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Acho que aqui mora uma ilusão perigosa: achar que esses monstros idiotas seguem especificação de verdade. rs

Eles seguem o suficiente para parecer que seguiram.


Código gerado via vibe coding não precise ser validado por um humano em todos os contextos. Se é um script descartável, uma automação pessoal, uma landing page sem consequência, uma PoC para testar ideia, beleza. Gera, roda, funcionou, vida que segue.

Mas se aquilo vai para produção, mexe com dinheiro, vidas ou qualquer coisa minimamente séria, alguém precisa entender o que esta acontecendo.

Porque, se der problema, não é o CPF do Claude que vai pagar. É o seu.

O ponto não é “validar código gerado” como se isso fosse o fluxo ideal. O provlema é que código gerado vira software. E software tem custo de manutenção e suporte.


E nem para por aí, se é para fazer um prompt decente para a IA, você precisa entender o código que já existe. Precisa saber o que proibir, onde simplificar, onde abstrair, onde o que testar, onde isolar, onde apagar.

Se você não entende o código, você também não entende o prompt que iria extrair o máximo da ferramenta.


“Código virou commodity” é uma frase incompleta. Código ruim virou commodity. Código plausível virou commodity. Código que compila virou commodity. Código que passa em teste feliz virou commodity.

Software bom não virou commodity.

E aqui vale lembrar o Linux.

O Linux não deu certo porque qualquer um joga patch no kernel e torce para compilar. Deu certo porque o Linus conhece o bicho que mantém. Ele sabe onde mexer, onde não mexer, que tipo de gambiarra é aceitável e que tipo de “solução elegante” vai virar um gargalo daqui seis meses depois.

Ele já deixou claro: não importa se o patch veio de humano ou de IA. O que importa é que ele (ou alguém de sua confiança) revise, entenda e assine embaixo.

Essa é a parte que muita gente ignora “código virou commodity”.

Gerar código é barato. Colocar código em produção ainda é caro.


E muito provavelmente daqui a cinco anos isso nem seja mais relevante. Talvez o custo de escrever qualquer solução do zero seja menor que o custo de manter um software bom legado.

Mas hoje ainda não é assim.

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