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Ei Dev, Sente-se, Descanse um pouco, e Aprecie o Caminho Percorrido

Texto escrito sem auxílio de IA

Esses dias, um amigo me pediu ajuda pois tinha uma entrevista técnica para Júnior marcada para dali a 7 dias em uma empresa de tecnologia. Amigo este que recém iniciou o segundo semestre de faculdade de Ciência da Computação. Na entrevista, os assuntos abordados seriam SQL básico e diagrama ER, e desafios de lógica de programação. Ao entender em que nível de conhecimento ele se encontrava, decidi que deveríamos começar do básico.

Expliquei brevemente sobres os diferentes tipos de bancos de dados que existem, para enfim chegarmos no relacional. A partir daí, vimos os princípios básicos que o alicerçam: esquemas rígidos e bem definidos, tabelas, colunas, tipos de dados, chaves primárias e estrangeiras, relacionamentos entre entidades, etc. Só então, entramos no SQL, com comandos básicos como SELECT, FROM, WHERE, ORDER BY e JOINs.

Quanto à lógica de programação, escolhemos alguns desafios sobre tratamento de objetos em JS para solucionarmos juntos. Precisei voltar alguns passos e explicar sobre declaração de variáveis, tipos de dados (strings, numbers, booleans, arrays), funções, estruturas de condições e repetições, operações matemáticas e com strings, etc.

Este mesmo amigo, alguns meses antes, ainda ingressando na faculdade e se divertindo com HTML, CSS e JS, me enviou a seguinte mensagem para que eu visualizasse o que estava fazendo:

"http://127.0.0.1:5500/Nova%20pasta/index.html. O que achou??"

Isso tudo me fez lembrar de um caso ocorrido há 4 anos, quando ainda no primeiro semestre de faculdade, eu - recém formado no ensino médio técnico em ADS - escutava alguns amigos que já trabalhavam na área conversarem sobre CI/CD, Pipelines, Deploy, etc. Lembro de estar completamente perdido e não entender absolutamente nada do assunto. Parecia que estavam falando outra língua. E de certa forma estavam. Ao longo do aprendizado somos de certa forma naturalizados em uma nova linguagem, aprendemos a raciocinar e a enxergar o mundo de uma maneira diferente, mais imperativa e declarativa.

A quantidade de informações e assuntos necessários aprender para consolidar o conhecimento e entender minimamente como tudo funciona por baixo dos panos é absurda. São muitos os conceitos e princípios “básicos” necessários dominar para compreender todo o processo de construção de um sistema complexo. Em resumo, fato é que ,apesar de muitas vezes não valorizarmos, a jornada é muito longa.

As vezes assisto vídeos de “Lucas Montanos” e “Fábios Akitas” da vida, e percebo o quanto sou ignorante em diversos assuntos da área e o quanto ainda tenho a aprender e evoluir tecnicamente. As vezes me sinto muito atrás por não saber tanto sobre redes, devops, infra, segurança, ia, etc, quanto eu acho que deveria. Mas sinto também que não posso me cobrar tanto em relação a isso pois tudo faz parte de um processo, um árduo e longo processo. Do mesmo modo que tenho cerca de 8 anos a mais na área que este meu amigo, devo assimilar que estes citados possuem mais de 4-5x o tempo de experiência profissional que tenho, além de claro serem muito fora da curva.

Gosto de pensar na carreira de tecnologia como um paralelo ao mundo do Futebol. A diferença de nível entre os que estão no topo do futebol mundial para os que fazem a carreira em times pequenos/médios do Brasil é muito menor do que destes últimos para alguém que nunca chutou uma bola. Como disse Brian Scalabrine, "Eu estou muito mais perto do LeBron James do que vocês estão de mim". Acredito que a mesma lógica se aplique na Computação. Felizmente, diferente do futebol em que o dom natural e a prática na infância refletem diretamente na carreira futura, na computação é possível escalar na profissão “apenas” com muito estudo e dedicação.

Por fim, de vez em quando é válido e saudável pausar um pouco o foco no futuro, diminuir a cobrança pelo que ainda não sabe, e olhar para o passado, apreciar o longo caminho percorrido, todos os dias de estudo e trabalho, e a evolução desde o início da jornada, afinal, todos um dia já foram aquele aprendendo IFs e FOR LOOPs, SELECTs e INNER JOINs, sem nem ter ideia do que era necessário para um site estar disponível publicamente na Internet.

Por fim, talvez nada disso mais importe no futuro com o avanço exponencial da IA, mas fica a reflexão 😁😁😁.

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Eu me peguei pensando algo parecido esses dias, após a conclusão da minha pós graduação, parei um pouco para refletir sobre toda a minha tragetória, tudo que vi, aprendi, fiz, não fiz, e a evolução.. e ainda sim ter essa sensação de "não sei nada", ou "ainda não é o suficiente", e percebi que nunca vai ser o suficiente hahahaha..

Mas que comparado ao inicio, já estou em algum lugar, e que tem gente sonhando em chegar onde estou, e que eu já sonhei em estar onde estou, mas devido a tanta cobrança e necessidade de melhorar cada vez mais, nem percebi..

no fim, senti um pouco de orgulho e felicidade de ter realizado toda essa jornada até aqui, já alcancei varios marcos que passaram de forma silenciosa, pois o foco é sempre na próxima coisa a se aprender.. Mas é o que você disse, as vezes precisamos parar um pouco, nos compararmos com o passado, e sentir essa evolução de fato, e nos agradecermos por tudo que foi feito.

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Sua frase: Felizmente, diferente do futebol em que o dom natural e a prática na infância refletem diretamente na carreira futura, na computação é possível escalar na profissão “apenas” com muito estudo e dedicação. Não está correta. Existe sim dom natural e prática na infância na area de computação.

Ja ouviu falar de diagnóstico de AHSD? Ou diagnóstico de q.i. acima de 120? Ou profissionais de computação hoje que brincavam de hackear eletrônicos e fazer engenharia reversa de computadores desde a infância?

Aí vc compara um profissional de hoje com 40 anos de idade que alem de ter diagnóstico de AHSD com Hiperfoco que teve acesso a computação desde a infância com um enfermeiro de 30 anos fazendo transição de carreira para computação só pelo home office e bons salários. Realmente só estudo e dedicação vai chegar perto do nível do primeiro exemplo?

O que acontece na realidade, é que humanos que sabem fazer o teatro corporativo, conseguem subir mais rápido na carreira da "computação" do que um "Neimar" da computação.

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Primeiramente, em nenhum momento eu disse que não existe dom natural e prática na infância na área da computação. O que quis dizer é que isso não é parte essencial/obrigatória da trajetória, e que é possível chegar longe apenas com estudo e dedicação.

É óbvio, que alguém que tenha maior nível de inteligência terá mais facilidade para aprender os diversos assuntos da área (e isso em qualquer área da vida, inclusive nos esportes). No entanto, aqueles não presenteados com tal dom ainda assim podem alcançar os mesmo resultados com muita prática, muito estudo, e muito esforço.

E em relação à prática na infância, as consequências disso na carreira profissional dizem mais respeito ao maior tempo de experiência e a uma maior curiosidade. Tanto é que iniciar na área com mais de 20-30 anos de idade não é NENHUM impeditivo a se chegar no topo da carreira.

No futebol isso é muito difícil para não dizer impossível. Se tornar profissional, mesmo que em times pequenos, exige a prática do esporte desde muito cedo. Um adolescente que começou na escolinha com 12-13 anos nunca terá a mesma coordenação com os pés que uma criança que joga desde os 6-7 anos.

A diferença é clara, enquanto uma área é puramente cognitiva, a outra exige coordenação física e motora, além de inteligência para jogar. E apenas uma dessas habilidades é possível desenvolver com maior facilidade após certa idade e sem "dom" natural.

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Eu ia comentar algo bem nessa linha tambem, é notavel que existe sim muita afinidade para a área. Querendo ou não, a forma de se pensar de um dev é totalmente diferente de outra pessoa, e eu não falo somente sobre código, mas a forma que enxergamos os problemas no dia a dia é diferente. Não estou dizendo que isso nos faz melhores ou piores, mas temos fluxos muito claros na cabeça, tudo vira um algoritmo e nem nos damos conta. Vejo pessoas "sofrendo" para resolverem tarefas simples do dia a dia, problemas de vida mesmo, fazendo tempestade em um copo d'agua por ter que agendar uma consulta médica por exemplo. Enquanto eu só enxergo, "pegar o telefone, mandar um wpp, fornecer os dados e confirmar a consulta", parece tudo muito simples..

E é fácil perceber essa diferença, é só chegar em alguém próximo e pedir a solução de um problema e ver como ela chega nessa solução..

E tambem da pra ver no dia a dia quando encontramos os mais variados tipos de estudantes de programação/TI, da pra perceber a apitidão das pessoas na forma como elas enxergam as coisas como um todo.