Você tem razão em uma coisa, e eu concedo de cara: o texto é longo demais. Eu corto, sempre corto, e ainda assim sai longo.
Mas tem duas críticas misturadas aí, e só uma delas se sustenta. Uma é sobre estilo de prosa. Essa é justa.
A outra é sobre o artefato: que um programador preguiçoso faria um PR "com certeza muito pior" que o meu. Essa não dá pra verificar, porque esse PR não existe.
E, sinceramente, é exatamente isso que eu chamo de julgar pela capa: comparar o que foi feito com um ideal imaginário que ninguém escreveu.
O que dá pra verificar é o que a preguiça produziu de fato, no rastreador do mpv:
- #1045, "auto-detecting 3D input format", fechada anos atrás, sem correção
- #15225, aberta desde 30/10/2024. Vinte e três meses. O autor leu o código-fonte sozinho, propôs um desenho, e ninguém implementou
- #17632, aberta desde março, com um mantenedor escrevendo que não sabe distinguir half de full SBS
- #18380, aberta, zero respostas
Dois anos de programadores preguiçosos entregaram nada. O bug continuou lá, e quem tem TV 3D continuou vendo filme achatado e tendo que ativar o 3D na mão, quando a TV é plenamente capaz de fazer isso.
Sobre o "muito texto, nem li": ele acertou o alvo errado.
A única afirmação técnica anexada àquele comentário, a de que meu patch duplicava o STEREOMODE_STEREO3D_MAPPING, é a única afirmação completamente falsa e verdadeiramente slop da thread inteira, não acrescenta nada.
Quem não leu foi quem errou.
E o mesmo trabalho, julgado só pelo código, foi aceito pelo HandBrake em 81 minutos.
O r0lZ, que mantém o BD3D2MK3D há vinte anos, saiu da aposentadoria e respondeu duas vezes, com engenharia.
Sobre preguiça: eu medi o que foi feito.
São 80.797 palavras de documentação, cerca de 3.300 linhas de código contra um navegador de 2011 sem documentação, e cada comportamento descoberto por sonda, com e no aparelho ligado na minha frente.
À mão, isso é coisa de dois a três meses em tempo integral, sem contar becos sem saída.
A preguiça que você descreve não escreveria isso em tempo nenhum.
Ela escreveria zero, que foi exatamente o placar dos últimos dois anos.
Preguiça boa é a que evita trabalho repetido.
A que evita o trabalho inteiro tem outro nome...
