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Programadores com TDAH adotam IA de um jeito diferente? Eu tenho uma tese, e quero sua opinião.

Disclaimer

Não tenho diagnóstico de TDAH. Nunca fui ao psiquiatra (pretendo ir em breve). Só que, depois de mais de 3 anos vivenciando, sentindo e pesquisando sobre o assunto, fica difícil ignorar o quanto me reconheço nos sintomas. Portanto, leia o que vem a seguir como perspectiva, achismo pessoal ou um papo de boteco, não como conclusão clínica.

Contexto

Como disse, há bastante tempo tenho a suspeita de ser uma pessoa com TDAH, mas nunca senti nada que estivesse consideravelmente atrapalhado minha vida. Hoje, tenho comportamentos e sentimentos que sei serem incomuns e que, em certa medida, estão me atrapalhando. Pesquisando mais a fundo, encontrei o livro TDAH 2.0 de Edward M. Hallowell.

Já na introdução o autor explica que o TDAH não é necessariamente um transtorno da infância, mas que pode se revelar na idade adulta, normalmente quando as demandas da vida superam a capacidade da pessoa de lidar com elas. Com as recentes mudanças pessoais na minha vida, isso se encaixou como uma luva e, talvez, se encaixe pra você também. (não dispensa um diagnóstico profissional)

Onde entra a IA?

Em um outro momento ele cita que muitas pessoas com TDAH, principalmente homens, preferem “falhar fazendo do seu jeito a ter sucesso com ajuda"

Isso me congelou, e me levou a refletir: "Como isso aparece na IA com programação?"

Vi uma série de posts aqui no Tabnews que refletiam sobre a "crise existencial" agora que os modelos de IA são capazes de escrever código por nós e se perderíamos ou não nossos empregos. Não é nesse mérito que eu quero entrar.

Se você se identificou com a frase do autor, provavelmente teve, como eu, uma resistência maior ao aderir (caso tenha aderido) à Inteligência Artificial pra fazer o seu trabalho e, talvez, ainda tenha essa resistência, em forma de desconforto, até hoje. Eu não aderi mais cedo exatamente por preferir falhar sozinho a ter sucesso assistido por IA.

No entanto, quando comecei a utilizar IA, senti um grande alívio, como se eu pudesse despejar as minhas ideias e elas fossem sendo concretizadas independentemente da minha motivação. Com base no meu entendimento, eu vejo isso como as Tendências Paradoxais citadas pelo autor:

"falta de foco combinada à capacidade de hiperfoco; falta de direção combinada ao empreendedorismo extremamente direto; tendência a procrastinar combinada à capacidade de fazer o trabalho de uma semana em duas horas..."

Minha tese

Atribuo a resistência que sentimos a alguns pontos:

  • Necessidade de autonomia e controle sobre o próprio processo.
  • Dificuldade de revisar código que não fui eu quem escreveu, o que exige uma atenção maior, justamente a que já é difícil de sustentar.

Já o alívio que sentimos ao aderir à IA atribuo a outros pontos:

  • Ela ajuda a vencer a paralisia por análise.
  • Ajuda a quebrar tarefas grandes em passos menores (particularmente, o meu maior desafio).
  • Faz o trabalho chato que drenaria nossa motivação.

Conclusão

No fundo, o que quis mostrar aqui é o que o livro já reforça: o TDAH é um conjunto de tendências paradoxais. A mesma pessoa que resiste à IA por orgulho do próprio jeito é a que sente alívio quando ela destrava o que estava parado.

Tudo isso é papo de boteco, baseado na minha experiência, sem diagnóstico e sem dados. Pode ser que valha só para mim.

Por isso, quero ouvir você: isso ressoou com a sua experiência ou foi diferente? Como foi a sua relação com a IA? Você acha que o TDAH gera uma relação diferente da de quem não tem?

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