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A IA roubou meu hiperfoco: O que o autismo e a mente humana me ensinaram sobre programar com IA

Fala pessoal, tudo bem?

Eu sei que o assunto Inteligência Artificial já tá saturado de promessas mágicas e gente dizendo que "programadores vão acabar". Mas hoje eu quero compartilhar algo diferente. Não é sobre qual modelo de IA é o melhor, mas sobre como o nosso cérebro lida com essa transição.

Há uns dois anos, quando a IA começou a engolir as tasks mais simples, eu achei que o meu maior desafio seria técnico. Eu estava errado. O meu maior desafio foi entender como a minha própria mente funcionava.

Sabe aquela sensação que a gente ama? A task tá na tela, você bota o fone de ouvido, entra no estado de flow (ou hiperfoco) e passa 4 horas ali, construindo tudo do zero. Quando termina, vem aquela recompensa gigante. Pois é, a IA meio que tirou isso da gente. Você manda um prompt, ela cospe o código e você vira um "revisor". Aquela dopamina do código feito à mão sumiu.

E isso me travou. Comecei a ter ansiedade, síndrome do impostor e cair num ciclo de FOMO (Fear Of Missing Out) gigantesco.

A virada de chave: Autismo, Paternidade e Prompt Engineering

Eu sou pai de gêmeos, e um dos meus filhos foi diagnosticado com autismo. Durante as terapias dele e na tentativa de entender como a cabecinha dele funcionava para poder ser um pai melhor, comecei a notar coisas em mim mesmo. A rigidez cognitiva, o estresse quando quebravam minha previsibilidade, a sensibilidade a barulhos (motivo pelo qual não tiro meu fone com isolamento por nada).

Fui buscar ajuda profissional e comecei a investigar a minha própria mente. E foi aí que os mundos se conectaram.

Para ajudar meu filho a entender situações novas ou lidar com o mundo, eu precisava dar contexto para ele. Eu precisava explicar o passo a passo, dar exemplos para que ele compreendesse o que eu esperava.

Quando voltei para o computador para estudar IA... a ficha caiu. O que é dar contexto e exemplos para guiar uma resposta? Prompt Engineering e Chain of Thoughts.

Eu percebi que a forma como lidamos com a limitação de contexto das LLMs é muito parecida com a forma como precisamos estruturar a comunicação para mentes neurodivergentes.

A programação é um porto seguro para neurodivergentes

Na nossa área, muita gente tá no espectro (seja TEA, TDAH, etc), mesmo sem saber. Por quê? Porque o código tem previsibilidade. Se você escreve certo, funciona. Se escreve errado, dá erro. Não tem meio termo, não tem interpretação social subjetiva.

Quando a IA te entrega um código alucinado ou quebra seu raciocínio, ela quebra essa previsibilidade, o que gera uma frustração enorme e drena nossa energia.

Entender como eu funcionava me libertou do medo da IA. Parei de brigar com a ferramenta e comecei a orquestrá-la.

Como estou usando IA hoje (sem hype)

Depois que a poeira emocional baixou, fui pro lado prático. Fiz os cursos da Anthropic, comecei a usar o OpenCode e até a rodar modelos locais, como o Llama 4B direto nos meus 32GB de RAM (dá umas engasgadas, mas pra coisas pontuais, salva muito).

Comecei a criar agentes que conversam entre si e desenvolvi coisas reais, tipo conectar um MCP (Model Context Protocol) no WhatsApp para uma pessoa fazer controle de estoque e financeiro da empresa direto pelo chat.

A moral da história? A IA não é um monstro. É como uma tomada: você precisa plugar o seu conhecimento nela pra luz acender. A régua subiu? Subiu. O dev hoje precisa ser um resolvedor de problemas, não só um digitador de código.

A principal skill de 2026 não é IA. É IE.

Se eu pudesse voltar no tempo, eu diria para mim mesmo: antes de se desesperar para aprender Inteligência Artificial, concentre-se na sua Inteligência Emocional.

É ela que vai te blindar contra o FOMO, evitar o over-engineering e te ajudar a entender que se você perdeu o hiperfoco de escrever código linha a linha, você pode usar ferramentas como o Sequential Thinking para criar novos fluxos de trabalho.


Se você se identifica com essa perda de foco, ou acha que a IA tá mudando rápido demais as regras do jogo, cola lá.

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Alguém mais aqui já sentiu essa perda do "flow" na hora de programar depois que começou a usar ferramentas como Copilot e Claude? Como vocês estão lidando com isso? Deixa aí nos comentários!

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Fala Filipe, também sinto algo semelhante a isso, como se a magia de criar tivesse sido reduzida (já que escrever código não é mais um desafio). Também tô usando OpenCode, e os modelos gratuitos (principalmente o BigPickle) quebram muito o galho em tarefas pequenas.

Recentemente comecei a padronizar a IA quando eu crio um projeto novo, criei todas as especificações de: como eu programo, qual stack uso, padrão de commit, padrão de nomeação de arquivos e pastas e isso deu muito certo. Deixei essa documentação nesse repo público, aí toda vez que eu crio algo novo, peço pra ia ler antes de começar a criar "do zero".