Pitch: Criei um hobby para trabalhar menos. Acabei criando mais um produto.
Eu gosto muito do que faço, inclusive no tempo livre. Estudar, testar tecnologias novas, descobrir repositórios, montar protótipos. O problema é que isso também é o meu trabalho.
Minha esposa vivia dizendo para eu desligar um pouco e arrumar um hobby. Eu tentei. Charcutaria (duas semanas de curso, executei uma vez), artesanato em couro (fiz uma pulseira de relógio), videogame (vendi três meses depois). Nada me prendia.
Então criei um personagem feito com IA para o Instagram. Era para ser brincadeira, um jeito de postar coisas que eu não postaria no meu perfil e de conversar com gente diferente.
Em 12 dias ele passou de mil seguidores. Hoje, com um mês, está chegando a 2 mil.
E aí veio a parte que eu não tinha planejado, as conversas. Gente do Brasil todo, da Rússia, da Austrália, perguntando, dando dicas, contando dos filhos, de onde mora. Uma pessoa escreveu que sabia que era IA, mas que aquilo alegrava o dia dela, que era cheio de coisas ruins.
Eu faço questão de responder todos. Só que tenho minhas responsabilidades, e os momentos em que eu ficava zapeando 🚽 🛌 🥘 viraram momentos de responder comentário. Não era bem o hobby que eu tinha imaginado.
Então fiz o que eu sei fazer e construí uma central para ME ajudar.
Deixar uma IA respondendo sozinha nunca foi a ideia. Resolveria o volume, mas acabaria com a relação. Na central, a IA conhece o jeito de falar do personagem, entende o que a pessoa quis dizer e me sugere três respostas. Eu escolho, ajusto e mando.
Hoje cada resposta leva uns 30 segundos. Uso 8 em cada 10 sugestões, quase metade sem mexer em nada.

Por dentro da central
Para quem gosta da parte técnica, aqui vai como funciona e o que deu mais trabalho.
Do comentário ao rascunho. O Instagram avisa por webhook quando chega comentário ou DM. Um worker com fila (BullMQ e Redis) pega o evento, guarda no Postgres e classifica o tipo da mensagem. Para classificar uso o Jev, da TypeSafe, que faz o mesmo trabalho de um LLM maior e custa bem menos. Quando ele erra, o criador corrige o tipo. Com o tipo definido, entra o modelo que escreve os três rascunhos.
Cada criador decide o que fazer com cada tipo. O meu personagem responde até bullying, para ensinar. Uma celebridade talvez prefira esconder. Emoji pode virar resposta com emoji, sem gastar rascunho. O Instagram é do criador, então a central só segue a regra que ele escolheu.
Separar o jeito de falar dos fatos. Foi o que mais apanhei. O guia de voz guarda o como, o tom e o jeito de responder. O conhecimento guarda o quê, os fatos do personagem. Quando os dois se misturavam, o assunto de uma resposta antiga virava regra de voz e aparecia onde não devia.
Aprender a voz sem voltar demais no tempo. Para montar o guia de voz, a ideia é ler as respostas que o criador já deu. Mas resposta de muitos anos atrás pode ser pior que uma voz neutra, então tem um limite, e a central avisa até onde voltou e quantos exemplos achou.
Não deixar a IA inventar. Perguntaram a idade do personagem. A idade não estava registrada em lugar nenhum, e a IA respondeu que ele não tinha idade. Hoje, quando falta uma informação, o rascunho deixa o espaço em branco para eu completar.
Conhecer as pessoas sem bisbilhotar. Cidade, bairro, país, nada disso vem de IP ou de adivinhação. Só entra o que a própria pessoa contou nas mensagens. A força da relação aparece em porcentagem, e a central mostra quem mais comenta e menciona você.
Virou produto
Mostrei para amigos criadores com bem mais seguidores, e a resposta foi parecida, isso podia ser um produto. Alguns deles me ajudam a pensar nisso em escala. Se com 2 mil eu já não dava conta, imagina com 100 mil ou milhões.
Assim o hobby virou o Postato. Ele junta comentários e DMs em uma caixa só, separados por post, e sugere respostas no jeito de falar de cada criador. Quando falta uma informação, ele não inventa. Deixa o espaço para você completar e pode guardar o que você escreveu para as próximas. Se você responde "vou postar sexta", ele anota a promessa no perfil de quem pediu. Cada pessoa tem seu histórico e a força da relação com você.
Tem também o "comenta EU QUERO que eu te mando o link", que pode pedir para a pessoa te seguir antes de enviar o link. Moderação do seu jeito, resposta automática só se você ligar, e equipe e agência cuidando de vários perfis com o mesmo guia de voz em todas as redes.
Estamos testando no Instagram. O TikTok aguarda liberação e a integração com o YouTube já começou.
Era para ser um hobby. Voltou a ser tecnologia. Agora, o que mais importa são as pessoas.
Dúvida para quem cria ou cuida das redes de alguém. Quando as conversas crescem, o que pesa mais? Responder todo mundo, lembrar quem é quem, manter o seu tom... ou algo que eu ainda não enxerguei?
Lista de espera em postato.com.br