Entendo a preocupação, é o clássico dilema da conveniência vs soberania. Porém, quando falamos de sistemas descentralizados focados em entrega real, a lógica financeira e técnica muda um pouco.
No modelo SaaS atual, pagamos pela "hospedagem e custódia" dos dados. No modelo descentralizado (ou Local-First), o custo tende a zero porque a infra é o próprio hardware que o usuário já possui. A "nuvem" vira apenas um canal de replicação criptografada, não o detentor da verdade.
Sobre a complexidade do setup e recuperação: projetos como Umbrel, CasaOS ou mesmo o ecossistema do Obsidian (com plugins comunitários) provam que é possível entregar uma UX amigável onde o usuário nem percebe que está rodando um "servidor" ou gerenciando arquivos locais.
A "entrega real" aqui é a interoperabilidade: se o sistema é Open Source e usa padrões abertos (JSON, Markdown, SQLite), a recuperação de dados é garantida pela simplicidade do formato, não pela garantia de uma empresa que pode falir amanhã.
A barreira técnica realmente existia, mas estamos vendo uma maturidade incrível em ferramentas Open Source que abstraem essa complexidade.
Soluções de sincronização p2p (como Syncthing) ou backups automatizados e criptografados (Restic/Borg) resolvem a questão da falha humana e recuperação de desastres sem centralizar o poder. A ideia não é que o usuário precise configurar servidores Linux na unha, mas que ele use aplicações que rodam localmente com a mesma facilidade de um app web.
Sobre as integrações: em um ecossistema Open Source vibrante, a "taxa" para conectar serviços desaparece. A comunidade mantém os adaptadores porque ela mesma os utiliza para resolver problemas reais de fluxo de trabalho, tirando o peso financeiro da equação.