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Tabaco é milenar. A responsabilidade n tá apenas sobre a indústria por viciar as pessoas. É uma substância prazerosa, e humanos naturalmente buscam minimizar a dor e maximizar o prazer. O cigarro cumpre essa função, ainda que de forma ilusória, e até certo ponto nem tão ilusória assim.

A indústria certamente tem culpa por promover algo sabidamente danoso, mas assim como as apostas online (Q detesto profundamente) as pessoas ainda decidem fumar e apostar. A escolha existe e n da pra ignorar.

Dito isso, detesto cigarro. Fede, faz mal, deteriora o fôlego, provoca enfisema pulmonar e uma série de outras consequências progressivas. Mas se deixarmos de responsabilizar as pessoas pelas próprias escolhas e transferirmos toda a culpa pra um grupo poderoso que manipula tudo e tdos, o resultado será gente menos capaz, e paradoxalmente mais controlável pelos próprios grupos poderosos. "De que adianta resistir", "não é minha culpa", "fiz o que pude mas foi mais forte que eu".

E a própria estrutura da realidade impõe custos: fumantes têm a saúde progressivamente destruída, apostadores perdem o sustento.

N existe essa dicotomia entre um conhecimento ser mais verdadeiro por ser moral ou científico. Ciência é um método de investigação sistemática da realidade. Cada área tem o seu método, adequado ao seu contexto, com suas ferramentas, seus objetos de estudo, seus paradigmas e axiomas, produzindo conclusões tão sólidas quanto a capacidade que têm de resistir a revisões e novas abordagens.

Invocar a ciência como sinônimo de verdade absoluta ignora a natureza questionadora da área e a própria noção de que toda conclusão científica é uma verdade provisória, válida enquanto as evidências a sustentarem.

Dito isso, concordo que "nativos digitais" é mais marketing do que substância. É descritivo mais do ponto de vista semantico, mas n torna os jovens mais inteligentes.

Com frequência os torna menos capazes, porque cresceram com menos tolerância à coisas naturais como tédio (nunca subestimo o tédio).É justamente na fricção e esforço bem direcionado que a competência se forma. Quem nunca precisou resolver um problema sem atalho simplesmente não desenvolveu certos músculos.

Nunca avalio a inteligência de alguém pelo repertório de informações que acumulou sobre coisa x ou y, mas pela capacidade de encontrar saídas em circunstâncias desfavoráveis e desafiadoras. Eu simplesmente tive a sorte de amar estudar, de aprender rápido e de memorizar com facilidade. Mas isso não me faz inteligente, apenas um acúmulador de conhecimento, e boa parte desse conhecimento é inútil kkkkk.

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Agradeço muito pelo comentário. Discussões ricas assim são essenciais para o progresso coletivo. É gratificante ver pessoas dispostas a doar seu tempo para qualificar o debate. Sua visão somou muito ao tópico!