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IA vai nos substituir?

Às vezes ver como a IA tem evoluído, e conseguindo fazer em minutos coisas que a gente levaria dias, dá aquela sensação de estar perdido, ou ser menos importante na sociedade exercendo nossa profissão.

Mas queria compartilhar aqui uma conversa que tive com uns amigos outro dia, que acabou nos levando a alguns exemplos (inclusive usando IA pra puxar da memória alguns desses casos) que ajudaram a enxergar essa mudança de um jeito menos assustador do que parece, às vezes é mais fácil enxergar o padrão quando ele já aconteceu em outro lugar.

O digitador

Antes dos processadores de texto, quem escrevia um livro ou um relatório mandava pra um digitador datilografar. Era uma profissão. Quando o Word e afins ficaram populares, o digitador sumiu — mas o escritor não. O escritor continuou escrevendo, só que sem precisar mais de alguém pra passar a limpo. A parte que sumiu foi a tarefa mecânica, não o trabalho de pensar o que escrever.

O calculista

Antes das planilhas eletrônicas, empresas tinham gente cujo cargo literalmente era "calculista": alguém que passava o dia fazendo contas financeiras à mão ou em calculadoras mecânicas. O Excel não eliminou os contadores nem os analistas financeiros — eliminou o cargo de quem só fazia conta.

O desenhista técnico

Antes do CAD, engenheiros e arquitetos tinham desenhistas técnicos: pessoas que passavam pranchetas inteiras traçando linhas com régua e esquadro a partir do que o engenheiro especificava. Hoje o CAD faz o traço. Mas o engenheiro que decide o que construir, entende de carga estrutural, de material, de norma — esse continua existindo, e inclusive fica mais produtivo.

Repara o padrão: em todos os casos, quem desaparece é quem fazia só a execução mecânica de uma decisão que outra pessoa tomava. Quem entendia o problema por trás — o que precisa ser escrito, o que a conta representa, por que aquela estrutura é daquele jeito — esse continua no jogo, e geralmente sai ganhando em produtividade.

A IA também é uma dessas ferramenta que te faz ir mais rápido, então a pergunta que devemos fazer não é "a IA vai me substituir?", e sim: eu sou o "digitador" de código, ou eu sou quem entende o problema que o código resolve?

Se você entende a regra de negócio, o porquê da arquitetura ser daquele jeito, o usuário, os trade-offs, não tem como a IA te substituir. Se sua única entrega até aqui era digitar código sem muito entendimento do "porquê", aí sim vale a pena se perguntar pra onde evoluir.

Dito isso, continue sempre evoluindo, a tendência é a IA continuar alcançando outros patamares no futuro, e quem para de aprender também fica pra trás, com ou sem IA no meio.

Mas se você, assim como eu, já se pegou pensando "será que ainda tenho valor" eu tenho quase certeza que você ainda não percebeu o quanto do que você faz vai além de escrever código.

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Compreendo é de facto, é uma sensação assustadora.
E lamentavelmente temo que esta narrativa da ferramenta e do orquestrador, possa ser uma super simplificação.

De facto, historicamente, o que citaste, de facto ocorreu, entretanto, devido a natureza retrospectiva dos dados, qualquer inferência futura seria extrapolação.

Correlação não implica causalidade, e desta vez, pode ser diferente.

Porém, creio compreender o que diz.
Como estudante de Ciência da Computação, temo que não haja espaço.
Vivemos em um mercado saturado, onde as possibilidades são limitadas.
Mas não nulas.

Tenho apostado na diversificação de portfólio, e especialização.

As IAs, são basicamente modelos de inferência estatística, e são tão bom quanto seus dados.

Se você é apaixonado pela computação, assim como eu.
Digo-lhe, não deixe a incerteza dar a ultima palavra.