que tudo fosse falta de dinheiro. Hoje acredito que o principal problema é outro: conhecimento aplicado em larga escala.

  • conhecimento técnico profundo;
  • educação de qualidade;
  • formação sólida;
  • pesquisa;
  • engenharia;
  • execução.

Porque dinheiro existe.

Empresários investem bilhões todos os anos quando enxergam potencial real de retorno. O mercado brasileiro movimenta trilhões. Pessoas consomem tecnologia diariamente. Empresas pagam caro por soluções que resolvem problemas reais.

Então a pergunta deixa de ser:

“Existe dinheiro?”

E passa a ser:

“Existe capacidade técnica suficiente para construir algo competitivo?”

O Brasil possui profissionais extremamente competentes, mas normalmente eles surgem apesar do sistema, não por causa dele.

Grande parte aprende sozinha:

  • estudando fora da faculdade;
  • lendo documentação;
  • construindo projetos próprios;
  • errando repetidamente;
  • trabalhando além do necessário para alcançar um nível técnico alto.

Grande parte dos profissionais acima da média acaba se formando através de comunidades específicas, documentação oficial, projetos reais, open source, tentativa e erro e experiência prática acumulada ao longo do tempo.

Enquanto isso, escolas ruins, faculdades fracas, cursos rasos e conteúdo superficial continuam formando pessoas sem base sólida.

E não existe milagre nisso.

Não é possível construir bons engenheiros, médicos, pesquisadores ou desenvolvedores em massa sem educação forte, profundidade técnica e incentivo real à qualidade.

Conhecimento técnico profundo normalmente exige anos de prática, estudo e contato com problemas reais. Porém, a internet moderna foi construída para consumir conteúdo rápido, e não para desenvolver profundidade intelectual.

Talvez por isso exista uma sensação crescente de superficialidade em praticamente tudo: conteúdo, software, redes sociais, mercado de trabalho e até nas relações profissionais. O sistema recompensa velocidade e escala, enquanto qualidade normalmente exige tempo, profundidade e construção lenta.

No final, tudo volta ao mesmo ponto:

Quando dinheiro se torna o único indicador importante, qualidade começa a perder espaço.

E quando qualidade perde espaço por tempo suficiente, o impacto eventualmente retorna para toda a sociedade.


Essa semana vi um vídeo que fala exatamente sobre todo esse problema do sistema. Já vi vários vídeos de vários influencers falando a mesma coisa. Infelizmente, essa é a realidade do mercado.

https://youtu.be/boja8Imivsw?t=37

Em resumo, Ele explicou que parou de gravar a saga completa do desenvolvimento do jogo porque os vídeos tinham baixa retenção. Apesar de mostrar o processo real, codando do zero, poucas pessoas assistiam até o final, enquanto o trabalho para gravar e editar consumia muito tempo. Com isso, decidiu mudar a estratégia ao perceber que o público tinha mais interesse em ver o jogo pronto do que acompanhar o desenvolvimento passo a passo.

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Da mesma forma que um iniciante não tem conhecimento para reconhecer um bom conteúdo, muitas vezes um profissional não precisa daquele conteúdo, pois teve que aprender sozinho.
Produzir conteúdo técnico é foda. Tô numa etapa da minha vida onde leio livros que parecem interessantes enquanto codifico projetos pessoais(to na faculdade ainda). Então não costumo consumir tutoriais e blogs, mas quando faço, evito coisas básicas que tentam me ensinar até como instala o editor, porque sei que ali a preocupação não é ensinar, é reter.

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Acho interessante, pq isso é em todoas as areas. Todo mundo quer vender alguma coisa, e passa ar de autoridade.

Pra cada nicho é umas 20 pessoas usando a mesma tecnica de persoasão.

Voce troca de nicho, e lá estão outros vendedores, as mesmas tecnicas.

Percebi que a internet é isso isso, tentar vender alguma coisa pra voce.

E não era assim, a um tempo atras.

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Cara concordo com tudo que disse, e vou dar uma resposta bem dura que sinceramente acho que você deveria ter dado ai no seu post kkk, peço desculpa pela linguagem, mas cá entre nós foda-se.

A verdade é que todo sistema é feito para meter no rabo de quem tem preguiça, e a maioria dos problemas nem existe, eles são criados artificialmente para poder vender o segredo da resolução ou seja o segredo é vender o segredo sacou? O sistema todinho ta virado em um bando de filho da puta que aprendeu a explorar um bando de preguiçoso. A únida pergunta real que as pessoas deveriam fazer a si mesmas antes de cair nessa frescura é "Qual o problema real que eu preciso resolver?" e depois "Isso realmente é um problema? Ou é apenas preguiça minha de resolver?"

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A verdade é que todo sistema é feito para meter no rabo de quem tem preguiça, e a maioria dos problemas nem existe, eles são criados artificialmente para poder vender o segredo da resolução ou seja o segredo é vender o segredo

Não diria preguiça, no meu caso nunca foi. A frase em baixo representa bem oque era;

Se o diabo é o único que te estende a mão, você acaba segurando.

Hoje vejo que todo sistema escolar é "Falho", ou melhor, ele é "perfeito" para quem se beneficia dele. A escola tem grande influência em nossas vidas, pois a escola nos doutrina a acreditar cegamente em autoridades sem questionar;

"Isso realmente é um problema?

Essa é uma boa frase para se perguntar constantemente. Sempre me faço essa mesma pergunta.

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mas porque? Va mais afundo nisso:
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Não diria preguiça, no meu caso nunca foi. A frase em baixo representa bem oque era;

Se o diabo é o único que te estende a mão, você acaba segurando.
...

Quer ver um caso nada haver mas que ilustra o que eu digo, Meu filho pequeno começou a encher o saco para comprar figurinhas do Pokemon, ai indo em lojas no dia a dia algumas tinham essas tais figurinhas, ok eu acabava comprando pra ele porque ele ficava dizendo aqui tem pai.

Ai um belo dia que eu ja tava com a cabeça virada eu perguntei, mas porque diabos tu quer tanto isso? Ai venho a resposta mestre... Por que isso vai valer muito daqui a alguns anos.

Ai eu perguntei a ele, como assim? E ele me explicou todo o bla bla bla que ele tinha ouvido do mestre ninja dele no tictok. E eu fiz uma pergunta que destruiu os sonhos dele: Você checou a autenticidade dessas figurinhas? Passamos um dia verificando isso e ele descobriu que absolutamente todas eram falsas, e vendidas nas mais diversas lojas, ele acabou descobrindo que só ia conseguir originais com selo de original na loja americana pelo quintuplo do preço. Expliquei a ele sobre todo o sistema e como funciona kkkk.

Mas a lição aqui é outra porque isso ocorre? Porque eu que sou pai preferi a preguiça de não processar cada uma das lojas, e poderia fazer isso de graça pois tem defensoria publica, procon etc. E Tambem minha preguiça de pagar e comprar as figurinhas sem perguntar nada pela preguiça de agradar meu filho em vez de ir mais a fundo e entender o que ele realmnete queria e por ultimo a preguiça dele de entender melhor o mercado em que estava se enfiando focado apenas no lucro prometido. As vezes estendemos a mão ao diabo porque e mais fácil fazer isso do que mudar o sistema entendeu?

Ou seja ou você vira um pé no saco do sistema indagando tudo ou acaba aceitando por conveniência (preguiça de lutar).

Talvez a grande questão ai é entender o que é preguiça para o cérebro, (além de programador sou psicanalista formado). A preguiça é simplesmente quando o cérebro não sabe se o que ele precisa fazer vale apena do ponto de vista de custo de energia, quando ele não sabe se aquilo que voce vai fazer vale apena energeticamente ele fica com preguiça, uma tentativa deliberada de evitar uma situação duvidosa que vai consumir energia e pode ser em vão. É um mecanismo de proteção. Ou seja o que falta ai para a preguiça sumir é informação, educação talvez, os motivos podem ser variados, mas com certeza é falta de certeza em algo,e geralmente isso vem da falta de informação ou informação de má qualidade.

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preguiça dele de entender melhor o mercado em que estava se enfiando focado apenas no lucro prometido. As vezes estendemos a mão ao diabo porque e mais fácil fazer isso do que mudar o sistema entendeu?

Hoje penso da mesma forma que você e, com certeza, faria tudo diferente. Porém, acredito que, tanto no meu caso quanto no do seu filho, a palavra que melhor representa isso é falta de malícia, e não preguiça.

Porque, na época, fiz até os piores caminhos, e os que deram mais trabalho. Por exemplo, fiquei 1 ano inteiro resolvendo exercícios de lógica, foram mais de 300, que não serviram para nada. Fiz vários cursos na Udemy que diziam ser do básico ao avançado, com vários exercícios e projetos que, novamente, ao meu ver, não serviram para muita coisa, dentre várias outras dicas vindas de autoridades.

Então, felizmente, não foi preguiça de fazer ou pesquisar. Foi falta de malícia, no sentido de acreditar cegamente no que as pessoas dizem, e falta de entender como o mercado funciona. Na época, nunca me passou pela cabeça o pensamento simples de: “O que esses 300 exercícios ou projetos têm de útil para uma empresa?”. E a resposta é: nenhuma.

Você checou a autenticidade dessas figurinhas?

Provavelmente isso nem passou pela cabeça dele. Não sei o quanto você trabalha com ele a questão de checar dados e desconfiar, porém uma das coisas que a escola e, muitas vezes, os pais não ensinam é a desconfiar de tudo.

Posso estar enganado e talvez realmente tenha sido preguiça da parte dele. Porém, pensar em algo assim, ainda mais para alguém que nunca foi enganado, é difícil.

Pois tanto eu quanto ele não estávamos buscando o caminho mais fácil, estávamos buscando o caminho percebido, sem duvidar e sem imaginar que a pessoa poderia estar mentindo, no caso dele o dono da loja estar vendendo algo falso.


As vezes estendemos a mão ao diabo porque e mais fácil fazer isso do que mudar o sistema entendeu?

Quando digo “Se o diabo é o único que te estende a mão, você acaba segurando”, não falo no sentido de escolher o caminho mais fácil, e sim no sentido de ser o único que estava disponível. Não havia alternativas, porque eu não as conhecia e nem imaginava que existissem.

Novamente, talvez seu filho também não soubesse que existiam cartas falsas, nem o que torna uma carta valiosa no longo prazo. Eu, inclusive, passei por algo semelhante comprando cartas de YuGiOh. Olhava para a carta original e para a minha e perguntava: “Por que não é a mesma?”.

Por muito tempo, eu não tinha o conceito de originalidade formado na minha mente. Quando você cresce comprando tudo falsificado, e tudo o que importa é o menor preço, a qualidade deixa de ser referência. Você simplesmente não sabe o que é original, no caso da programação, não sabe oque é relevante ou funciona.


(além de programador sou psicanalista formado).

O que acabei de falar acima, “a escola nos doutrina a acreditar cegamente em autoridades sem questionar”, acabou de acontecer comigo por alguns segundos logo após você dizer “sou psicanalista formado”. Magicamente, por alguns segundos, minha mente começou a acreditar que tudo o que falei até agora estava errado e que você estava certo, mesmo sem ter me apresentado nenhum comprovante ou qualquer garantia. E esse é justamente o ponto de tudo.

Mas por quê? Indo mais a fundo nisso: porque eu não tinha malícia. Hoje tenho, e da mesma forma que vou questionar você, no sentido de não levar tudo o que fala como verdade apenas por ser uma autoridade.

Entre nós brasileiros, esse sentimento de “acreditar cegamente” em autoridades e dados é muito forte. É incrível como, em qualquer debate ou questionamento, as pessoas giram em torno de “tal coisa funciona assim”. “Você tem dados?” “Tenho.” E a pessoa simplesmente aceita. Não questiona quem fez, como fez, quando fez, ou qualquer outro detalhe, na maior parte das vezes.

Se não são dados, é autoridade. A pessoa fala algo, alguém pergunta: “Você é formado nisso?”. A resposta é “sim”, e imediatamente passam a acreditar cegamente. E, por outro lado, se a pessoa não tem dados ou não é uma autoridade, é como se tudo o que ela disse automaticamente deixasse de ter valor, verdade ou sentido.

Demorei 5 anos para entender como o mercado realmente é, Hoje percebo que grande parte da internet transformou autoridade em produto.

“Quem sou eu para discordar de alguém que conquistou coisas que eu ainda não conquistei?”

É exatamente o que digo nessa parte: o brasileiro acredita fortemente em autoridades sem questionar, e eu não fui diferente. Durante muito tempo, esse foi um erro que me custou anos.

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Cara parabéns, voce entendeu, grande bosta eu falar que sou psicanalista, entende que acreditar nisso seria preguiça? Sim você esta com razão sobre a questão da malícia, não no caso do meu filho porque eu puxo ele muito nisso, mas no caso em geral de crianças e jovens em geral sim, aqui eu realmente pensei mais no adulto, que ja deveria estar esperto nisso.

Agora mesmo isso a ingenuidade e a falta de malicia eu acho preguiça, posso estar completamente errado, afinal não sou o dono da verdade, e veja bem, em momento nenhum estou dizendo que isso é "culpa das pessoas" porque como falei antes é um mecanismo de defesa, aquela historia das cavernas, se eu tenho pouco alimento, porque devo gastar energia em algo que eu não tenho informação o suficiente se vai funcionar ou não? Se eu ainda tenho qualquer minimo caminho para enrolar essa decisão eu vou escolher ele. Só quando a dor bate eu mudo e enfrento. (Sim, iguazinho treinamento de IA kkk). Então a preguiça esta programada na gente, esta no DNA, massss aqui vem outra questão, o sistema desde pequeno incluindo ai a educação dos pais e da escola incentiva isso, principalmente aqui no Brasil. A preguiça e a mentira fazem parte da nossa cultura como país, nunca esqueço o que um professor meu da Ucrania (antes da guerra) me contou sobre a Europa e o Brasil, ele venho morar aqui e me contou:

Quando vim para o Brasil, apaixonado pela minha esposa Brasileira, eu tive que ir trabalhar em uma academia e me colocaram para gerenciar as crianças e jovens que iam treinar. Ai um dia um pai me perguntou como seu filho estava progredindo e eu prontamente disse: Seu filho é um preguiçoso do caralho, não faz nada que eu mando, comportamento de um estúpido, mas se agente fizer ... Nesse momento fui interrompido pelo dono da academia que me puxou para o lado pedindo desculpas ao pai e me disse: Não pode falar assim como os pais!!! Eu perguntei: Porque não o filho dele é um estupido do caralho mesmo! E o cara me disse: Não pode aqui agente mente, não pode falar assim senão perde o cliente, diz que ele ta progredido que precisa se esforçar um pouco mais, não fale assim de forma "agressiva".

Eu fiquei pensando de boca aberta... porque na Europa agente fala o que precisa falar, se eu fizesse diferente eu estaria impedindo o garoto de crescer, porque lá agente fala a verdade, mas dá uma solução, ou seja o garoto era estupido mas podia melhorar, eu só não tive tempo de falar isso e agnete fala exatamente a verdade pro pai saber a gravidade do que ocorre e nao dourar a pílula, antes que o filho dele vire um estupido sem volta.

E da mesma forma a preguiça esta treinada em nossa cultura nos minimos detalhes, não é exatamente culpa das pessoas, acredito que os pais são os maiores culpados porque passam isso aos filhos ainda no berço praticamente, mas como ajudar os pais? Talvez eu crie um SaaS para isso e fique rico. kkkkkkkk

Como disse no inicio concordo com você em praticamente tudo, só quis ser um pouco mais agressivo no que eu julgo ser o cerne da questão. Obrigado pela ótima conversa.

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A preguiça e a mentira fazem parte da nossa cultura como país,

me colocaram para gerenciar as crianças e jovens que iam treinar. Ai um dia um pai me perguntou como seu filho estava progredindo e eu prontamente disse

Seu filho é um preguiçoso do caralho, não faz nada que eu mando, comportamento de um estúpido, mas se agente fizer...

Entendo onde você quis chegar, porém o dono da academia entendeu algo que a vida nos ensina com o tempo: poucos querem a verdade ou conseguiriam viver com ela; muitos querem apenas uma mentira confortável.

Os pais provavelmente não estão se importando se o filho está fazendo tudo corretamente. Muitos pais apenas usam o filho como troféu, para falar sobre ele para os outros, ou apenas querem “se livrar da criança”. E, quando perguntam “meu filho está indo bem?”, só querem saber se ele não está causando problemas.

O dono da academia entende isso e sabe que o melhor é apenas “sorrir e falar que está tudo bem”, mesmo não estando.

Porque, em muitos casos, da forma como ele falou da criança, alguns pais podem se sentir atacados. Ao dizer que a criança é “preguiçosa do caralho”, que “não faz nada que eu mando”, que tem “comportamento de um estúpido”, isso pode ser interpretado como uma ofensa direta ao pai. Reações como “você acha que não sei cuidar do meu filho ou educá-lo?” poderiam surgir. O dono foi esperto e cortou rápido para o problema não escalar e perder o cliente.

E olhando por esse ponto a decisão mais difícil e inteligente de certa forma é mentir.


acredito que os pais são os maiores culpados porque passam isso aos filhos ainda no berço praticamente, mas como ajudar os pais? Talvez eu crie um SaaS para isso e fique rico. kkkkkkkk

Não tenho nada que comprove o que vou dizer, porém acredito que a preguiça seja um mecanismo de seleção natural. Hoje existe um romantismo em torno da preguiça e uma associação dela com inteligência, porém discordo disso. Quem hoje tem sucesso na vida são os que mais estão dispostos a gastar energia. Quem escolhe uma vida fácil e de baixo custo energético geralmente precisa aceitar as piores condições.

Algumas faculdades fazem seleção filtrando os que mais estudaram determinados temas; quem passa são os menos preguiçosos.

Empresas têm processos longos, chatos e difíceis. Quem é preguiçoso não quer passar por isso. Se apenas fazer um teste já é motivo de desistência, a pessoa acaba sendo eliminada automaticamente.

Em resumo, quando olhamos para a “alta sociedade”, vemos algo que já foi observado há muito tempo: nem todo mundo é igual.

Eu e você somos diferentes, e tanto eu quanto você percebemos isso. Nem todo mundo está disposto a fazer o que estamos dispostos a fazer. E, se buscamos construir algo, temos que buscar pessoas semelhantes a nós, e a melhor forma de fazer isso é por meio de filtros.

Se eu fosse criar algo nesse sentido, acredito que o caminho seria um bom sistema de filtragem. Inevitavelmente, as pessoas teriam sucesso, e o marketing estaria justamente no sucesso delas, atraindo novos integrantes que seriam filtrados e, consequentemente, também gerariam resultados.

E a decisão mais difícil seria sorrir e dizer que todos conseguem, que todos são iguais e que basta tentar.


Não pode aqui agente mente, não pode falar assim senão perde o cliente, diz que ele ta progredido que precisa se esforçar um pouco mais, não fale assim de forma "agressiva".

Tenho fortes dúvidas se mentir é a decisão mais fácil de ser tomada ou a mais inteligente e difícil de ser feita. Fazendo um paralelo com empresas, se uma empresa fosse 100% honesta e transparente ao falar tudo o que está acontecendo com os funcionários, eles não conseguiriam trabalhar dando o seu melhor.

Trabalhei em uma empresa que tinha políticas de ser 100% transparente com seus funcionários: gastos da empresa, clientes entrando e saindo, salários, decisões da empresa... Em resumo, sabíamos tudo sobre a empresa, inclusive quando ela estava no azul ou no vermelho.

Por muito tempo, vi o caos na empresa. A cada cliente que entrava e saía, falavam sobre comissões, pegavam a planilha e calculavam praticamente todos os dias e já planejavam o que iriam comprar.

Se a empresa estava no vermelho, os funcionários começavam a especular se iriam receber no próximo mês; muitos já planejavam sair da empresa. Enfim, passava o mês e nada acontecia, tudo seguia normal. Muitas das preocupações e longas conversas que tinham nem precisavam existir.

Se os dados fossem ocultados ou se literalmente se mentisse, dizendo que a empresa estava bem, no fim do mês tudo seria resolvido.

Hoje sei de muita coisa que não queria saber, pois viveria muito mais feliz assim. Mas, infelizmente, muitos precisam lidar com a pressão de saber uma verdade que não é agradável, mas ainda assim olhar para todos, sorrir e falar que está tudo bem e que vai dar certo.

Tem dois animes que falam justamente isso.

O homem mais forte é aquele que consegue sorrir nos piores momentos.

Não importa o quanto você tenha medo, deve sorrir para mostrar que está tudo bem. Neste mundo, aqueles que sorriem são os mais fortes.

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No fim, acho que até o ambiente de desenvolvimento entrou nessa lógica de retenção e distração. Tem ferramenta hoje que parece rede social disfarçada 😅
Ultimamente tenho valorizado muito qualquer coisa que deixe o fluxo de código mais limpo e sem interrupção como o https://tranquils.org