[PITCH] De Engenheiro Civil a solo founder: como a dor de vender software me fez construir uma ferramenta de screen recording
Minha formação é em Engenharia Civil. Programação sempre foi hobby, algo que estudei por anos em paralelo, fiz cursos, aprendi por conta, mas nunca como profissão.
Há alguns anos, dentro da minha própria área, desenvolvi junto com construtoras parceiras uma plataforma de viabilidade imobiliária chamada Gestinc. Foi onde a programação deixou de ser hobby e virou coisa real de verdade. Aprendi muito construindo aquilo, especialmente quando o vibe coding começou a ganhar força e eu pude usar a base que tinha acumulado para ir mais longe do que conseguiria sozinho antes.
Hoje o Gestinc.app está rodando com clientes e mais de 60 construtoras cadastradas no pipeline de vendas.
O problema apareceu no processo de venda
Vender software é diferente de vender qualquer outra coisa. Você precisa mostrar o produto funcionando, explicar fluxos, demonstrar valor antes de qualquer contrato. E eu sempre fui bom em vender, mas péssimo em produzir o material de suporte para isso.
Não sou técnico em edição de vídeo. Nunca fui. Mas precisava de vídeos de onboarding, demos de produto, walkthroughs internos, e queria que ficassem no mínimo decentes, próximos do profissional possível.
A solução óbvia era OBS mais algum software de edição. Mas configurar OBS do zero, ajustar cenas, lidar com captura de webcam, e depois abrir um editor separado para cortar silêncio, aplicar zoom, ajustar cursor... isso é trabalho demais para quem não é criador de conteúdo de profissão.
Tentei as ferramentas internacionais
Encontrei algumas soluções estrangeiras que resolviam partes do problema. Algumas tinham o que eu queria em termos de gravação, mas faltavam recursos de edição. Outras tinham a edição, mas a gravação era limitada. E todas tinham um problema em comum: eram pagas em dólar, o que no Brasil torna tudo caro rápido demais.
Não encontrei nada brasileiro que juntasse gravação de tela com webcam, edição automatizada e um fluxo simples o suficiente para quem não é especialista nisso.
Aí veio a ideia
Se eu já tinha construído uma plataforma inteira de viabilidade imobiliária usando minha base técnica e as ferramentas de AI disponíveis hoje, por que não construir a ferramenta que eu mesmo precisava?
Tinha o contexto de usuário real: anos usando essas soluções, sabendo exatamente o que faltava. Tinha o processo de venda como caso de uso concreto. E tinha acumulado experiência técnica suficiente para não começar do zero completamente.
O Fouvia nasceu disso. Um app desktop para macOS e Windows que resolve exatamente esse fluxo: gravar tela com webcam, aplicar auto-zoom, suavizar cursor, cortar silêncio, adicionar legendas, tudo dentro da própria gravação. Sem abrir um segundo software de edição.
Muitos dos vídeos de onboarding interno que uso hoje no Gestinc foram feitos com o Fouvia antes mesmo de eu decidir lançar publicamente.
O que aprendi sobre construir com base, não com experiência
A base técnica acumulada em anos de hobby foi o que tornou isso possível. Não porque eu soubesse implementar tudo, mas porque eu entendia o suficiente para avaliar o que as ferramentas de AI geravam, identificar quando algo estava errado e fazer as perguntas certas.
Quem tenta construir software usando AI sem nenhuma base acaba empilhando código que não entende e descobre os problemas quando já está enterrado fundo demais.
Base não te faz expert. Mas te faz um usuário muito melhor das ferramentas que existem hoje.
Uma reflexão sobre vibe coding e o valor de ferramentas focadas
Construir o Fouvia me fez pensar bastante em algo que está virando pauta constante na comunidade técnica: se hoje qualquer pessoa com base razoável consegue construir uma ferramenta funcional em poucas semanas usando AI, o que acontece com o mercado de software?
Minha conclusão honesta é que isso vai se normalizar para certos casos. Você tem uma necessidade muito específica, a solução existente não te atende exatamente, e o custo de construir algo simples caiu tanto que faz sentido fazer. Isso vai acontecer cada vez mais.
Mas tem uma armadilha grande nesse raciocínio...
Uma ferramenta que você constrói para uso próprio, pontual, tende a ser abandonada. Você resolve o problema imediato, usa por um tempo, e quando volta a precisar meses depois ela está ultrapassada, com dependências quebradas, precisando de atualização. O custo de manutenção é constante, mesmo que invisível.
Tem também o custo de tokens. Ficar desenvolvendo e remendando soluções próprias com AI vai ficando caro. Não é gratuito. E esse custo acumulado ao longo do tempo, comparado com assinar uma ferramenta que já foi construída especificamente para aquele propósito, com time dedicado, atualizações contínuas e evolução de produto, muitas vezes não fecha a conta a favor de construir.
Ferramentas como o Fouvia ou o Gesting existem porque alguém ficou obcecado com um problema específico e decidiu resolver de verdade, com melhoria contínua, não como projeto de fim de semana. Essa diferença aparece no produto com o tempo.
Meu entendimento é que vibe coding vai democratizar muito a criação de MVPs e soluções internas pontuais. Mas vai, ao mesmo tempo, valorizar ainda mais as ferramentas focadas, mantidas e evoluídas por quem está comprometido com aquele problema de forma séria. Os dois vão coexistir, e saber distinguir quando construir e quando contratar vai ser uma habilidade importante.
O Fouvia está em fouvia.com, em beta agora. Se você também sente essa dor de produzir vídeos de produto sem ser especialista em edição, faz sentido dar uma olhada.