Pitch: O simulador de imposto de renda que todo CLT deveria conhecer - Dome o Leão
Se você é CLT e declara no modelo completo, provavelmente já ouviu que "vale a pena aplicar em PGBL".
- Mas vale quanto?
- Comparado com quê?
- E o que acontece com esse dinheiro lá na frente, quando você resgatar?
Eu queria responder isso com números. Fui procurar um simulador que fizesse essa conta e não achei. Todos param no básico, o cálculo do imposto. Nenhum mostra o que acontece depois — no resgate, com impostos, comparado com outros investimentos, ao longo de 10, 20, 30 anos.
Então eu construí um.
O problema concreto
Vou usar um exemplo com R$ 12.000/mês de salário bruto.
O teto dedutível do PGBL é 12% da renda bruta tributável. Nesse caso, R$ 17.280/ano. Quando você coloca esse valor no PGBL, paga menos imposto agora — mas no resgate, o IR incide sobre o valor total (não só sobre os ganhos, como em outros investimentos).
A pergunta que ninguém responde: será que essa economia de imposto agora compensa a tributação maior lá na frente? E se eu colocasse só o mínimo no PGBL e investisse o resto na Selic, que paga IR só sobre os ganhos?
O que o simulador faz
O Dome o Leão calcula o imposto de renda 2026 com as regras oficiais (Lei 15.270/2025, incluindo o novo Redutor de Imposto) e depois vai além:
1. Encontra o aporte mínimo de PGBL que compensa. Não é zero e não é o teto. Existe um ponto de equilíbrio onde o benefício fiscal cobre exatamente o custo da tributação no resgate. O simulador calcula esse ponto.
Traduzindo: ao invés de pagar para o leão (IRPF), você aplica o dinheiro, obtém o desconto, e pode resgatar ele no futuro.
2. Compara dois cenários de longo prazo, descontando todos os impostos:
- Cenário A: Colocar o teto no PGBL
- Cenário B: Colocar o mínimo no PGBL e investir a diferença em outro lugar (Selic, CDB, LCI, FIIs ou Ações — você escolhe)
O comparativo projeta ano a ano, aplicando a tabela regressiva do PGBL (que cai de 35% para 10% ao longo de 10 anos) e o IR do investimento alternativo.
3. Simula a aposentadoria. Dado o aporte mensal, projeta quanto você acumula e quanto pode retirar por mês. O diferencial é mostrar o poder de compra real — ajustado pela inflação.
Os números que me surpreenderam
Com R$ 12.000/mês de salário, tabela regressiva, 30 anos de horizonte:
| Cenário | Patrimônio líquido |
|---|---|
| PGBL no teto | R$ 4.916.858 |
| Mínimo PGBL + Selic (média de 10 anos) | R$ 3.531.256 |
| Diferença | +R$ 1.385.601 |
R$ 1,38 milhão de diferença. Mas essa vantagem só aparece no longo prazo. Em 5 anos, o cenário misto com Selic ganha. O ponto de virada acontece por volta do ano 8-10, quando a alíquota regressiva do PGBL chega em 10%.
Outro número que chama atenção: no simulador de aposentadoria, com R$ 1.440/mês de aporte dos 25 aos 65 anos, o resultado mostra R$ 112 mil/mês de retirada bruta no futuro.
Parece muito, né ? Mas deflacionado pela inflação (4,5% a.a. por 40 anos), o poder de compra real é R$ 17 mil/mês em valores de hoje. A inflação come 85% do número nominal. convenhamos, ainda é muito dinheiro!
Como funciona por dentro
A lógica fiscal e financeira fica isolada em 3 arquivos TypeScript puros (~1.300 linhas), sem dependência de React:
calculo.ts— Tabela progressiva IRPF, INSS (4 faixas, CLT e Servidor), deduções, Redutor de Impostoinvestimento.ts— Projeções de longo prazo, IR no resgate, benefício fiscal reinvestidoaposentadoria.ts— Acumulação (valor futuro), retirada (anuidade), deflação por inflação
Os componentes React só consomem essas funções. Isso permitiu escrever 374 testes automatizados que validam cada faixa do INSS, cada alíquota do IR, a tabela regressiva inteira do PGBL e as fórmulas financeiras — sem renderizar nada.
calculo.ts → 195 testes
investimento.ts → 100 testes
aposentadoria.ts → 79 testes
E2E (Playwright) → 29 testes
As fórmulas financeiras principais:
Acumulação: FV = PV × (1+r)^n + PMT × ((1+r)^n - 1) / r
Retirada: PMT = PV × r / (1 - (1+r)^-n)
Taxa real: (1 + nominal) / (1 + inflação) - 1
Stack: Next.js 16, React 19, TypeScript, Recharts, Vitest, Playwright. Zero backend — tudo roda no browser do usuário, nenhum dado é coletado ou enviado pra lugar nenhum.
Por que open source
Simuladores de IRPF geralmente são ferramentas de bancos e corretoras. O interesse deles é te vender PGBL, não te mostrar quando ele não compensa.
Este aqui não tem interesse comercial. O código das fórmulas está aberto pra qualquer pessoa auditar. Os testes validam contra as regras oficiais da Receita Federal. E ele não recomenda nada — mostra os números e você decide.
Links
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