Texto raiz sem uso de IA - Verdades que ninguem fala: Minha transição de estágiário para Junior em uma empresa nova e a verdadeira dependencia de IA que se criou
AVISO: TEXTO RAIZ: NÃO FOI UTILIZADA IA PARA CORREÇÃO E TAMPOUCO REVISÃO
Fui estagiário full stack durante 2 anos, com node.js e react.js, o clássico feijão com arroz. Nesse estágio, o primeiro mês foi dado simplesmente para estudar e fazer projeto. A cada 1 semana tínhamos que fazer uma apresentação de um pequeno projeto com os conteúdos que os devs seniores passavam pra gente. Começamos com o básico de HTML e CSS, até chegar ao final do primeiro mês com um projeto completinho que implementava um CRUD usando React no frontend e node.js no backend junto das libs que o sistema real da empresa usava. Isso tudo no final de 2024, onde já tinha bastante IA, mas ainda bem diferente do que é hoje. Nessa época os códigos que o GPT gerava eram ruins, mas era uma excelente forma de tirar dúvidas e aprender sobre a stack que a gente estava estudando.
Só depois do primeiro mês, e com a aprovação dos desenvolvedores seniores, começamos a pegar tasks reais no sistema da empresa. Tasks feitas na mão, horas e horas no mesmo bug que às vezes era necessário chamar um amigo encarnado no Allan Turing da computação pra conseguir resolver. O suco da programação, o jeito raiz, o clássico nerd de TI, que, diga-se de passagem, era muito mais divertido!
E durante todo o meu estágio foi assim. A empresa tinha uma parceria com a minha universidade, então tinha uma vibe um pouco acadêmica onde o uso de IA era bem criticado e mal visto.
Porém, eu já tava insatisfeito ali, e comecei a procurar novas vagas de estágio e também almejando o cargo júnior... até que realmente deu certo -> consegui uma vaga de júnior
Meu salário pulou de R$1500 para R$5500, e junto disso, uma tremenda síndrome de impostor e sensação de burrice absurda e de que eu não sou digno desse valor!
Hoje completo 1 mês e 4 dias que consegui essa vaga de júnior... e meus amigos, eu nunca usei tanta IA na minha vida! e também nunca me senti tão burro!
Grandes diferenças que eu percebi: O contraste do mundo real (corporativo) pro mundo acadêmico
Qualidade na entrega? Fazer e aprender pra consolidar o conhecimento? kkkkkkkkkkkkkkk vai sonhando, amigão.
Aqui a prioridade é a entrega. Os devs, principalmente os com mais tempo de empresa e que já dominam melhor as coisas, estão mais preocupados com a entrega e com o resultado do que com o processo. O trabalho é presencial, e raramente eu olho pro lado e vejo alguém debugando um código. Aqui, é o terminal com o Claude aberto full screen no monitor principal e a IDE no monitor secundário do notebook kkkkkkk. Os devs o dia inteiro mandando prompt, lendo, e até mandando a própria IA dar commit e fazer o push. Agora imaginem eu, que saí de um ambiente acadêmico e fui pra um ambiente onde o que manda é o dinheiro... e se o chef falar que tem que estar pronto pra amanhã... tem que estar pronto pra amanhã!
O chef mandou implementar, tem que implementar até a data. O chef não entende de programação, tampouco os clientes, ele quer ver o dinheiro cair na conta e nada mais importa.
O problema: Eu sou recém-júnior, entrei recentemente na empresa que tem centenas de serviços e microsserviços diferentes, diversas regras de negócio diferentes, não tive meu humilde mês dedicado ao estudo e estou em uma stack completamente diferente da que eu tinha no estágio (Python, FastAPI, Pydantic... e outras libs). É muito tempo lendo o que o Claude me responde e pouquíssimo tempo codando, praticamente zero, eu diria. Sinceramente, eu não lembro a última vez que eu escrevi uma linha de código na mão, e, na verdade, eu me sinto muito mal com isso, mas ao mesmo tempo não é por mal. Se eu não fizer isso, a entrega demora mais pra sair, mas, ao mesmo tempo, o trabalho de colocar a mão na massa, entender bem a estrutura e padrão do código, onde fica cada coisa... não acontece! Mesmo lendo a explicação do Claude quando eu peço pra ele explicar, parece que fica faltando alguma coisa na compreensão. Não sobra tempo pra aprender e ter aquele "clique" de "ahh, entendi", colocando print em várias linhas e vendo a ordem de execução de cada coisa e sentindo aquele sentimento de "estou entendendo". Eu tentei fazer isso, aproveitar que eram demandas mais simples, porém ouvi do meu Tech Lead: "Essa task era pra um dia, não pra dois".
Obviamente eu não quero ser demitido, (ainda mais nesse mercado salgado que pra conseguir outra vaga de emprego vai ser complicada) quero mostrar serviço e eles sabem que eu só tenho 1 mês de casa e não me passam tasks com alta prioridade, mas ainda assim, eu sinto que falta a mão na massa raiz! Porém é revoltante ouvir que sua task era pra 1 dia e você levou 2 pra garantir que estava aprendendo.
Faça projetos pessoais caseiros com a stack que você usa no trabalho que vai ajudar
De fato, vai ajudar bastante, mas na minha rotina atual é impossível! Acordo 6 horas da manhã pra chegar na empresa às 8 e trabalhar até as 17h e sair da empresa e já correr pra aula da faculdade (PÚBLICA) com aula das 18:30 até as 22 horas, chegando em casa umas 23h.
Os finais de semana se tornaram totalmente pra fazer coisa da faculdade e conseguir passar nas disciplinas, e aqui o uso de IA também come solto pra conseguir dar conta de todos os trabalhos.
Conclusão: O dia inteiro mandando prompt pra fazer as tasks, que às vezes eu nem entendo direito o que eu fiz, mas mesmo assim o PR é mergeado kkkkkkkk
Conselhos? Dicas pra minha situação? Estou aberto a conversas e críticas também!