Ainda sem câmera de CFTV? Sete substitutas que você provavelmente já tem
As câmeras são os olhos de um sistema de videomonitoramento, então montar um costuma começar pela decisão de quais câmeras usar. Câmeras IP dedicadas são, sem dúvida, a escolha recomendada para um VMS moderno, mas comprá-las nem sempre é o primeiro passo certo — talvez você queira avaliar um VMS antes de se comprometer, precise de algo funcionando hoje, a instalação seja temporária ou o orçamento ainda não esteja disponível. A boa notícia: existem várias substitutas capazes de imitar o stream de uma câmera e ocupar o lugar de uma câmera de CFTV. Aqui estão sete que você provavelmente já tem ou consegue facilmente.
1. A webcam de um notebook ou monitor
(Não confundir com a câmera de uma smart TV — veja o ponto 3 abaixo.)
As webcams embutidas em notebooks e monitores são dispositivos UVC/USB com os quais um VMS moderno consegue trabalhar. Como ficam presas à máquina em que estão, são usadas mais naturalmente por um VMS rodando nessa mesma máquina.
- Processamento na mesma máquina. Em muitos VMS isso não exige nenhum passo extra: ao abrir o software ou iniciar a adição de uma câmera, você vê uma lista de dispositivos disponíveis — basta escolher a webcam embutida e seguir com o restante da configuração ou dos testes.
- Processamento em outra máquina. Se o seu VMS aceita apenas câmeras IP, ou se você precisa que a webcam seja processada em outro computador, é preciso republicar o stream dela pela rede — ou seja, emular uma câmera de rede a partir da USB. Várias ferramentas fazem isso. No Xeoma, por exemplo, você adiciona a webcam e anexa um módulo "RTSP Broadcasting" (que gera um stream RTSP) ou um módulo "HTTP Sending to another Xeoma" (que gera um stream HTTP) que um VMS em outra máquina pode captar.
Se você quiser um passo a passo da parte de restreaming, diga nos comentários e a gente escreve.
2. A câmera de um smartphone
O celular é a câmera reserva mais acessível que existe — basta um app de CFTV para colocá-lo para funcionar. De modo geral, os aplicativos de monitoramento vêm em três tipos, e o que você faz para "usar o celular como câmera" depende de qual deles você escolhe.
- Aplicativos de câmera para a nuvem. Um tipo comum, que precisa apenas do seu celular e de um pouco de dinheiro. Instale o app, crie uma conta no serviço, aponte o celular para o que quer capturar, e o serviço cuida da análise, da gravação e dos alertas. O trabalho tem que acontecer em algum lugar, e aqui esse lugar é a nuvem do fornecedor. Passos: instale o app no celular que vai funcionar como câmera e cadastre-se; instale o mesmo app (ou abra o painel web) no dispositivo de onde você vai assistir, com a mesma conta; posicione o celular; depois abra a transmissão ao vivo e ative os alertas que quiser.
- Aplicativos de processamento local (no próprio dispositivo). O unicórnio dos três — aplicativos raros que fazem o que um software de CFTV de desktop faz, mas no próprio celular. O aparelho grava e processa localmente, sem conta nem nuvem; no Android isso pode rodar praticamente de forma autônoma (standalone), e as imagens ficam no dispositivo ou na sua rede. É incomum porque, na maioria das vezes, os apps se encaixam no tipo 1 ou no tipo 3. Os passos são simples: instale um app desse tipo, abra-o, deixe que ele reconheça a câmera do celular como fonte de vídeo e depois configure o que mais precisar.
- Clientes de um VMS de desktop. A maioria dos grandes sistemas de monitoramento oferece um aplicativo complementar gratuito cuja função é visualizar e controlar as câmeras gerenciadas pelo servidor principal — algo válido para praticamente todo VMS popular, da Milestone à Avigilon. O app é simples e os passos também: instale e abra o app, conecte-se ao servidor principal escaneando um QR code ou inserindo credenciais, e visualize as câmeras. Repare que a câmera do próprio celular não participa em nada aqui, então você usaria uma das outras substitutas no lado do servidor.
3. A câmera de uma smart TV
Muitas smart TVs com Android TV têm uma câmera embutida e podem rodar os mesmos tipos de app vistos na seção do smartphone. Você tem três caminhos:
- criar uma conta em um serviço de CFTV de algum fornecedor que aceite a câmera de um celular ou de uma TV; ou
- obter um app de CFTV feito para rodar de forma autônoma em uma Android TV; ou
- obter um app cliente que não usa a câmera da TV, e sim visualiza as câmeras do servidor principal.
Por exemplo, para o primeiro caminho: assine o serviço do fornecedor, depois use o controle remoto para abrir a loja de apps na TV e digite o nome do aplicativo (ou dite por voz, se o seu controle permitir). Abra a página do app, instale-o, abra-o e siga as instruções para vinculá-lo à sua conta.
4. Câmeras públicas
Pelo mundo todo há câmeras de rede que seus donos publicaram ou cujo acesso liberaram — muitas vezes para mostrar o clima, vistas da cidade ou o trânsito. Você pode pegar algumas dessas URLs e adicioná-las ao seu VMS como fonte de vídeo. Veja como obter a URL de uma câmera em dois grandes portais de câmeras ao vivo do mundo todo.
a) Opentopia
- Pesquise por Opentopia e abra o site.
- Escolha uma câmera e selecione "Live Feed" na lista suspensa "Viewing Mode".
- Clique com o botão direito na imagem da câmera e selecione "Copiar endereço da imagem" para copiar a URL.
- Adicione essa URL ao seu VMS como câmera IP, se ele permitir a inserção direta de URLs.
b) Insecam
- Pesquise por Insecam e abra o site.
- Escolha uma câmera e clique com o botão direito na imagem.
- Selecione "Inspecionar" para abrir a visualização de elementos do navegador.
- Copie a URL do campo
id/fonte do elemento de imagem.
Aviso: como o nome sugere, o próprio Insecam afirma que lista câmeras acessíveis apenas porque foram deixadas com as credenciais padrão — ou seja, hackeadas, e não tornadas públicas. Se for esse o caso, acessá-las é um problema ético e legal, então é melhor ficar com os feeds que o operador publicou de propósito.
5. Uma câmera fotográfica ou action cam
Uma câmera fotográfica comum, um corpo mirrorless ou uma action cam podem servir como fonte de vídeo de alta qualidade para o seu sistema. Conecte-a ao computador onde o VMS vai rodar e, a partir daí, ela se comporta como a câmera USB da seção 1. Câmeras profissionais costumam permitir escolher entre conexão USB e HDMI. Veja um exemplo baseado nas instruções da Fujifilm:
- USB. Você vai precisar do software do fabricante ou de uma ferramenta de terceiros, como Ecamm Live ou SparkoCam. Conecte a câmera ao computador com um cabo USB, ligue-a e selecione o modo de gravação de vídeo. Depois disso, ela deve aparecer no seu sistema — e no seu VMS — como uma câmera USB.
- HDMI (com um dispositivo de captura). Consiga uma placa de captura de vídeo e conecte a câmera a ela via HDMI tipo D ou micro-HDMI. Ligue a câmera e selecione o modo de gravação de vídeo; depois disso, ela deve aparecer no seu sistema e no VMS como uma câmera USB.
6. Um arquivo de vídeo
Repetir um clipe gravado em loop é a forma mais limpa de obter uma entrada reproduzível — ideal para testar detectores e análises. Um vídeo também pode recriar situações como incêndio, uma queda ou alguém usando (ou não) EPI em minutos, sem precisar reposicionar uma câmera e esperar esses eventos acontecerem na vida real. Veja como alimentar o seu sistema com vídeo no lugar de uma câmera ao vivo.
- Com o VLC. Use Mídia → Transmitir, adicione o arquivo, escolha uma saída RTSP e um caminho de stream, faça o transcode para H.264 se necessário e inicie a transmissão. Depois adicione a URL resultante
rtsp://<ip>:<porta>/<caminho>ao seu VMS e ative a repetição para um loop contínuo. - Dentro de um VMS. Alguns permitem adicionar um arquivo diretamente e depois republicá-lo como stream de rede, exatamente como no método 1. No Xeoma, por exemplo, os arquivos de vídeo são aceitos no formato MJPEG, então clipes em outros formatos precisam ser transcodificados antes.
Se você quiser o comando exato do ffmpeg para converter um arquivo para MJPEG, peça nos comentários e a gente posta.
7. Captura de tela
Quando não dá para obter o vídeo como arquivo de jeito nenhum — digamos que ele só rode dentro de um navegador ou de um cliente proprietário — a saída é capturar a tela. Reproduza o vídeo em qualquer player, ou direto do YouTube, e faça o VMS tratar aquela região da tela como uma câmera. Nem todo VMS permite uma fonte de captura de tela, mas alguns permitem (o Xeoma entre eles): você seleciona "captura de tela" como fonte de vídeo e aponta para a janela em questão. A partir daí, você pode novamente retransmiti-la como um feed de rede ou processá-la dentro do próprio VMS.
Conclusão
Uma câmera de rede (IP) de verdade é, claro, a melhor escolha para qualquer VMS — são baratas, simples e feitas exatamente para esse fim. Muitos sistemas também ainda suportam câmeras analógicas por meio de uma placa de captura ou de um encoder, o que é, possivelmente, uma opção mais sensata do que qualquer uma dessas substitutas. Mas, quando você está avaliando um software, cobrindo uma necessidade urgente ou temporária, ou testando análises em imagens reproduzíveis, as sete fontes acima são mais do que suficientes para colocar um sistema de verdade no ar antes de investir em equipamento de câmera permanente.