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Architectural Runway: o quadro técnico que evita que seu produto “quebre do nada”

O dia a dia de um time de produto é corrido: decisões mudam, prioridades giram, a sprint começa e termina… e as features saem.

Só que, enquanto isso acontece, tem outra coisa que cresce em silêncio: dívida técnica + não-funcionais pendentes (observabilidade, alertas, rotação de secrets, ajustes de segurança, performance, resiliência, etc.). E quando isso não tem “dono” nem visibilidade, vira o tipo de problema que explode em produção com cara de surpresa.

Um exemplo que todo mundo já viu

Imagina uma secret key/certificado/token que vence em uma data específica.
Ninguém documentou. Ninguém acompanha. Não existe alerta.
Chega o dia: serviços param, produto quebra, abre war room, horas tentando descobrir “o que aconteceu”.
Não foi falta de capacidade do time. Foi falta de gestão e visibilidade do lado técnico.

O que é Architectural Runway (na prática)

Pensa no Architectural Runway como um “quadro vivo” do que o produto precisa tecnicamente para continuar saudável hoje e evoluir amanhã — sem depender da memória de alguém.
É um lugar claro e consultável onde ficam:

  • Dívidas técnicas abertas
  • Itens não funcionais (NFRs) pendentes
  • Melhorias estruturais necessárias para sustentar escala, qualidade e previsibilidade
  • Não é “perfeição”. É clareza de trade-offs: o que ficou pra depois, por quê, e o que precisa ser cuidado antes de virar incidente.

O pulo do gato: não basta listar, tem que priorizar

Pra funcionar, cada item do runway precisa de duas coisas:

Impacto / importância

  • Alta: pode causar indisponibilidade, risco de segurança, perda de receita, impacto grande no usuário
  • Média: risco moderado, degradação, aumento de esforço operacional
  • Baixa: melhoria incremental, “nice to have”

Esforço / tamanho

  • Pequeno: cabe com baixo impacto numa sprint
  • Médio: precisa de planejamento e discussão
  • Grande: exige discover técnico, quebrar em partes, talvez épico

Com isso, você enxerga rápido:
Alta prioridade + baixo esforço → entra logo (evita dor barata)
Alta prioridade + alto esforço → quebra, faz discover, alinha com PO/BO
Baixa prioridade → encaixa quando der, sem travar o resto.

Como evitar virar só “mais um quadro bonito"

Se ninguém olha, não existe.
O jeito mais simples de manter vivo:
reservar uma cadência recorrente (ex.: início da semana/sprint)
revisar o que foi feito
abrir novos itens necessários
repriorizar conforme contexto muda
decidir o que entra nas próximas sprints
identificar o que precisa de discover/alinhamento/decisão
No fim, isso muda a conversa de “entregar ticket” para “construir um produto sustentável”.

Se fizer sentido, escrevi a versão completa do raciocínio (com exemplos e um passo a passo bem direto) aqui:
https://luisfaconi.substack.com/p/por-que-seu-time-precisa-de-um-architectural

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