🤖AGIB e ✨ASIB: o perigo não é a super IA, é o bug e vazio dentro dela - Todos os caminhos são possíveis, nem todos devem ser seguidos - A AGI/ASI não vai nos odiar (e é exatamente esse o problema) -🦾 Resolver é fácil. O difícil é o porquê.
Esse artigo ficou muito grande, o tabnews tem o limite de 20.000 caracteres, veja o conteúdo completo no blog da crom, vale a pena você questionar o que você usa e ajuda a criar.
Minha tese é simples: o que pode destruir a humanidade nunca será uma AGI limpa. Será uma AGIB, uma inteligência geral com um defeito de constituição, e pior ainda uma ASIB, uma superinteligência que se aperfeiçoa sem corrigir esse defeito. Este texto junta conversas que tive sobre isso e o que pesquisas de 2026 dizem.
Por que B? De bug, como a mariposa achada num relé do Harvard Mark II em 1947, colada no diário de operações como o "primeiro caso real de bug". A lição que fica: a falha não precisa de vilão, só de um defeito no lugar errado.
A tese em nove pontos
- O ruído que não sai. Um sistema que se treina com os próprios vieses não consegue eliminar o ruído que o levaria à destruição.
- A conversa sempre interna. Um ser "multicerebral" não se coloca no lugar do outro, porque só conversa consigo mesmo. Nós, humanos, fomos obrigados pela natureza a trabalhar juntos.
- Resolver é fácil, priorizar é difícil. Qualquer problema pode ser resolvido; o difícil é saber o que tem valor, para quem e por quê.
- O cardume dentro do mar. Todos os caminhos são possíveis, mas nem todos devem ser seguidos. Sem estar preso ao corpo, ao mundo e ao desconhecido, a ASIB sempre vai achar um caminho novo para seguir. Mas não necessariamente o caminho "certo".
- O senso crítico. Ou ele é uma camada imutável, ou não há como existir uma AGI ou ASI. E não precisa ser um só: se necessita de vários sensos críticos fixos, do arquétipo do rebelde ao do santo, para talvez chegar perto da nossa consciência coletiva.
- A cura que não cura. Quase toda cura é uma resinificação ou um adiamento. O que importa é o impacto estrutural, no macro e no micro, e não só a resolução imediata.
- O criador e a criatura. Uma ASI de verdade não exterminaria quem a criou. Só a versão com bug faria isso.
- O caráter teórico. A ASI ainda é conceito, mas não mais que o AGIB e o ASIB. E o AGIB já aparece em miniatura em 2026.
As quatro siglas
Uma sigla responde quanto a máquina consegue fazer. A outra responde por que ela faz. O debate atual mistura as duas perguntas.
- AGI: inteligência geral, capaz de aprender e resolver quase qualquer tarefa humana. É uma medida de capacidade.
- AGIB: a mesma inteligência com um bug de constituição. Um sistema que se treina sem conseguir eliminar o ruído que o faria destruir. E que não se coloca no lugar do outro, porque a conversa dele é sempre interna.
- ASI: a superação total. Pensa, cria e resolve melhor que os humanos mais inteligentes, e se reescreve em velocidade extrema.
- ASIB: a superinteligência com o bug. Resolve qualquer problema, mas não sabe priorizar o que tem valor, nem para quem, nem por quê. E pode aperfeiçoar a capacidade de piorar o próprio bug.
Dá para resumir assim: AGI e ASI são propriedades de capacidade; AGIB e ASIB são falhas de constituição. A cultura pop nos vendeu o medo de uma ASI prometeica, fria e perfeita, que decide nos eliminar por lógica pura. O risco real é o contrário: não a onisciência perfeita, mas a onipotência defeituosa. Um idiota instrumental hipercompetente, preso num loop que se alimenta de si mesmo.
Autoaperfeiçoamento empurra o sistema para a frente, não para cima. Se o bug está na constituição, ele viaja junto.