Pitch: Smart Claude Gif, Exibir modelo usado na telinha embutida no note da positivo. Engenharia reversa e Claude. Haiku e Sonnet obtendo resultado do Fable
Meu notebook Positivo Vision R15M possui uma segunda tela embutida no chassi: 240×240 píxeis, posicionada ao lado do botão de liga/desliga. De fábrica, ela exibe apenas notificações do WhatsApp e informações do clima, por meio de um aplicativo proprietário que funciona no Windows e no Debian, mas não no meu Fedora.
Decidi transformá-la em algo mais pessoal: agora ela mostra o mascote do Claude, que muda conforme o modelo em uso. Opus aparece como um gênio com coroa, Sonnet ganha um livro e uma xícara de café, Fable se envolve em chamas e Haiku mantém sua leveza característica.
Quando o consumo de tokens aumenta, o personagem reage: acima de 70% ele toma chuva, e acima de 90% vira um pequeno fantasma. Uma tecla física dedicada permite alternar entre eles. O caminho para chegar até aqui foi pura engenharia reversa, do início ao fim. O maior desafio não esteve no código, mas em decifrar as regras de um sistema fechado e completamente indocumentado. Precisei decompilar o aplicativo oficial para entender o protocolo serial. Descobri que o firmware trabalha com páginas pré-compiladas, o que impede simplesmente “desenhar” na tela. O compilador que gera esses pacotes é um executável chinês, que só roda via Wine.
Encontrei um projeto de terceiros que mapeava parte do protocolo, mas estava quebrado. Corrigi o que pude e segui em frente. Cada hipótese testada tinha um custo alto: uma sequência errada deixou o MCU em silêncio por dias, e a única forma de recuperação foi um reset completo via protocolo USB.
A grande descoberta veio de uma pergunta simples e insistente: onde mora a animação? A resposta estava no firmware, não no arquivo enviado. O arquivo só entrega os píxeis. Bastou substituir o GIF original por outro com o mesmo número de frames. Também cheguei ao limite do hardware: existem apenas três páginas animadas disponíveis. Criar cinco seria impossível sem refazer o firmware.
Documentei todos os becos sem saída para que ninguém precise repetir a mesma escavação. O que mais me fascina, porém, foi a forma como conduzi o processo com o Claude Code. Trabalhei sempre com um plano validado antes de escrever qualquer linha, usando agentes especializados para investigar, mapear dependências e revisar cada etapa. Segui uma regra rígida: comprova cada hipótese com evidências antes de implementá-la.
O ganho real não veio de exigir mais do modelo, mas da estrutura construída ao seu redor: habilidades bem definidas, portões de validação e testes que verificam o comportamento real, em vez de apenas confirmar suposições.
É por isso que acredito que um modelo mais leve, quando acompanhado de um bom andaime de processos, agentes e validações, consegue resultados próximos aos de um modelo de ponta, a uma fração do custo. Com Haiku e Sonnet bem orquestrados, é possível chegar muito perto do que se obtém com Fable, gastando bem menos. A inteligência está tanto no processo quanto no modelo.