Pitch: estou construindo um PaaS brasileiro para deploy sem Kubernetes
Eu queria compartilhar um projeto que estou construindo e pedir feedback técnico da comunidade.
O projeto se chama Hangar: um PaaS brasileiro para times que querem colocar aplicações em produção no Brasil, com cobrança em reais, deploy via GitHub e menos operação manual de infraestrutura.
A motivação veio de uma dor bem específica que vi se repetir em software houses, startups pequenas e produtos B2B brasileiros:
- deploy em VPS começa simples, mas vira script, proxy, SSL, logs, backup, firewall, banco, volume e monitoramento manual;
- cloud estrangeira resolve muita coisa, mas traz cobrança em dólar e, dependendo do cliente, perguntas sobre onde a aplicação e os dados estão rodando;
- Kubernetes é excelente quando a empresa já tem maturidade de plataforma, mas pesado demais para um time pequeno que só quer colocar uma API, worker ou SaaS em produção;
- cada cliente/projeto acaba virando uma operação diferente, e isso consome margem e tempo de produto.
A hipótese do Hangar é que existe espaço para uma terceira via: um PaaS brasileiro, com experiência moderna de deploy, mas pensado para a realidade de empresas daqui.
A ideia não é “substituir AWS/Azure/GCP em todos os cenários”, nem prometer compliance automático com LGPD. Isso seria desonesto. A tese é mais pragmática:
se o time precisa hospedar aplicações no Brasil, pagar em reais e reduzir a quantidade de infraestrutura que mantém manualmente, um PaaS brasileiro pode ser uma opção melhor que VPS improvisada ou cloud dolarizada para muitos casos.
Como estou desenhando a plataforma
O fluxo que estou buscando é:
- O usuário entra com GitHub.
- Cria um projeto e um ambiente.
- Conecta um repositório.
- Configura runtime, variáveis, CPU/RAM, domínio e, quando necessário, volumes.
- Faz deploy e acompanha logs, status, uso e custo no painel.
Algumas decisões que tomei:
Deploy via GitHub
A entrada principal é o repositório. A ideia é manter o deploy perto do fluxo natural de desenvolvimento: push, build, deploy, logs e rollback.
Para times pequenos, isso evita montar pipeline customizado cedo demais. CI pode continuar no GitHub Actions, mas o CD fica na plataforma.
Sem exigir Kubernetes do usuário
Por baixo pode existir orquestração, scheduler, proxy, storage e automação, mas isso não deveria vazar para o usuário comum.
A interface mental que quero entregar é mais próxima de:
- “este é meu serviço”;
- “este é meu banco”;
- “este é meu domínio”;
- “este é meu custo”;
- “este deploy passou ou falhou por este motivo”.
Não “crie Deployment, Service, Ingress, Secret, PVC, StorageClass, NetworkPolicy...”.
Billing em reais e por uso
Uma parte importante é previsibilidade. Plano em reais, franquias claras e uso medido de recursos como CPU, RAM, banda, build minutes e volumes.
Para software house, isso ajuda a repassar custo para cliente sem ficar explicando variação cambial todo mês.
Infra no Brasil
O foco inicial é aplicação brasileira rodando em infraestrutura no Brasil. Isso não resolve LGPD sozinho, porque compliance depende de arquitetura, contratos e processos do cliente. Mas ajuda muito na conversa sobre residência de dados, latência local e jurisdição.
Postgres, volumes, logs e domínios no mesmo painel
O objetivo é reduzir aquele “kit produção caseiro” que todo mundo acaba montando:
- banco provisionado em um lugar;
- DNS em outro;
- logs em outro;
- deploy via script;
- custo em planilha;
- backup manual;
- alerta inexistente.
Ainda estou evoluindo bastante coisa, mas o norte é deixar o básico de produção integrado e visível.
Onde acho que o Hangar NÃO faz sentido
Também quero ser transparente sobre os casos em que eu mesmo não recomendaria usar:
- se você já tem um time de plataforma maduro e Kubernetes bem operado;
- se sua aplicação exige serviços muito específicos de hyperscaler;
- se você precisa de escala global multi-região agora;
- se você quer free tier permanente para hobby project;
- se você espera que a plataforma “resolva LGPD” sozinha.
Nesses casos, provavelmente AWS/GCP/Azure, Kubernetes próprio, Vercel/Fly/Render/Railway ou outra stack podem fazer mais sentido.
Onde acho que pode fazer sentido
Os casos que mais me interessam validar:
- software house que hospeda vários sistemas de clientes e quer padronizar deploy;
- startup brasileira com backend em produção ou perto de produção;
- SaaS B2B que vende para empresas brasileiras e precisa explicar melhor onde roda;
- time pequeno que está cansado de manter VPS, proxy, SSL, banco, logs e deploy manual;
- produto que hoje usa um PaaS estrangeiro, mas sente o custo em dólar ou a falta de operação local.
O que eu queria de feedback
Mais do que divulgar, queria ouvir opiniões técnicas de quem já passou por essa dor.
Algumas perguntas:
- Se você usa VPS hoje, qual parte da operação mais te incomoda?
- Se você usa Railway/Render/Fly/Heroku/Vercel, o que te faria considerar um PaaS brasileiro?
- Para software houses: vocês cobram hospedagem do cliente separado ou embutem no contrato?
- A dor de “rodar no Brasil e pagar em reais” é real para vocês ou ainda é argumento fraco?
- O que um PaaS brasileiro precisaria ter para você confiar em colocar algo de produção nele?
Quem quiser testar o Hangar, deixei o acesso aqui:
Mas principalmente: quero feedback sincero. Pode ser crítica técnica, dúvida de arquitetura, comparação com outras plataformas ou experiência real de deploy em times pequenos.
Estou tentando validar se essa dor é grande o suficiente para virar uma plataforma sustentável no Brasil.