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Times não escalam com heróis. Escalam reduzindo dependências

Em momentos de pressão (muitos prazos, tudo “urgente”), tem um fator que quase nunca entra na conversa com a seriedade que deveria: dependência.

O padrão é comum: você abre o board e percebe que tem uma pessoa (geralmente TL/sênior) com vários itens “críticos” que dependem exclusivamente dela. Aí não importa o tamanho do time — o gargalo aparece no mesmo lugar: onde o conhecimento, a decisão ou a execução ficou centralizada.

Pra tentar tornar isso visível, eu adicionei uma dimensão no board além de prioridade, impacto e esforço:

Prioridade × Esforço × Dependência
Dependência = quantas pessoas, além de você, conseguem realizar aquela tarefa hoje.

Como usar na prática (bem objetivo)
Ao classificar as tarefas, você começa a enxergar caminhos diferentes:

  • Alta prioridade + alta dependência → risco imediato: precisa compartilhar contexto e destravar (reduzir dependência).
  • Alta prioridade + baixa dependência → dá pra distribuir e rodar em paralelo.
  • Baixa prioridade + alta dependência → melhor oportunidade pra ensinar e reduzir dependência com calma.

A pergunta muda de “o que faço primeiro?” para:

“Essa tarefa depende de mim hoje… o que eu faço agora pra amanhã ela não depender mais?”

Post completo: https://luisfaconi.substack.com/p/times-nao-escalam-com-herois-escalam
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Obrigado por trazer seu ponto de vista! Eu concordo com a base do que você disse:

o board não tem fim e gargalos existem porque somos pessoas, não máquinas.

O ponto do post não é vender a ideia de que “vai sobrar tempo” ou que alguém vai ficar “de braços cruzados”. A correria vai existir mesmo. O que eu defendo é outra coisa:

  • Sobrecarga crônica / dependência de uma pessoa não deveria ser “normal” — é um risco operacional (e humano) que cobra juros: aumenta fila, piora previsibilidade, torna qualquer ausência uma emergência.
  • Reduzir dependência não “zera demanda”. Ela só muda o jogo de heroísmo para capacidade do sistema: mais gente consegue tocar, revisar, destravar e dar continuidade.

Na prática, isso não acontece “por milagre” nem com um sprint de boa vontade. A forma que eu vi funcionar (inclusive em times que eu liderei) é tratar como processo contínuo e incremental, por exemplo:

  • Reservar capacidade explícita (mesmo que pequena) para “enabling work” (pairing, documentação mínima, automações, repasse de contexto).
  • Usar itens de baixa prioridade + alta dependência como “campo de treino” (ensina sem colocar produção em risco).
  • Quando surgir um item de alta prioridade + alta dependência, a pergunta vira: “o que eu faço agora para amanhã isso não depender só de mim?” (nem que seja uma sessão curta de transferência de contexto).

E sobre maturidade: eu citei isso porque pesquisas tipo as métricas do Google/DORA olham exatamente para fluxo e estabilidade (lead time, frequência de deploy, taxa de falha, tempo de recuperação etc.), e dependência costuma ser um freio invisível nessas dimensões.

Se no dia a dia parece “fora da realidade”, eu tendo a interpretar como um sinal de que o time está num modo muito reativo (o que é bem comum). A proposta do post é justamente um caminho pra sair disso, trazendo mais sustentabilidade e previsibilidade ao longo do tempo.

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Entendo demais esse ponto de não gostar de ter dependências, faz sentido querer manter autonomia e evitar ficar “travado”.

Acho que, no fim, como trabalhamos em equipe, alguma dependência sempre vai existir. O que dá pra fazer é torná-la mais saudável: em vez de depender de uma pessoa específica, a gente depende de um processo simples e bem disseminado.

Um exemplo que ajuda visualizar: são os de troubleshooting/runbook bem detalhados. Se aparecer um incidente e você estiver sobrecarregado, outra pessoa consegue seguir o passo a passo sem precisar de você o tempo todo. Quando não existe documentação, aí sim a chance de você virar noite resolvendo ou gastando muito tempo passando contexto para outra pessoa é bem maior