O dois pesos e duas medidas que trava adoção de IA no seu time
Tem dev que descarta código de agente de IA porque não saiu perfeito. Uma variável com nome ruim, uma abstração diferente do que ele faria, e pronto: "IA não sabe programar."
Só que perfeição nunca foi o padrão em software. Nunca.
Em 1992, Tanenbaum disse que Linux era obsoleto porque usava kernel monolítico. Do ponto de vista teórico, ele estava certo. Linus respondeu:
"Linux ganha muito por estar disponível agora."
O GNU Hurd - o kernel "correto" - não estava pronto. Mais de 30 anos depois, ainda não está. Linux roda a maioria dos servidores do mundo. Não porque era perfeito, mas porque foi entregue, revisado e melhorado. De novo. E de novo.
Richard Gabriel escreveu sobre isso em 1989: "Worse is Better". Unix ganhou das Lisp Machines. C ganhou de linguagens mais "corretas". JavaScript ganhou de tudo que supostamente ia substituí-lo. O padrão é sempre o mesmo: a coisa imperfeita que existe bate a coisa perfeita que não existe.
Eu construí o Kanario, um gerador de thumbnails pro blog da Codeminer42, inteiramente com agentes de IA. 83 commits, 209 testes, 5.7k linhas de TypeScript, deploy no Cloud Run com CI/CD.
O primeiro output do agente não era bom. Mas eu revisei, ajustei, pedi pra refazer, rodei os testes, e fui iterando. O resultado final funciona e tá em produção.
O processo é o mesmo que a gente sempre usou pra software: entrega, revisa, melhora, entrega de novo. Código de agente não precisa sair perfeito. Precisa sair bom o suficiente pra você iterar em cima.