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Como uma pequena equipe de OSINT vasculhou os Epstein Files, usou IA e ajudou a abrir investigação do MPF

Nota do Autor: "A cura para o tédio é a curiosidade."

Introdução

No começo de 2026, quando saíram os arquivos públicos do DOJ sobre Jeffrey Epstein (mais de 3 milhões de páginas), eu e uma pequena equipe de pesquisadores decidimos mergulhar neles. Não por fama, mas porque vimos que o Nordeste (especialmente Natal/RN) aparecia em comunicações que ninguém estava comentando direito. O que começou como curiosidade coletiva virou um fluxo de trabalho técnico que resultou em uma denúncia formal ao MPF — e agora tem procedimento investigativo sigiloso na UNTC em Brasília.

Vou contar exatamente como fizemos, passo a passo, as ferramentas que usamos e como a comunidade online ajudou a dar tração. Éramos uma equipe pequena: eu foquei na coordenação e análise inicial, enquanto outros ajudavam na curadoria e validação.

O start: por que Natal/RN nos chamou atenção

Estava lendo threads no Reddit (principalmente r/brasil, r/conspiracy e alguns internacionais sobre Epstein Files) e vi menções soltas a “Natal”, “RN” e “Brasil” nos e-mails divulgados. A maioria das discussões focava em nomes famosos nos EUA, mas tinha um padrão geográfico que ninguém parecia estar explorando: comunicações de 2011 envolvendo uma mulher descrita como “pobre, simples, inocente”, de família humilde na periferia de Natal. Pedidos de fotos em lingerie/roupa de banho, emissão de passaporte em 26/01/2011, planos de encontro em Paris em abril, transferências de dinheiro (US$ 4.200 pra suposta cirurgia). Epstein hesitava por causa da condenação de 2008, mas as conversas continuavam.

Fiquei meio triste porque parecia que o Nordeste estava sendo ignorado de novo. Decidi postar no Reddit pra ver se alguém mais tinha visto isso. No thread, comecei compartilhando trechos públicos e perguntando: “Alguém mais achou conexões com o Brasil? Vamos mapear isso direito?” A galera respondeu rápido — uns mandaram links de páginas que eu não tinha visto, outros ofereceram ajuda pra cruzar dados, e assim fomos formando uma equipe pequena e informal.

Gente que nunca tinha se falado antes começou a colaborar via comentários, DMs e depois calls rápidos. Foi orgânico: quem tinha skill em OSINT entrava pra validar, quem curtia análise ajudava na curadoria.

Nosso fluxo técnico (equipe pequena, mas eficiente, DeepSeek Strategy)

Trabalhamos como uma equipe ágil, com ajuda pontual de IA e da comunidade pra validar. Adotamos um approach “stay small as you can for as long as you can” (obrigado Paul Graham pela inspiração), dividindo tarefas:

  1. Extração inicial e curadoria manual
    Baixamos os dumps públicos (PDFs, e-mails transcritos, etc.). Usamos busca por palavras-chave: “Natal”, “RN”, “Rio Grande do Norte”, “Brasil” + nomes como “Alexia” (a intermediária que aparecia muito).

  2. Criamos uma planilha compartilhada pra normalizar: nome da entidade, data, contexto, fonte exata do doc. Tudo rastreável — nada de copiar-colar sem link. Um membro da equipe focava na curadoria pra evitar erros.

  3. Resolução de entidades e OSINT clássico
    Jogamos os nomes/locais no Maltego pra expandir: transforms em registros públicos, empresas, voos, etc. Conseguimos ligar “Alexia” a variações ("Alexia") e mapear o hub Paris-NY-Brasil pós-2008.

Também cruzamos com o “black book” e menções a Jean-Luc Brunel (o cara das modelos). Outro teammate validava as resoluções pra garantir precisão.

  1. Grafos pra enxergar o que a olho nu não dá
    Importamos tudo pro Neo4j (banco de grafos gratuito).

Queries simples em Cypher pra achar centralidades:

MATCH (n)-[r]->(m) RETURN n, count(r) AS grau ORDER BY grau DESC

Isso mostrou hubs como Brunel e padrões temporais (ex.: picos de comunicação em 2011).

Geramos timelines visuais com Mermaid.js (super prático pra compartilhar):
timeline title Cronologia Natal 2011 Jan/2011 : Discussão de viagem NY + passaporte emitido 26/01 Abr/2011 : Plano Paris 2008-2015 : Hesitação Epstein + continua contato via Alexia

  1. Acelerador: Grok e IA
    Usamos Grok (da xAI) pra resumir trechos longos, consolidar cronologias e sugerir próximas buscas. Exemplo: “extraia todas as datas e locais mencionados nesse e-mail thread”.
    Sempre validamos manualmente em equipe — IA ajuda, mas não confiamos 100% sem checagem humana coletiva e também para pesquisa pública: apariação de username e entidades identificadas e outras menções e conexões

  2. Kanban simples + ética
    Trello compartilhado: To Do → Em Análise → Validado → Compartilhável.

Regra: só fontes públicas, protegemos identidades de vítimas potenciais (usamos “Maria” como placeholder), nada de doxar inocentes. Discutíamos ética em calls rápidos.

Contribuindo com meios de comunicação: da Estadão à BBC e outros

Além de entregar direto pro MPF, compartilhamos os achados com veículos de imprensa pra ampliar o impacto e garantir que o caso não ficasse só em sigilo. Começou com a Tribuna do Norte, que publicou matéria exclusiva em 04/02/2026 baseada nos nossos insights e no thread do Reddit — eles confirmaram a abertura da investigação e citaram posteriormente a discussão online que motivou tudo.

Depois, enviamos material pra BBC News Brasil (que já estava cobrindo os Epstein Files globalmente). Eles revelaram conexões com modelos brasileiras, incluindo o caso de Natal, e noticiaram que o MPF instaurou procedimento sigiloso em 10/02/2026 após denúncias como a nossa. A BBC destacou trocas de e-mails de 2010-2011 e ajudou a colocar o Brasil no mapa internacional da apuração.

Também taggeamos e enviamos pra Intercept Brasil (que cobre investigações de corrupção e direitos humanos), GloboNews, Folha, Estadão, CNN Brasil e InfoMoney — alguns pegaram trechos dos nossos threads no X pra contextualizar matérias sobre lucros financeiros de Epstein no Brasil (como CDS soberano) e possíveis aliciamentos. Isso criou uma onda de cobertura: o que era uma análise OSINT pequena virou notícia nacional e internacional, pressionando autoridades e protegendo vítimas potenciais ao expor padrões.

A entrega pro MPF

Compilamos tudo num relatório limpo: cronologia, prints de e-mails públicos, grafos, fontes. Enviamos via canais oficiais do MPF (e-mail + ouvidoria).

A Denúncia foi aberta Em 03/02/2026... Em 06/02/2026 a procuradora Stella Fátima Scampini encaminhou pra UNTC. Dia 10/02 abriu-se o procedimento sigiloso pra apurar possível aliciamento e envio de mulher de Natal pra exploração sexual nos EUA.

Ficamos muito felizes — não somos investigadores profissionais, mas usamos o que sabemos (OSINT, grafos, IA) pra contribuir com algo real.

Lições que levamos

Pequeno time > grande estrutura: fizemos mais com laptops, ferramentas grátis e curiosidade do que muita agência de inteligência faria.

Colaboração importa: dividir tarefas acelerou tudo, e Reddit/X transformaram achados isolados em algo que autoridades não podiam ignorar.

Ética em primeiro: proteger vítimas > viralizar.

IA é parceira, não mágica: validação em equipe sempre.

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