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Eu quero te agradecer por ter feito este post, pois é importante saber o que se passa na cabeça das pessoas de diversos níveis de experiência. Eu fico observando pelo YouTube os diferentes pontos de vista dos melhores devs profissionais do Brasil. Inclusive, uma foi demitida e fez um vídeo sobre isso; no entanto, como era muito experiente, dois dias depois já estava com parceria em algum projeto.

Eu considero você muito melhor do que eu. Eu sei que não devemos comparar, pois cada um tem seu próprio bastidor, com suas dores, dificuldades, força e energia.

Eu gostaria de deixar minha história bíblica aqui. Ela ainda não tem um final feliz, mas eu acredito que nossa vitória aqui não seja só material. O caminho faz parte do aprendizado. É a única coisa que você leva daqui.

Eu abandonei a área em 2014, pois era ruim mesmo. Não gostava de orientação a objetos. Eu gostava de usar linguagem de programação como ferramenta, e não como uma biblioteca que vai cair em cima de você se não for bom nisso ou naquilo.

Fui rodar de Uber para esfriar a cabeça e fiquei assim por 5 anos. Resolvi voltar para a área durante a pandemia, pois levei tiro, fui sequestrado e tentaram me matar duas vezes. Essa profissão estava aniquilando minha alma.

No início dos estudos, fui morar em uma república de estudantes da federal. A sensação de saber que eu estaria vivo no final do dia era surreal para mim.

Meu psicológico estava tão abalado que ficar dentro de um quarto fechado estudando programação era uma masturbação mental e espiritual.

Bom, em abril de 2020 eu não sabia fazer um “Hello World” em JavaScript. Fiz cursos do Guanabara, Udemy, RocketSeat e Cod3r. Em setembro, com uns 4 CRUDs prontos no GitHub, mais um joguinho em JavaScript, disparei currículos. No entanto, isso foi realmente muito fraco, ainda mais considerando minha idade (50) e um currículo horrível.

Fábio Akita, no seu canal do YouTube e em alguns podcasts, disse:
“Se você não conseguia emprego na pandemia e após ela, eu sinto muito em dizer que você é um péssimo programador.”

Então desisti novamente. Como eu tinha torrado a grana do carro com aluguel, tive que recomeçar por baixo em empregos ruins. Imagine você, com formação superior, com a cabeça cheia de ideias, tendo que trabalhar em ambientes quimicamente, emocionalmente e fisicamente tóxicos (manutenção predial, telemarketing, repositor), com gente ignorante que só sabe conversar sobre futebol.

Em 1998, se você soubesse HTML, era Webmaster e ganhava até que bem.
Em 2005, você precisava ter certificação Java, e ter conhecimento web não bastava.
Até 2010, desenvolvedor web ganhava menos que uma cabeleireira.
Entre 2012 e 2015, com os novos apps — Uber, iFood, Facebook — os profissionais web começaram a ser valorizados e os cursos de faculdades foram totalmente alterados.

Eu não sei como ajudar você que está lendo. Se você está lendo isso, é porque está passando por problemas, e só você saberá a resposta.

Não se compare.

Use seu networking, estude engenharia de prompts, crie coisas que gerenciem as IAs.

Faça o possível para continuar em áreas de tecnologia se você é fisicamente fraco ou tem espectro de autismo, pois trabalhar no comércio vai drenar sua alma.

(Usei ChatGpt pra ficar bonitinho)

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Mano, seu relato é bem real, e consegui sentir o peso das suas palavras daqui. Vamos dizer que eu consegui dar certo na área: nunca fiquei desempregado por muito tempo e trabalhei em boas empresas.

Me esforcei bastante, mas tenho certeza de que, se alguns momentos de sorte não tivessem acontecido comigo, provavelmente eu estaria até fora da área. Professores, dificuldades, indicações de amigos e várias outras coisas que estavam totalmente fora do meu controle me trouxeram até aqui.

Quando leio relatos como o seu, fico muito pensativo, pois você parece ser uma pessoa gentil e esforçada, mas a vida às vezes é bem cruel com a gente.

Espero que você fique bem, amigo. Que Deus te abençoe!