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Decidi criar uma alternativa ao Kubernetes. Sim, estou ciente de que sou louco.

Amor porque, antes dele, fazer deploy em produção era algo sombrio. Vários softwares tentaram resolver esse problema — Mesos, Fleet, Nomad — mas somente o Kubernetes resolveu minimamente a orquestração de containers em escala. Não é sem mérito que hoje mais de 96% das organizações que usam containers usam Kubernetes, segundo o relatório CNCF de 2023.

Mas como nada é perfeito, um software criado por engenheiros do Google pecou muito na questão do design — não de UI, mas de como as coisas funcionam. Engenheiros pensam como engenheiros: funciona, mas a complexidade do Kubernetes é algo que você provavelmente vai precisar de um curso para entender a fundo. De um lado criou carreiras inteiras — a certificação CKA virou commodity no mercado — do outro, empresas pequenas que não podem se dar ao luxo de ter um DevOps certificado se veem numa encruzilhada: sentem a necessidade do Kubernetes mas não conseguem geri-lo.

O problema concreto: um cluster Kubernetes mínimo exige compreensão de pelo menos 15 abstrações diferentes — Pods, Deployments, Services, Ingress, ConfigMaps, Secrets, RBAC, PVCs, StorageClasses, NetworkPolicies, e por aí vai. E por incrível que pareça, a cada release esse número cresce. O Kubernetes 1.29 introduziu mais de 60 mudanças de API. Em 2024 foram depreciadas mais de 10 APIs que projetos dependiam.
Vários projetos tentaram resolver um pouco dessa complexidade. O Rancher adicionou uma boa camada de UI em cima do Kubernetes. O Dokploy, que não usa Kubernetes mas sim o Docker Swarm, conseguiu algo notável: na primeira vez que usei, coloquei um projeto online em poucos minutos, sem nenhum curso, sem grandes preocupações. A UX deles é genuinamente boa.

Mas tenho um problema com o Dokploy: ele usa o Docker Swarm. E embora o Swarm ainda seja tecnicamente mantido pela Docker Inc., o desenvolvimento desacelerou drasticamente em favor de soluções Kubernetes, o ecossistema parou de investir nele e a adoção encolheu. É um projeto funcionalmente estagnado — o que para infraestrutura crítica é um risco real.

O Nomad da Hashicorp tentou um caminho diferente — mais simples que o Kubernetes, binário único, sem a cerimônia toda. Mas em minha opinião pecou por estar muito acoplado ao ecossistema Hashicorp: Consul para service discovery, Vault para secrets, Terraform para infraestrutura. Funciona muito bem se você adota tudo. Se não, é limitado. E agora, depois que a Hashicorp foi adquirida pela IBM em 2024 e mudou a licença de MPL para BSL, essa dependência ficou ainda mais arriscada para quem constrói sobre essa base.

Algo sobre mim que você precisa saber: eu amo estudar qualquer coisa relacionada a IT. Além de ser minha profissão, é um hobby. E gosto de dar algum sentido ao meu estudo.
Dito isso, recentemente comecei um projeto pessoal. Tenho três VPS's, comecei a analisar o que precisaria e percebi que não precisava de toda a complexidade da stack Kubernetes. Fui para o Dokploy, que funciona bem para um MVP — mas fica a pergunta: e quando crescer?

Então num belo dia, enquanto tomava banho e refletia sobre tudo isso, pensei: posso usar o Dokploy enquanto é MVP, posso fazer um curso de Kubernetes e torcer para a IA configurar tudo certo, ou posso criar uma alternativa real. Fui pela opção mais óbvia: criar a alternativa.

Você pode me achar louco. Mas o Kubernetes nasceu de engenheiros do Google que acharam que podiam fazer melhor que o Borg. O Docker nasceu de alguém que achou que LXC podia ser mais simples. Projetos reais surgem quando pessoas resolvem pensar diferente sobre problemas conhecidos.

Meu objetivo não é fama nem dinheiro. O projeto vai ser 100% open source, licença Apache 2, sem versões pagas. O que quero é resolver um problema real: a complexidade desnecessária na orquestração de containers. Não prometo conseguir — mas é algo que vale tentar.

Estou trabalhando nisso há algumas semanas. O repositório ainda está privado, mas em breve, quando tiver uma versão mais estável, vou torná-lo público. Nos próximos posts vou detalhar as decisões de arquitetura e os motivos por trás delas — incluindo por que construí um orquestrador próprio em vez de colocar uma camada sobre o Kubernetes.
Se você também sente que a complexidade do Kubernetes está fora de proporção com o problema que ele resolve, acompanhe. Provavelmente vou errar muito — mas vou documentar tudo.

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concordo com vc, eu acho demasiatamente complexo, mas sinceramente, acho melhor vc aprender a usar do que criar outra ferramenta pra ninguem mais usar;

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Boas, então até concordo com você, mas aqui vem o meu ponto, as vezes é necessário alguém criar algo novo, não temos como saber se ninguém vai usar concorda? Além disso meu primeiro intuito é aprender, eu pelo menos gosto muito de entender como as coisas funcionam nunca camada mais aprofundada.

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Meus 2 cents,

Parabens pela iniciativa !

Eh sempre interessante acompanhar projetos reais usando tecnologia para automatizar as tarefas.

So achei prematuro o post - sem codigo ou repositorio, ate entendo a estrategia de copy/build-in-public, mas eh um pouco frustrante.

No aguardo das novidades,

Saude e Sucesso !


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Heheehe sorry por não partilhar nada ainda, primeiro post não quero parecer que estou a fazer propaganda, além disso achei que séria interessante compartilhar de forma cronologica todo o processo, sendo o primeiro passo a minha motivação, mas posso dizer que já tenho algumas coisas a funcionar, em breve vou liberar o repo, mas como ainda é a minha visão, opininativa sobre o que um orchestrador deve ser não quero ter influencias externas :D

No dev.to também estou a postar em inglês, lá já tem uma imagem da dashboard: https://dev.to/denerfernandes/i-decided-to-build-a-kubernetes-alternative-yes-i-know-im-crazy-21b5

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Meus 2 cents extendidos,

De boa - foi so um comentario de alguem interessado neste tipo de tecnologia.

Faz alguns (muitos) anos que fiz a certificacao OpenShift/OpenStack (exigencia de um projeto que trabalhei na epoca), e era um ninho de mafagafos - alias, as tecnologias de virtualizacao tem este tipo de caracteristica.

Se posso sugerir, lembre de incluir algo sobre podman - que eh uma alternativa interessante ao docker que tem ganhado forca.

Boa sorte !

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Está no roadmap o podman, mas provavelmente não deve sair na versão 1.0, porque não usei ainda em produção, somente alguns testes locais, por isso prefiro estabilizar primeiro, é muita coisa que tem que pensar, e o meu ponto principal é a UIX, ter algo robusto que qualquer dev consigar subir um projeto em produção em minutos sem nunca ter visto o sistema antes, esse é o meu target.

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Aqui são só as minhas crenças e opiniões. Eu não sou especialista em Kubernetes.
Fique a vontade para discordar e argumentar.

Acredito que a iniciativa é válida, mas deve ser pelo motivo correto.

posso fazer um curso de Kubernetes e torcer para a IA configurar tudo certo

Pelo que entendi você não consegue/sabe configurar Kubernetes e quer criar uma alternativa.

Entendo que você quer melhorar algo que está "ruim", mas acredito que você deve entender primeiro o outro antes de querer algo diferente.
Talvez exista um por quê das coisas serem assim.

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Boas, então concordo em partes com você, é valido ter que saber sobre o kubernetes, na verdade até sei muito de kubernetes, no texto quando falo pedir a AI para fazer é mais no sentido do tempo e do nível de complexidade, algo por exemplo trivial no Dokploy por exemplo, meu ponto é o que eu como developer espero de um orchestrador? A complexidade do Kubernetes é frustante em algumas situações, o nivel de camadas é muito grande, então o que quero não é recriar o Kubernetes, é criar a minha visão do que um orchestrador deveria ser. Ser uma alternativa, mas completa, algo como o Nomad tentou fazer, e de novo é a minha visão, certa ou errada.

Claro que indiretamente estou a estudar o Kubernetes, não somente como configurar, mas a nível de codígo, ontem tive boas horas a ver como algumas coisas eram feitas e porque.

Obrigado pelo comentário, vou continuar a postar os progresso e sinta-se a vontade para críticar, é exatamente isso que espero ao compartilhar minha experiencia.