Capacidade & Analogias
Para você e eu
Esse texto segue principalmente a ideia de motivar. Ser aquele empurrão que falta para a caminhada seguir mais um passo; aquela última força para o carro voltar a ligar, nem que seja para dar uma parada no mecânico e impedir que pare no futuro novamente. Um texto que eu vou reler para ajudar a mim mesmo, sendo amigo de mim mesmo, que espero que possa auxiliar quem bater os olhos por aqui também.
Sentindo a incapacidade
Não vai ser só uma vez que nos sentiremos incapazes. Seja quando estamos sem emprego ou dando nossos primeiros passos, vendo aquele horizonte de futuros desafios que parecem só ecoar nos nossos ouvidos: “Tu nunca vais chegar aqui”, seja já nas aventuras da vida, mas parecendo estagnado, como se desse voltas na mesma trilha, com os sons das árvores ao vento dizendo suavemente: “Tu nunca sairás daqui”.
Quando caminhando no mundo da programação – dando uma pausa nas analogias, por enquanto – é normal nos sentirmos capazes e incapazes. Hora constantes, tomados de conhecimento, podemos dizer com peito estufado “eu sou tanto mais, reconheço que meu valor é maior, reconheço que sou capaz de muito mais”, logo chega também o momento de buscar novas oportunidades, onde vem à mente pensamentos como “será que passaria aqui? Não pareço ser tão qualificado para essa oportunidade”, enfim, nas fases finais daquele processo seletivo, podemos praticamente estar aprovados, mas ressoa o “e se eu não for capaz para essa vaga? E se me contrataram achando que sou X mas sou Y? E se eu decepcionar as expectativas de quem me contratou e logo ser mandando embora antes mesmo da burocracia terminar?”.
Seja qual for a área, sei que esses pensamentos sempre assolarão a todos, assim como eu, e me pergunto o que posso fazer diante disso? Apenas sentir a ansiedade e estresse? Desconfiar do futuro, se remoer do passado?
Refletindo isso, pensei em conselhos. Conselhos sobre e para você (e eu), que nos regozijamos no “quanto mais sei, menos sei”, mas no fundo sentimos um “quanto mais sei, mais me sinto inútil”.
Seja amigo de você mesmo
Essa frase já ouvi e li várias vezes. O contrário é comum se falar também, do chamado “impostor”. Então, preciso te aconselhar (e a mim) sobre como não há pior desmotivador, do que nós mesmos.
Ser amigo de si mesmo, não é “passar pano” para os próprios erros, muito menos deixar a vida nos levar na companhia de outro, mas entender que mesmo quando tudo parece desmoronar, a última coisa que a gente precisa, é de nós mesmos jogando a última pá de terra.
A entrevista falhou, o caos se instaurou, muitos bugs, demandas, ou, como falado antes, tudo parece dizer que nada do que fizemos em anos teve algum valor ou nos trouxe uma segurança de capacidade. A primeira coisa que a gente precisa fazer é entender: ninguém entende melhor você, do que você mesmo. Você sabe o que buscar, você sabe onde melhorar, você sabe onde dói, mesmo que em voz alta seja difícil dizer “eu sou bom em X coisa”.
E, com isso, essa ferramenta, cada “batalha perdida” deve ser vista não como uma última batalha, mas como um chefão de videogame, onde cada tentativa de faz perceber o que melhorar, o que aprender, onde crescer. Às vezes pode ser um enigma, um mini boss, uma armadilha ou parecer o chefão final, mas nisso tudo, você aprende.
No futuro, certamente, a gente deixa de se sentir aquela criança que joga com o controle 2 desconectado pelo irmão mais velho, e passa a se sentir mais como quem ensina o outro a jogar (e jogos novos sempre vão existir, logo, nós continuaremos a aprender).
A Fruteira
A vida - talvez esse texto já tenha fugido do escopo da programação apenas – no mercado de trabalho é sobre saber coisas, entender essas coisas, ensinar essas coisas e, em paralelo disso tudo, praticar, comunicar e expressar essas coisas da maneira mais adequada (hard e soft skills), mas começando com pé direito ou não, devemos buscar dar nosso melhor em cada uma dessas coisas e principalmente, por ser o foco do texto, no entendimento do que precisamos saber para exercer o que precisamos.
Trabalhando numa fruteira utópica e detalhista, foque em entender uma coisa de cada vez; você sabe o básico, o que é uma maçã, uma pera, uma banana, às vezes uma fruta que tu já viste, mas não lembra o nome (mas você reconheceu, já é algo; se melhorar, sabe até uma receita que envolva ela).
Tu podes me dizer que “bah, mas nesse cargo eu preciso saber 5 frutas, como vou me fazer entender e focar em 1?”. Coisas levam tempo, e eu sei que a vontade cresce de fazermos um minicurso de algo e já corrermos para pôr no LinkedIn como “competência”. Mesmo assim, entender do básico ao complexo, e entender bem, sempre vai te trazer o prazer e segurança do que diz, e isso, consequentemente, vai te causar um efeito cascata, onde você consegue avançar sem precisar reaprender (pensando que tu vais estudar porque gosta do que faz).
Relembre
Se um dia você precisar relembrar, não se sinta como, nem pense, que falhou no passado, mas sim que você provavelmente só está voltando, porque conseguiu avançar. Como tocar piano, onde temos a memória mecânica, que pode nos fazer tocar as mais belas e longas peças, mas, se não revisitarmos o básico de pensar e reconhecer cada nota que tocamos, basta um nervosismo e nossa mente apaga toda obra no meio do evento.
Lido tudo isso, finalizo com o pensamento que eu poderia resumir em: sempre busque aprender, entender (e como consequência, ensinar), independente se no fundo você sinta alguma vergonha (sem sentido, inclusive), de precisar entender melhor algo básico depois de anos na área. Claro, pode demonstrar um erro no fundamento de tudo, mas felizmente não somos um prédio construído de concreto, podemos mudar e voltar (ou melhor dizendo, prosseguir) com o crescimento próprio, novo ou antigo, em frente a tantos entendimentos necessários.
Não odeie os erros
Tu estás aqui, porque persistiu e andou até aqui. Não saia desse texto como uma mensagem coaching, aprenda com seus erros e não erre mais, mas se errar, não odeie os erros, muito menos a si mesmo, porque sem eles, você não aprenderia também.
Aprendizado, no erro e no acerto, na incerteza e na certeza, nos sentimentos de incapacidade e capacidade. No fim, você entenderá que demos nosso melhor, seja levantando um graveto ou tocando a sonata mais complexa, seja aprendendo o básico do HTML, seja entendendo as bibliotecas mais complexas.