O Claude Code do meu cliente recusou meu produto achando que era malware. Ele estava certo.
Nos últimos meses construí uma coisa meio estranha: uma loja de funcionários digitais que rodam no Claude Code do próprio comprador. A pessoa baixa um zip, abre o Claude Code na pasta e fala "instala isso pra mim". O agente dela lê o manual, configura tudo conversando e no fim o produto está rodando na máquina dela: secretário de WhatsApp, resumidor de grupos, vigia de intimações do Diário Oficial, cobrador de boletos.
O primeiro beta tester real travou na porta de entrada, duas vezes, e as duas lições valem para qualquer um que esteja construindo em cima de Claude Code.
Lição 1: Claude do navegador não é Claude Code. A instrução dizia "cole isso no Claude". Ele colou no claude.ai do navegador, que não enxerga arquivo local nenhum. Óbvio depois que acontece. O manual hoje verifica esse pré-requisito antes de qualquer outra coisa.
Lição 2: o agente do seu cliente é um guardião, e ele desconfia de você. A versão antiga do fluxo mandava o agente do comprador baixar um zip da internet e executar. Origem desconhecida, urgência, executável: o Claude dele recusou como padrão de malware. E a recusa estava certa. Invertemos o fluxo: o humano baixa o zip, o agente instala o que já está na pasta. Nenhuma recusa desde então. Se o seu produto depende de um agente de IA cooperar com a instalação, você precisa desenhar para o threat model do agente, não para o seu.
Outras coisas que só a prática ensinou:
- QR code de WhatsApp expira em uns 20 segundos. Agente que manda print de QR pro dono entrega uma foto morta. Os manuais hoje proíbem reencaminhar QR e mandam abrir o painel local.
- Auditar a árvore de código não basta. O gate de qualidade tem que rodar no zip publicado, baixado da produção como um cliente baixaria. Foi assim que achamos um telefone real de fixture dentro de pacote no ar, depois de meses de auditoria verde.
- Update em produto que roda na máquina do cliente precisa de rollback de um comando e de preservar a configuração dele.
npm run updatecompara versão, confere checksum, faz backup e troca só o código.
A fábrica é um monorepo com 11 produtos gerados de uma base comum, cada um com testes, manual e uma auditoria que reprova o build se a copy da página prometer algo que o produto não declara nas capacidades. Quem quiser ver o resultado: contrateagentes.com.br, todos em beta grátis por enquanto.
Produto pronto foi a parte que eu sabia fazer. Boca é a parte que estou aprendendo em público.