Não é fake news. Ninguém disse que a lei explicitamente bloqueia o Linux, esse não é o problema. A lei diz:
Art. 9º Os fornecedores de produtos ou serviços de tecnologia da informação que disponibilizarem conteúdo, produto ou serviço cuja oferta ou acesso seja impróprio, inadequado ou proibido para menores de 18 (dezoito) anos de idade deverão adotar medidas eficazes para impedir o seu acesso por crianças e adolescentes no âmbito de seus serviços e produtos.
§ 1º Para dar efetividade ao disposto no caput, deverão ser adotados mecanismos confiáveis de verificação de idade a cada acesso do usuário ao conteúdo, produto ou serviço de que trata o caput deste artigo, vedada a autodeclaração.
§ 2º Para os fins desta Lei, consideram-se impróprios ou inadequados para crianças e adolescentes os produtos, serviços ou conteúdos de tecnologia da informação que contenham material pornográfico, ou quaisquer outros vedados pela legislação vigente.
§ 3º Os provedores de aplicações de internet que disponibilizarem conteúdo pornográfico deverão impedir a criação de contas ou de perfis por crianças e adolescentes no âmbito de seus serviços.
Acontece que toda distribuição Linux feita para usuário final cai como "provedor de aplicações" e "fornecedor de produtos", uma vez que toda distribuição Linux tem loja de aplicativos e repositório de softwares.
Ou seja, sim, eventualmente algum maluco do governo vai voltar os olhos pro Linux quando perceber isso. Talvez demore alguns meses, mas vai acontecer.
E quando acontecer, vamos ter um problema: A grande maioria das distribuições vão se recusar a fazer a verificação de idade devido a própria cultura envolta dessas distribuições. Ubuntu possivelmente será a única exceção.
E tem outro problema:
Art. 40. Os fornecedores dos produtos ou serviços de que trata o art. 1º desta Lei deverão manter representante legal no País com poderes para receber citações, intimações ou notificações, entre outros, em quaisquer ações judiciais e procedimentos administrativos, bem como responder perante órgãos e autoridades do Poder Executivo, do Poder Judiciário e do Ministério Público e assumir, em nome da empresa estrangeira, suas responsabilidades perante os órgãos e as entidades da administração pública.
Ubuntu é provavelmente a única exceção que não terá problemas com isso.
Podem deixar as distros em paz? Podem, não é impossível. Mas é improvável.
É, não vão impedir o seu João de instalar Linux no servidor dele. Mas ninguém nunca disse que isso ia acontecer. Esse não é o ponto.