Como a IA atrapalhou minha evolução dentro do mundo do Desenvolvimento (E o que eu fiz pra resolver isso!)
Comecei a estudar desenvolvimento de sistemas em 2022 - mesmo ano em que a IA estava entrando em ascenção - no começo, eu me recusava a utilizar, pois já conhecia a minha própria preguiça mental e não queria ser refém de uma ferramenta que motivasse ainda mais essa preguiça. Eu já estava com dificuldades para entender a lógica de programação e ter acesso a IA exatamente quando eu precisava aprender algo totalmente novo, que exigia algo de mim que eu precisava de muito esforço para entender... não foi um propulsor, foi uma âncora.
Com a novidade, foi ímpossivel não abraçar a IA e todas as "facilidades" que ela poderia me proporcionar, e quanto mais prompts eu escrevia para montar meus códigos (e eles darem errado) mais eu me afastava do meu propósito inicial.
Quando consegui meu estágio, fiz um acordo comigo mesma de não usar a IA para resolver as tarefas, e apesar de conseguir cumpri-lo, ainda assim não consegui sair do lugar, pois não tinha a base para desenvolver os problemas que me eram apresentados, minha ansiedade crescia, e eu sentia o fracasso antes mesmo dele acontecer.
Fiquei nessa posição por 3 anos, eu sabia os conceitos, entendia o que era abstração, reconhecimento de padrões, decomposição e algoritmos - toda a base do pensamento computacional, mas não sabia aplica-los, me sentia travada, nem um código simples eu conseguia criar.
Então no ano passado eu consegui um trabalho CLT na área, eu era assistente, mas tinha projetos inteiros sob minha responsabilidade, pois a empresa era pequena e a equipe de desenvolvimento era composta por três pessoas. A cobrança era grande e o tempo de entrega curto, me entreguei ao vibe coding - a pior coisa que fiz. Se eu já não entendia os conceitos antes, muito menos agora, a IA escrevia os códigos e eu não sabia o que significavam, era apenas Ctrl + C > Ctrl V, se funcionava eu mandava, se não funcionava eu abria outra IA e pedia pra ela consertar até funcionar, quando tinha mais tempo eu pedia pra ela me explicar o que estava acontecendo, mas sem a base, pra mim, tudo não passava de um manual sobre como um acelerador de particulas funciona, sendo que eu não compreendia nem a matemática básica.
Eu sabia que tinha um objetivo, seguir carreira na área tech.
Obstáculo?
Eu mesma e a minha preguiça!
Oque eu fiz?
Apesar de já ter formação técnica, decidi começar do zero, mas dessa vez em uma universidade. Me matriculei em Engenharia da Computação e hoje com as aulas regulares de programação e já tendo bastante vivência na área, percebi que dar alguns passos pra trás, foi a melhor decisão pra poder criar as raízes do meu futuro.
Aquele sentimento de zero? De não saber nada... sumiu! Pois percebi que já conhecia bastante coisa na verdade, só não entendia como aplicar, fiz vários exercícios "bobos" que me deram aquele alívio e me fizeram entender que eu não sou burra, só precisava parar de me culpar, precisava parar com a maldita da alto-sabotagem. Ainda me sinto como uma iniciante, mas agora parece que estou finalmente caminhando.
E a IA? Bom, felizmente hoje não sou mais vibe coding, uso a ferramenta para me guiar quando tenho dúvidas, ela me auxilia na contrução do pensamento. O prompt já começa: "Me explique como fazer X, mas não me dê a resposta...", isso me ajudou muito a entender como várias coisas além do desenvolvimento funcionam, além de me tirar do marasmo e da preguiça que eu sentia ao precisar pensar.
Não temos como barrar a evolução da tecnologia, mas temos duas escolhas: usar ela a nosso favor, como ferramenta guia (quando precisamos) ou deixar que ela faça tudo por nós e nos auxilie a ter um diagnóstico de Alzheimer mais rápido (já que dessa forma, nós não criamos mais caminhos neurais).
É aquela velha frase que diz muito: "Saia da sua zona de conforto".