CERN utiliza modelos de IA ultracompactos para filtrar dados do Large Hadron Collider em tempo real
O CERN, principal centro mundial de pesquisa em física de partículas, está adotando modelos de IA extremamente compactos, gravados diretamente em chips, para filtrar em tempo real o enorme volume de dados gerado pelo Large Hadron Collider (LHC), o maior e mais poderoso acelerador de partículas do mundo.
O LHC produz cerca de 40.000 exabytes de dados por ano e pode alcançar taxas de centenas de terabytes por segundo, tornando inviável armazenar ou processar integralmente esse volume. Para lidar com esse desafio e determinar quais eventos devem ser preservados, o CERN passou a substituir modelos tradicionais de IA executados em GPUs ou TPUs por versões menores e mais eficientes, embarcadas diretamente em chips especializados.
Esses chips operam com latência extremamente baixa e são integrados aos próprios detectores, onde os prótons colidem a cada 25 nanossegundos dentro do anel de 27 quilômetros do acelerador. A tecnologia consegue analisar os dados em menos de 50 nanossegundos e selecionar, em tempo real, os eventos mais relevantes para estudo.
Com essa abordagem, os pesquisadores conseguem filtrar cerca de 1 petabyte de dados por dia que efetivamente justificam armazenamento e análise. Na prática, apenas aproximadamente 0,02% das colisões são preservadas.