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Problemas da AI em 2026

Background

Já estou no ramo da programação há alguns anos e cheguei a programar com a ajuda do Stack Overflow (que muita gente já nem se lembra que existe) e sem recorrer a IA porque ainda não havia, obviamente. Nunca fui um programador excelente, mas sempre tive muita vontade, e acima de vontade, tinha mesmo prazer. É importante referir também que estou no curso de Engenharia Informática, então lido com estas questões diariamente.

Alguns problemas que surgem com a IA

No decorrer destes últimos anos, principalmente nos últimos 2/3 anos onde o uso da IA entre os devs tem vindo a aumentar, há muitos problemas que surgem. Aqui falo de problemas relacionados com o desenvolvimento através da IA — não vou entrar em questões ambientais ou a nível de hardware. Falo de problemas que muitos devs encontram todos os dias ao usar a IA para "facilitar" o nosso trabalho.

Velocidade

A primeira coisa que muita gente diz quando fala sobre o desenvolvimento usando IA é a velocidade/rapidez com que se consegue chegar a algo que outrora demoraria muito mais tempo. Mas isto pode não ser assim tão simples.

No último mês tenho usado diariamente, e por vezes exaustivamente, o Codex da OpenAI para um projeto que estou a desenvolver em SwiftUI. A verdade é que tem estado a correr mais ou menos bem — sinto que principalmente no início consegui ter uma versão relativamente avançada que demoraria dias caso não tivesse usado IA.

O problema talvez seja muito específico: a maior parte do que tenho feito é a nível de interface (transições, animações, views), e isto é design com frontend — sabemos que o Codex é muito fraco nessa área. A nível de lógica até ajuda bastante.

A questão é que muitas vezes o Codex perde demasiado tempo a tentar fazer algo que já foi feito. Por vezes bastava copiar o código e alterar uma pequena parte, mas ainda assim tenta complicar ou arranjar workarounds para coisas já desenvolvidas anteriormente, mesmo quando lhe digo para reutilizar o mesmo código.

E aqui entra logo o problema de perder tempo com coisas que não requerem um nível avançado de lógica. Há que ter cuidado para não entrar no loop de:

"Ainda não funciona, resolve" — cinco ou dez vezes seguidas.

Aqui podem-se perder horas que não se perderiam. Podem dizer que posso simplesmente parar e ir resolver o código, mas o problema é que já está tão complexo que por vezes não consigo perceber — o Codex já fez dez workarounds para forçar algo que nativamente era possível, e não quero arriscar estragar tudo.

Superficialidade

Outro problema que surge muitas vezes no desenvolvimento com IA é a falta de aprofundamento. Isto está mais relacionado com arquitetura do que com código em si.

Por exemplo, um sistema de autenticação pode ser feito muito rapidamente com IA, mas pode pode ter lacunas em flows básicos como a recuperação de password, algo essencial.

Aqui entra outra questão: vibe-coding vs. senior engineers. Um junior com vibe-coding pode deixar um senior para trás, principalmente pelo tempo que este demora numa tarefa. Talvez o ideal fosse ter o conhecimento de um senior com a mestria no uso de IA de um junior.

Sensações

Há algo que também desapareceu com o uso recorrente de IA: a sensação de ir dormir a pensar num bug e, quando se acorda, ser a primeira coisa a resolver. Isso já não acontece muito.

Sim, ganhamos dopamina quando pedimos algo à IA e ela nos dá exatamente o que pedimos — especialmente se for à primeira e era complexo. Mas a sensação de encontrar um bug, pesquisar no Stack Overflow ou na própria codebase, e chegar a uma solução por conta própria, era algo que me deixava pessoalmente muito satisfeito. E desapareceu.

Sei que posso simplesmente não usar IA e voltar a ter este tipo de sensações — mas aí entro no paradoxo da IA.

O paradoxo da IA

Com base nos pontos anteriores, é possível perceber um padrão:

Quero ter algo, mas abdico disso para usar IA — porque sinto que se não usar estou a perder. Mas se usar também estou a perder (tempo e praticidade). Entro num loop constante.

Isto pode ou não ser resolvido com o uso moderado de IA. Talvez escolher cuidadosamente onde usar ou não usar, ou aprender ao máximo com a tecnologia antes de recorrer à IA — e depois, com esse conhecimento, conseguir comunicar com ela de forma mais precisa e eficaz.

Ou seja: usar a IA para escrever código mais rapidamente, mas rever o que foi gerado. Talvez não todo, mas grande parte. Acho que este deve ser o ponto de equilíbrio ideal.

Conclusão

Este é um conjunto de pensamentos que tenho tido nas últimas semanas, onde tenho usado intensivamente o Codex 5.3 e agora o 5.4, sentindo alguns problemas e identificando alguns cuidados a ter.

Queria saber a opinião de devs que usam — ou usam pouco (hoje em dia há poucos que não usam, haha) — e qual o workflow que recomendam.


Obs.: foi usada IA para corrigir os erros ortográficos do rascunho deste post. ;)

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Talvez o ideal fosse ter o conhecimento de um senior "com a mestria no uso de IA de um junior".

Cara, essa parte q destaquei em aspas é tão estranha, kkkkk. Vc conclui como se senior não fosse capaz de usar IA com a msm "maestria" q um júnior... isso tá tão errado, kkkk.
Mas entendi o q vc quis dizer, só ficou estranho menosprezar a capacidade de um senior ao usar IA.

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Sim, se calhar expressei-me mal, mas eu sinto que os seniors com +10 anos de experiência não tem tanta facilidade em acompanhar a evolução da IA que pessoas que estão constantemente a usar no dia a dia. É um bocado uma analogia com os idosos não se adaptarem às novas tecnologias, porque estou a falar de seniors em empresas onde o workflow já está bem consolidado, não em seniors com 5 anos que usam a IA há 3.

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Uso o OpenCode com OpenSpec, e modelos free, principalmente o MiniMax, e alguns outros do OpenRouter. O Antigravity tá na fila, junto com o Kilo Code. Por enquanto ainda não me aventurei com os modelos pagos, mas já percebi que eventualmente será algo necessário quando meus projetos ficarem mais complexos.

Achei que sentiria falta da programação, ou como tu disse "ir dormir a pensar num bug". Mas já me desapeguei completamente. Se pudesse nem abriria mais uma IDE. É muita coisa pra aprender nesse novo mundo de vibe engineering (rules, skills, commands). Agora vou dormir pensando em features e próximas apps.

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Sim, concordo e eu também vou dormir a pensar em features e ideias novas, mas sinto que por estar a dar todo o trabalho à IA, quando fico preso num bug, já não consigo resolver porque já está muito complexo ou porque não fui eu que escrevi. Não gosto da ideia de simplesmente entregar uma codebase inteira à IA porque sinto que já não tenho o controlo.

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Eu criei um workflow em que não toco mais no repo. Tudo fica a cargo do agente, peço pra fazer toda e qualquer alteração/inclusão/exclusão. To fazendo um projetinho aqui e testando esse workflow, tem funcionado. É uma sensação estranha, mas faz todo sentido pelo andar da carruagem. Assim que terminar vou escrever um artigo explicando como ficou.

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Muito obrigado! Terei todo o interesse em ler o artigo. Eu sinto que é isso que me falta, porque no fundo eu fico a falar com a IA a tentar resolver problemas durante muito tempo (por vezes, tempo demais), e o que faço, que funciona para mim, é planear muito as tarefas e depois simplesmente dizer para implementar (uma estratégia que já ouvi o Peter Steinberger (OpenClaw) falar sobre), mas não tenho um workflow consolidado. Por outro lado sinto que quanto mais consolidado tiver o workflow, menos "dentro" do projeto estou, mas se calhar continuo a ter o controlo, esse é o teu ponto.