Como um projeto me fez mergulhar no mundo dos agentes de IA
Trabalho em uma instituição financeira e, como muita gente da área de tecnologia, gosto de usar projetos paralelos para aprender coisas novas. Nos últimos meses eu queria entender melhor o que realmente era possível construir com IA além dos tradicionais chats e assistentes de perguntas e respostas.Foi nessa época que conheci o Perssua, projeto criado pelo Lucas Montano.
O que me chamou atenção não foi apenas a tecnologia, mas a ideia de utilizar IA para executar tarefas reais em vez de apenas responder perguntas. Aquilo ficou na minha cabeça por um tempo. Não porque eu queria construir algo parecido, mas porque me fez perceber que existia um espaço enorme para explorar agentes, automações e fluxos de trabalho mais inteligentes.
Ao mesmo tempo, eu tinha uma frustração recorrente com reuniões. A reunião terminava e começava outra reunião: a reunião invisível. Era preciso organizar anotações, lembrar decisões, criar tarefas, enviar e-mails, atualizar ferramentas e garantir que nada fosse esquecido.Foi daí que surgiu a ideia.Inicialmente eu queria apenas gerar resumos automáticos.Parecia um projeto simples para aprender algumas tecnologias novas.
Mas conforme fui avançando, percebi que resumir reuniões já era algo que muitas ferramentas faziam muito bem. O desafio interessante estava em outro lugar.
- Como transformar uma conversa em ações?
- Como identificar automaticamente decisões?
- Como extrair tarefas sem depender de comandos explícitos?
- Como executar fluxos automaticamente depois da reunião?
Essas perguntas acabaram me levando para um projeto muito maior do que eu imaginava inicialmente.Durante o desenvolvimento passei bastante tempo estudando transcrição em tempo real, modelos de speech-to-text, agentes de IA e automação de tarefas.
Em alguns momentos a parte mais difícil nem era a tecnologia. Era definir quando uma informação deveria virar uma ação.Nem toda frase dita em uma reunião é importante. Nem toda decisão está explícita.Nem toda tarefa deve ser criada automaticamente.Percebi que o problema não era apenas ouvir uma reunião.Era entender contexto.
Outro ponto que decidi priorizar desde o início foi privacidade.Muitas soluções dependem de enviar áudio, transcrições e documentos para a nuvem.Eu queria explorar uma abordagem diferente.
Por isso grande parte do processamento acontece localmente na máquina do usuário. Depois de vários meses trabalhando no projeto durante noites, finais de semana e intervalos entre outras responsabilidades, o resultado foi o Staggi.
Mais do que um produto, ele acabou sendo uma desculpa para aprender sobre agentes, IA aplicada a produtividade, automação e desenvolvimento desktop com Rust e Tauri. Ainda existe muito para melhorar. Mas uma das coisas mais legais de projetos paralelos é justamente essa: você começa tentando aprender uma tecnologia e termina aprendendo muito mais sobre produto, usuários e resolução de problemas reais.
Se alguém também está explorando agentes de IA ou automação de fluxos de trabalho, adoraria trocar ideias e ouvir opiniões sobre o projeto.
Fonte: https://staggi.app