Pesquisadores identificam substâncias químicas prejudiciais em mais de 80 modelos de fones de ouvido
Um estudo financiado pela União Europeia identificou traços de substâncias químicas que podem interferir no sistema hormonal em todos os 81 modelos de fones de ouvido analisados. A pesquisa encontrou principalmente bisfenóis, ftalatos e retardantes de chama, compostos associados a problemas reprodutivos, alterações neurocomportamentais e outros possíveis riscos à saúde.
Como consequência, varejistas europeus retiraram alguns modelos de fones de ouvido de circulação, embora não tenham informado exatamente quais produtos foram removidos. O estudo avaliou 180 amostras de plástico rígido e macio coletadas de fones de ouvido de mais de 50 marcas, incluindo Apple, Beats, Samsung e JBL.
Entre os modelos com avaliação positiva estão os AirPods Pro 2, da Apple, e o JBL Tune 720BT. Já alguns produtos receberam classificação de alto risco, incluindo o HyperX Cloud III, da HP, e o Razer Kraken V3. O tipo de bisfenol mais conhecido, o BPA, foi encontrado em 98% das amostras, enquanto cerca de 60% continham ftalatos considerados potencialmente carcinogênicos ou tóxicos para a reprodução.
Apesar disso, os pesquisadores afirmam que as concentrações detectadas são muito pequenas e não representam perigo imediato para quem utiliza os fones. Especialistas destacam que o principal problema está na exposição cumulativa a esses compostos presentes em diversos produtos do cotidiano, e não apenas nos fones de ouvido.
O estudo também aponta que fatores como calor e suor, comuns durante exercícios ou uso prolongado, podem aumentar a liberação dessas substâncias. Ainda assim, os pesquisadores ressaltam que mais de 40% dos fones analisados receberam avaliações positivas, indicando que é possível desenvolver modelos com menor risco químico.