Refiz meu app React Native em SwiftUI usando IA — e isso mudou o que eu penso sobre o futuro da engenharia de software
Refiz meu app React Native em SwiftUI usando IA — e isso mudou o que eu penso sobre o futuro da engenharia de software
Eu trabalho com React Native. Tinha um app pessoal em produção, funcionando. Mas resolvi testar uma coisa: pedir pra IA reescrever em SwiftUI.
Saiu em dias. E o resultado me pegou desprevenido.
Widgets na home do iPhone. Atalhos da Siri. Animações que respeitam a física do sistema. Tudo que em React Native seria um workaround ou simplesmente não existe (widgets, por exemplo, não tem solução oficial). Em SwiftUI, com a IA gerando código, foi direto.
Eu não aprendi Swift do zero. A IA me deixou pular a abstração.
E isso me fez pensar: se eu consegui furar a camada do React Native e ir direto pro nativo, o que mais a IA vai tornar desnecessário?
O padrão que eu vejo:
Linguagem de programação é abstração sobre Assembly. Framework é abstração sobre linguagem. ORM sobre SQL. No-code sobre código. N8N sobre automação. Cada camada troca controle por velocidade.
Mas a IA não é mais uma camada em cima da pilha. Ela fura as camadas. Você descreve o que quer, ela gera o resultado. Sem framework, sem canvas, sem drag-and-drop.
Tem um cara no YouTube que usava N8N pra tudo e parou. A conclusão dele: com Claude Code, é mais rápido escrever o código direto do que montar um fluxo visual. O N8N não ficou ruim — a abstração que ele oferece ficou redundante.
A pergunta que me importa:
Se qualquer pessoa consegue gerar um app, um site, um sistema com IA — o que separa um engenheiro de software de alguém que só deu um prompt?
Minha resposta: não é o código. Código vai ser commodity.
O diferencial é tudo ao redor:
- UI/UX que o usuário sente que é bem feita
- Arquitetura que escala e se mantém
- Performance real (200ms vs travando no scroll)
- Design que respeita a plataforma
- Distribuição — como o produto chega nas pessoas
Isso sempre importou. Mas quando a oferta de software explode porque ficou fácil criar, qualidade percebida vira o filtro. E quem entende o que faz software ser bom — não só funcionar — vai ter mais trabalho, não menos.
Escrevi uma versão mais completa dessa reflexão no meu blog: billy.dev.br/pt/blog/se-todo-mundo-consegue-codar-o-que-diferencia-um-engenheiro-de-software
Queria ouvir de vocês: pra quem tá no mercado, o que acham que vai ser o diferencial daqui pra frente?