Excelente texto, vmv. O ponto alto aqui não foi nem a arquitetura em si, mas a sua honestidade intelectual e maturidade emocional.
É absurdamente difícil conter o instinto de defender uma solução só porque passamos dias investindo energia nela. Esse viés de custo afundado cega a gente, e o seu relato sobre a ficha caindo enquanto explicava o design em voz alta foi cirúrgico. Ter pessoas ao redor (como o seu CTO) desapegadas emocionalmente do código ajuda demais a trazer o projeto de volta para a realidade.
Mas acho que o seu texto traz um gancho para um contraponto vital, que vale para a carreira e para a vida: a sabedoria está em saber quando ouvir o ambiente e quando ir contra a maré.
Vai ter momentos em que todo mundo ao seu redor vai achar que você está desperdiçando energia em um projeto "inútil". E o paradoxo é que essas pessoas vão te desestimular justamente porque querem o seu bem e o seu conforto. Só que, se você sempre ceder ao que os outros ponderam para evitar o atrito ou o erro, você limita o seu próprio teto. Ter um ou dois projetos na vida em que você bate o pé porque enxerga um valor que ninguém mais está vendo é normal, saudável e necessário para evoluir.
A senioridade real, no fim das contas, não é virar um executor que sempre diz "sim" para o consenso, mas desenvolver o discernimento para identificar quando você está apenas apaixonado pela dificuldade (como nesse caso do Keycloak) e quando é um cenário que realmente vale a pena bancar o risco e comprar a briga contra todo mundo.
Parabéns pelo relato. Conteúdo de altíssimo valor para a comunidade!