Desenvolvedores definitivamente não deveriam usar o Opus
Vou responder duas perguntas que todos estão se fazendo ultimamente mas até agora não vi ninguém responder com clareza, que são:
- Como gerenciar o débito cognitivo com uso de IA?
- Como escolher o modelo correto para o que preciso fazer?
Todo mundo está atrás do "melhor modelo", e isso nos faz buscar a resposta em benchmarks, marketing e relatos de uso. Só que "o melhor modelo" pode ser justamente o que mais vai trazer prejuízo cognitivo.
Pensa comigo: se você usa um modelo "fraco", que não tem raciocínio profundo, você vai ser obrigado a ter a arquitetura toda na sua cabeça, o modelo vai apenas codificar para você, não pensar. Enquanto se você usa o Opus, por exemplo, ele vai "instintivamente" pensar em tudo, tomar decisões complexas sem te consultar, porque para ele é só um detalhe. E mesmo que sem querer, você acaba delegando praticamente todo raciocínio para o modelo. Isso faz com que o débito cognitivo não esteja associado ao uso de IA ou não, e sim a capacidade do modelo.

Talvez a pergunta que devemos nos fazer não é "Qual o melhor modelo?", e sim "O quanto do raciocínio eu desejo delegar ao modelo?"
Nesse caso a resposta para qual modelo escolher pode não se tratar apenas de custo e desempenho, mas também de quem irá usar. Devs mais iniciantes talvez não devam usar nem mesmo o Sonnet, talvez o DeepSeek ou Qwen possam ser suficientes, para que o dev sinta que está no limite da ferramenta, e não que consegue delegar tudo para ela, permitindo assim o desenvolvimento profissional.
Desenvolvedores mais experientes podem não precisar do Opus também, porque é possível que eles estejam envolvidos com decisões mais críticas, e modelos mais robustos tendem a capturar mais responsabilidade cognitiva. Sendo assim, eu acho que existe um teto de capacidade ideal para modelos no desenvolvimento de software. Talvez até o Sonnet seja exagerado, porque ele consegue entender muita coisa ainda.
Podemos lidar com esses modelos assim como lidamos com hardware. Assim como é exagero comprar uma RTX 5070 TI pra rodar o VSCode, talvez usar um Opus também seja para programação. Esses supermodelos podem ser úteis em outras coisas, quem sabe genética, direito ou algo que envolva pensamento filosófico complexo. Mas para programação me parece overkill.
Um vibe-coder talvez se beneficie com modelos como o Opus, porque ele já não vai saber tomar decisões complexas mesmo, nesse caso é melhor que o modelo assuma. Só que é importante ressaltar que esse tipo de software não deve ser usado em situações de alta responsabilidade. Pode ser bom para protótipos ou ferramentas simples de uso pessoal.
Então eu diria que a melhor métrica para escolher um modelo é justamente o débito cognitivo. E com isso eu proponho escolher o modelo testando de baixo para cima. Em vez de testar começando com o "melhor", teste o "pior", ou mais enxuto. Só suba se ele estiver errando, ou a instrução que estiver sendo passada for mais custosa que programar de fato. Assim como seria feito em upgrades de hardware. É preciso sentir a tensão entre a automação e o entendimento, e buscar um ponto de equilíbrio entre os dois. Se o entendimento começar a cair pode significar que o modelo está mais forte do que deveria.

Mas então qual o melhor modelo?
Eu sei que mesmo depois da minha proposta ainda fica uma angústia de não sabermos com precisão qual modelo escolher, mas eu diria que isso não é uma falha na minha análise, e sim uma falha no mercado, porque ainda é tudo muito recente, estamos como era antes do Git, ou antes do VSCode, éramos obrigados a nos virar com o que tinha, escolher o menos pior, testar um ou outro, até que chegou uma solução "perfeita". Talvez esse modelo nem venha, ou pode ser que já exista, mas é possível que com o tempo, a comunidade irá convergir a um ponto ideal.