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A ideia de trazer consciência sobre como as plataformas monetizam atenção é genuinamente boa. Mas acho que usar salário/hora como métrica carrega um problema conceitual: ela implica que todo tempo precisa ser justificado em termos de retorno econômico. No limite, reforça uma lógica negativa de que você tem que estar sempre performando, sempre otimizando seu tempo.

Uma virada interessante seria trocar a pergunta nesse contexto de "quanto vale sua hora?" para "você escolheu estar aqui?"

A distinção que me parece mais honesta não é entre tempo produtivo e tempo perdido, mas entre tempo gasto e tempo consumido. Você gasta tempo quando assiste algo com intenção. Agora, você tem o tempo consumido quando abre o app sem saber o que quer e fecha 40 minutos depois sem lembrar de nada, geralmente acontece muito no Instagram, tiktok e etc. Tu abre querendo pesquisar algo, o primeiro vídeo já chama a atenção, você esquece o que ia pesquisar e perde horas ali rolando o feed, e depois nem lembra o que acabou de ver. A plataforma lucra igual nos dois casos, mas o que ela realmente faz não é roubar seu dinheiro, é sequestrar sua intenção.

Scroll infinito, autoplay, notificações, não existem pra nos entreter melhor, existem pra dissolver a fronteira entre o que nós queriamos fazer e o que a gente acabou fazendo.

Então uma sugestão mais concreta e menos teórica: em vez de mostrar o custo financeiro da atenção, mostrar o delta entre intenção e comportamento. Antes(ou depois, vale pensar melhor) de entrar numa plataforma, o usuário declara brevemente o que quer (relaxar, aprender sobre X, ver um vídeo específico). No final, a ferramenta não diz "você perdeu R$ 55" ela pergunta "você fez o que queria fazer?" Se a resposta for sim, não mostra nada relacionado a finanças. Se a resposta for "não", aí mostra um calculo de quanto com a ideia que a plataforma te usou pra te fazer perder X valor.

Sem julgamento, sem métrica de produtividade. Só a exposição do que as plataformas de fato fazem, porque elas não roubam nosso dinheiro, elas sequestram nossa intenção.

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No limite, reforça uma lógica negativa de que você tem que estar sempre performando, sempre otimizando seu tempo.

É isso que que não quero!

Rapaz, essa sugestão é ouro pra mim. Preciso estudar como transformar isso em código e o código transformar em utilidade de fato.

Você mastigou no fim, então vou analisar tudo e ver como fazer tudo cheirosinho! visto que nós já nos culpamos quando saímos de uma plataforma 40min depois sem ter feito o que queríamos. Ainda ter uma ferramenta que te julga de novo.

Obrigado!