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Estudei Engenharia de Sistemas no Japão: O que a Universidade de Wakayama me ensinou sobre a base da tecnologia

Olá, pessoal do TabNews.

Me chamo Yan e sou estudante do 6º ano de Engenharia de Computação na UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados). Em janeiro deste ano, retornei ao Brasil após um período de intercâmbio no departamento de Engenharia de Sistemas da Universidade de Wakayama, no Japão.

Essa experiência de vivenciar dois mundos acadêmicos e tecnológicos tão distintos me trouxe reflexões profundas. Hoje, quero compartilhar com vocês as principais diferenças que observei entre a educação de engenharia no Brasil e no Japão, e o que podemos aprender com o estilo japonês.

1. A Cultura do "Kenkyushitsu" (Laboratório de Pesquisa)

No Brasil, é comum termos matérias até o final do curso e, paralelamente, fazermos um TCC ou uma Iniciação Científica. No Japão, o sistema é diferente.

Lá, existe a cultura do Kenkyushitsu (研究室). Nos últimos anos da graduação, o aluno é "adotado" por um laboratório e passa a viver aquele ambiente. Você ganha sua própria mesa no laboratório e sua rotina passa a ser quase inteiramente dedicada à pesquisa, lado a lado com mestrandos e doutorandos. Essa imersão cria um foco absurdo e um senso de comunidade e responsabilidade com o projeto muito forte. Foi nesse ambiente, por exemplo, que pude me aprofundar no conceito de "Natureza Digital" (Digital Nature), que hoje é o tema do meu TCC no Brasil.

2. O Foco Extremo na Base e no Hardware

No Brasil, vejo muitos estudantes (eu incluso, em vários momentos) com pressa para aprender o framework do momento para entrar logo no mercado de trabalho.

No Japão, a abordagem é muito mais voltada para a fundação. Mesmo em cursos focados em software, há uma carga pesadíssima em eletrônica, arquitetura de computadores, linguagens de baixo nível e matemática. A filosofia é: se você entende perfeitamente como o hardware se comporta (do Arduino aos processadores complexos), você consegue aprender qualquer framework de software rapidamente e com muito mais qualidade.

3. "Monozukuri": A Arte de Fazer Bem Feito

Existe um termo japonês chamado Monozukuri (ものづくり), que pode ser traduzido como a "arte de fabricar coisas". Isso se reflete diretamente no código e nos projetos.

Enquanto no Brasil temos o famoso "jogo de cintura" para resolver problemas rápidos (o que é uma grande qualidade nossa), no Japão o foco está no processo, na documentação minuciosa e em testes exaustivos antes de qualquer implementação. A tolerância a falhas na etapa de planejamento é baixíssima. É um processo mais lento no início, mas que gera sistemas extremamente robustos no longo prazo.

Conclusão: Unindo o Melhor dos Dois Mundos

Acredito que o engenheiro de computação brasileiro tem uma criatividade e uma capacidade de adaptação que são raras no mundo. No entanto, se conseguirmos aliar essa nossa agilidade com o rigor técnico, o foco na base e o respeito ao processo que os japoneses têm, nos tornaremos profissionais imbatíveis.

Gostaria de saber de vocês: como enxergam a nossa formação aqui no Brasil em relação a esses pontos? Alguém aqui já teve experiências trabalhando com equipes japonesas ou asiáticas?

Vou adorar ler os comentários e trocar ideias com vocês!

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