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Discordo profundamente da afirmação de que “Prompt Engineering morreu”. Na prática, essa tese confunde a evolução do uso de prompts com o desaparecimento da própria disciplina.

Toda a operação de um agente continua dependendo de instruções. Para orquestrar tarefas, definir papéis, estabelecer critérios de aceitação, limitar ações, selecionar ferramentas, orientar verificações, descrever skills, configurar handoffs e controlar decisões, é necessário escrever regras claras para o modelo interpretar. E essas regras, independentemente de estarem em um system prompt, AGENTS.md, SKILL.md, YAML, descrição de ferramenta ou contrato de execução, continuam sendo prompts.

O que mudou foi a escala.

Prompt Engineering deixou de significar apenas “escrever uma boa pergunta para obter uma boa resposta”. Em sistemas agentivos, o prompt passa a definir comportamento, políticas, objetivos, restrições e procedimentos. Ele deixa de ser apenas uma mensagem e passa a funcionar como uma camada de programação em linguagem natural.

Até mesmo um harness depende disso. O harness pode implementar limites rígidos em código — timeout, orçamento, permissões, sandbox, número máximo de retries —, mas boa parte da orquestração continua sendo semântica: “investigue antes de alterar”, “preserve compatibilidade”, “corrija a causa raiz”, “considere a tarefa concluída somente quando os critérios forem satisfeitos”. Isso não é runtime tradicional. É instrução interpretada por um modelo.

Portanto, não vejo Harness Engineering como substituto de Prompt Engineering. O harness organiza, executa, observa e restringe o agente; o prompt continua definindo uma parcela fundamental de como esse agente deve pensar e agir dentro dessa estrutura.

Aliás, há uma contradição curiosa em declarar a morte dos prompts enquanto se apresenta AGENTS.md, skills, descrições de ferramentas, regras de execução e critérios de verificação como componentes essenciais dos sistemas modernos. Grande parte desses artefatos nada mais é do que Prompt Engineering aplicado de forma mais estruturada.

Para mim, a formulação mais correta seria:

Prompt Engineering não morreu. Ele deixou de ser engenharia de mensagens e está se tornando engenharia de comportamento.

E quanto mais agentivo se torna o software, mais importante fica escrever essas instruções com precisão, porque agora um prompt não controla apenas uma resposta: pode controlar um processo inteiro.

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