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Como reconhecer texto escrito por IA: vícios do Opus 5.5

Como reconhecer texto escrito por IA: vícios do Opus 5.5

Você abre um e-mail, um post ou um trabalho de escola e algo soa estranho. A gramática está certa, as frases estão arrumadas, e mesmo assim você desconfia de que está diante de um texto escrito por IA. O difícil é dizer por quê.

Em 1º de outubro de 2026, uma agência chamada Graphite publicou uma medição que ajuda a responder. Ela comparou milhares de artigos de dez modelos de IA (os programas por trás de chatbots como o ChatGPT) com artigos de gente, palavra por palavra, e listou o que o Claude Opus 5.5, o modelo mais novo da Anthropic, repete muito mais do que uma pessoa repetiria.

Este artigo mostra o que o estudo achou, explica por que esses vícios existem e ensina um jeito de ler que funciona em português, sem lista decorada e sem depender de detector.

Resumo rápido: a resposta em 30 segundos. O Opus 5.5 quase parou de usar travessão e escreve com palavras mais próximas das de uma pessoa, mas ainda tem 2.548 vícios medidos. O mais forte é avisar que algo importa: a frase this matters aparece 116 vezes mais do que em texto humano. Cada modelo tem vícios próprios, que mudam a cada versão. Detectores não são confiáveis. Funciona procurar frases que serviriam para qualquer assunto e a falta de detalhe concreto.

Índice

  • O que o estudo encontrou no Opus 5.5
  • Os vícios que entregam um texto escrito por IA
  • Cada modelo tem o seu sotaque
  • Por que a IA escreve assim
  • Por que detector de IA não resolve
  • Como reconhecer texto de IA sem decorar lista
  • O que isso muda para quem escreve com IA
  • Perguntas frequentes

O que o estudo encontrou no Opus 5.5

O estudo encontrou 2.548 vícios de escrita no Opus 5.5, só 4% a menos que os 2.666 do Opus 5, a versão anterior. O modelo melhorou nos vícios famosos, como o travessão, e ficou com um vocabulário mais parecido com o de uma pessoa. Mesmo assim, continua usando milhares de palavras e frases em excesso.

Um vício, nesse estudo, tem definição exata. Os autores chamam de tell (o sinal que entrega, como o tique de um jogador de pôquer que blefa) qualquer palavra, frase ou molde de frase que aparece pelo menos duas vezes mais no texto da IA do que no texto humano.

Pense num amigo que diz "tipo assim" a cada frase. Todo mundo usa a expressão de vez em quando. O que entrega o amigo é a quantidade. Com a IA acontece o mesmo: nenhuma dessas palavras é proibida ou errada, e o sinal está na frequência.

Como a medição foi feita

A Graphite é uma agência de marketing com clientes como Adobe e Webflow, e a pesquisa é assinada por Gregory Druck, diretor de IA da empresa. O estudo original saiu em 16 de setembro de 2026. A atualização com o Opus 5.5 veio duas semanas depois.

O lado humano da comparação são 10.000 artigos de sites, todos publicados antes de 30 de novembro de 2022, dia em que o ChatGPT foi lançado. A data garante que ninguém usou chatbot para escrever aquilo.

O lado da IA foi montado com um cuidado a mais. Cada artigo humano foi resumido, e cada modelo recebeu só o resumo, com a tarefa de escrever um artigo novo do mesmo tamanho. Assim a IA não copia frases do original, e os dois textos tratam do mesmo assunto. Na atualização, entraram na conta os 9.974 temas que tinham texto de todos os dez modelos.

O que melhorou de verdade

Três medidas melhoraram. A primeira é o travessão, aquele traço longo que virou sinônimo de texto de chatbot. O Opus 5 usava 2,92 travessões a cada 1.000 palavras. O Opus 5.5 usa 0,015. É uma queda de 99%, o que na prática significa um travessão a cada 67 mil palavras, mais ou menos o tamanho de um romance curto.

A segunda é o que os autores chamam de prosa afetada: metáfora e enfeite no lugar de afirmação direta. Numa nota de 0 a 100, dada por outro modelo de IA que lia os textos sem saber a origem, o texto humano ficou em 6,65. O Opus 5 marcou 16,75 e o Opus 5.5 caiu para 10,57, ainda 1,6 vez a nota humana.

A terceira é a distância geral entre o vocabulário do modelo e o humano, que caiu 19% em relação ao Opus 5. Isso combina com o que a Anthropic prometeu no anúncio do Opus 5.5, em 22 de setembro: um modelo "menos propenso a usar jargão ou expressões idiossincráticas", ou seja, manias próprias de linguagem.

Em uma frase: o Opus 5.5 escreve mais parecido com gente do que o Opus 5, mas eliminou poucos vícios e substituiu muitos por outros.

Os vícios que entregam um texto escrito por IA

Os vícios do Opus 5.5 se agrupam em quatro famílias: avisar que algo importa, definir uma coisa pelo contraste com outra, elogiar com adjetivos vagos e costurar parágrafos com frases de passagem. Todos foram medidos em inglês. As traduções abaixo servem para você reconhecer o padrão, e as proporções valem só para o inglês. Na tabela, o traço baixo (_) marca o lugar de uma palavra qualquer.

FamíliaExemplo medidoTraduçãoQuantas vezes mais que o humano
Avisar que importathis matters"isso importa"116
Avisar que importawhy _ matters"por que _ importa"92
Contraste prontois more than a _ it"é mais do que um _, é"98
Contraste prontorather than simply"em vez de simplesmente"32
Frase de passagemlooking ahead"olhando adiante"40
Frase de passagemadds another layer"acrescenta outra camada"27
Adjetivo de elogiodependable"confiável"23
Adjetivo de elogiosteady"firme, constante"11

Avisar que algo importa

Este é o vício mais forte do modelo. Em vez de mostrar a consequência de um fato, o texto para e declara que o fato é relevante. This matters aparece 116 vezes mais do que nos artigos humanos, e o molde why _ matters, com qualquer palavra no meio, 92 vezes mais.

Compare duas frases sobre o mesmo assunto. A primeira: "A bateria dura dois dias. Isso importa." A segunda: "A bateria dura dois dias, então dá para viajar no fim de semana sem levar o carregador." A segunda não precisa avisar nada, porque a consequência já está escrita.

O contraste pronto

Em abril de 2026, o TechCrunch mostrou como a construção "não é só X, é Y" tinha invadido comunicados de empresas. O Opus 5.5 abandonou essa forma, que ficou conhecida demais. No lugar entrou uma prima: "é mais do que um X, é um Y", 98 vezes mais comum do que em texto humano.

O truque é o mesmo. A frase inventa uma ideia fraca só para derrubá-la e parecer profunda. "Um celular é mais do que um telefone, é uma janela para o mundo" não informa nada que o leitor não soubesse.

Adjetivos de elogio e frases de passagem

A terceira família são adjetivos que aprovam sem descrever. Dependable (confiável) aparece 23 vezes mais, steady (constante) 11 vezes, thoughtful (atencioso, cuidadoso) 9 vezes. São palavras que cabem em qualquer avaliação de qualquer produto.

A quarta são as pontes entre parágrafos: what comes next ("o que vem a seguir", 24 vezes), looking ahead ("olhando adiante", 40 vezes), adds another layer ("acrescenta outra camada", 27 vezes). Um redator humano costuma passar de uma ideia à outra sem anunciar a passagem.

Cada modelo tem o seu sotaque

Os modelos erram cada um do seu jeito. No estudo original, a Graphite contou 12.877 vícios diferentes em nove modelos, e 65% deles aparecem em uma única linha de modelos (só nos Claude, só nos GPT ou só nos Gemini). O Opus 5.5 ainda não estava nessa conta. Quem aprende a lista de um modelo não reconhece o outro.

ModeloVício típicoTravessãoTendência
Claude Opus 5.5 (Anthropic)avisa que algo importa; superlativos como "o mais popular"99% a menos que o Opus 5vocabulário cada vez mais perto do humano
GPT-6 Astra (OpenAI)ressalvas: may provide ("pode oferecer"), not simply ("não simplesmente")88% abaixo do nível humanovocabulário cada vez mais longe do humano
Gemini 3.1 Pro (Google)intensificadores como "absolutamente" e "incrivelmente", 13 vezes mais que o humanoquase zeroprosa afetada em cerca de 2,5 vezes a nota humana

A comparação direta entre o Opus 5.5 e o GPT-6 Astra ajuda a ouvir a diferença. O Astra hesita: usa may provide 18 vezes mais do que o Opus 5.5. O Opus 5.5 exagera: escreve "o mais popular" 45 vezes mais do que o Astra. Um parece um advogado cauteloso, o outro um vendedor animado.

Os dois também andam em direções opostas. O estudo mede a distância entre o vocabulário de cada modelo e o humano, numa escala em que zero seria um texto igual ao de gente. No Claude ela vem caindo, de 0,064 no Opus 5 para 0,052 no Opus 5.5. Na OpenAI subiu, de 0,101 no GPT-5.6 Sol, a versão anterior, para 0,109 no GPT-6 Astra.

Por que a IA escreve assim

A IA tem vícios porque escreve escolhendo, a cada passo, uma continuação provável para a frase. O que aparece muito nos textos que ela leu e agrada a quem avalia as respostas antes do lançamento vira hábito. Os laboratórios, como são chamadas as empresas que criam os modelos (Anthropic, OpenAI e Google), cortam os vícios que ficam famosos, mas não controlam todos.

Um modelo de linguagem é um programa que aprendeu a prever a próxima palavra lendo uma quantidade enorme de texto. Funciona como o teclado do celular que sugere a palavra seguinte, só que em escala muito maior. Peça uma frase sobre um produto e "confiável" é uma aposta segura, porque serve para quase tudo.

Depois do treino, as empresas ajustam o modelo para soar útil e claro. É aí que nascem os excessos. Um texto que avisa "isso importa" parece organizado para quem avalia uma resposta por vez. O problema só aparece quando alguém lê mil textos e vê a mesma frase em todos.

O travessão mostra o que acontece em seguida. O sinal virou piada na internet, e o uso mudou nos três laboratórios. O Opus 5.5 e o Gemini 3.1 Pro quase o eliminaram, e o Astra passou a usar menos travessão do que as pessoas usam. A correção passou do ponto: hoje, a ausência total do traço num texto longo é que foge do padrão humano.

Em entrevista ao TechCrunch, Druck disse que os vícios não estão diminuindo: os mais conhecidos saem e outros surgem, e cada versão tem os seus. A hipótese dele é que os laboratórios controlam isso menos do que se imagina, porque os modelos têm bilhões de parâmetros (pense em bilhões de botões de ajuste, regulados sozinhos durante o treino) e o número de testes é finito.

Os números sustentam a hipótese. Os 11 vícios mais famosos, como a palavra delve (aprofundar-se) e os parágrafos que sempre terminam com uma frase de efeito, perderam 53% da força do Opus 4 para o Opus 5.5. No mesmo intervalo, a contagem total de vícios caiu de 3.746 para 2.548, uma queda de 32%. Os famosos encolhem bem mais rápido do que o conjunto.

Por que detector de IA não resolve

Detector de IA não resolve porque erra para os dois lados: deixa passar texto de máquina levemente editado e acusa texto de gente. Como os vícios mudam a cada versão, a ferramenta está sempre treinada para o modelo anterior. O resultado de um detector serve como pista e nunca como prova.

Um detector é outro programa de IA, treinado para dizer se um texto parece de máquina. Ele dá uma probabilidade, do mesmo jeito que a previsão do tempo dá chance de chuva. Um aviso de "80% IA" quer dizer que a ferramenta estima em 80% a chance de o texto ser de máquina, e não que 80% dele foi gerado.

Em 2023, um grupo liderado pela pesquisadora Debora Weber-Wulff testou 14 dessas ferramentas, entre elas o Turnitin, um programa de checagem de trabalhos acadêmicos. A conclusão do artigo publicado é direta: elas não são precisas nem confiáveis, tendem a classificar texto de IA como humano, e qualquer disfarce simples piora o desempenho.

O erro inverso é mais grave. Um estudo de Weixin Liang e colegas mostrou que os detectores classificam como IA textos de pessoas que não têm o inglês como língua materna. A escrita mais simples e previsível de quem aprendeu a língua depois se parece, para a ferramenta, com a de um chatbot. Para um estudante, isso pode virar uma acusação de fraude.

Existe uma saída técnica, a marca-d'água, parecida com a da cédula de dinheiro: invisível no uso comum e clara para quem sabe onde olhar. A ideia, descrita em 2023, é o próprio modelo dar leve preferência a um grupo secreto de palavras enquanto escreve. O leitor não percebe, e um programa que conhece o grupo consegue medir. Só funciona se a empresa dona do modelo ativar o recurso, e nada obriga quem quer enganar a usar um modelo marcado.

Como reconhecer texto de IA sem decorar lista

O caminho mais seguro é procurar o que as listas têm em comum: frases que serviriam para qualquer assunto, importância anunciada sem consequência, elogio sem descrição e ausência de detalhe que só quem viveu a situação saberia. Esses sinais dependem da ideia da frase, e por isso tendem a valer em outros idiomas e versões, coisa que uma lista de palavras não faz.

A melhor referência pública nasceu na Wikipédia. Os editores voluntários, que recebem contribuições geradas por chatbot todos os dias, mantêm um guia chamado "Signs of AI writing" (sinais de escrita de IA). O TechCrunch o chamou de melhor guia disponível sobre o tema.

Na próxima vez que desconfiar de um texto, faça estas cinco perguntas:

  1. A frase serviria em outro texto? "Um marco importante para o setor" cabe em qualquer notícia. Frase humana costuma estar presa ao assunto.
  2. O texto diz que algo é importante ou mostra o efeito? Procure a consequência concreta. Se ela não vier, é ênfase vazia.
  3. Quem disse? "Especialistas apontam" e "estudos indicam", sem nome nem link, são atribuições vagas que o guia da Wikipédia lista como sinal.
  4. Há nome, data, lugar, número? Texto de gente que apurou tem detalhe verificável. Texto genérico fala de "pesquisadores" e "empresas".
  5. O ritmo varia? Parágrafos do mesmo tamanho, todos fechando com uma frase de efeito, indicam fórmula.

Veja as cinco perguntas em ação num exemplo que montamos com os vícios do estudo passados para o português: "O novo aplicativo do banco é mais do que uma ferramenta, é um parceiro confiável. Isso importa. Olhando adiante, especialistas apontam que a novidade acrescenta outra camada à experiência do cliente."

Nenhuma dessas frases diz o que o aplicativo faz. Agora a versão de quem usou: "O aplicativo novo do banco mostra o saldo sem pedir senha e faz Pix em dois toques. Caiu duas vezes na primeira semana." Menos elegante, e com fatos que dá para conferir.

Um sinal ajuda no sentido contrário. No estudo da Graphite, as marcas mais humanas eram as da informalidade: primeira pessoa, expressões soltas e ponto de exclamação. Só a exclamação aparecia nos artigos de gente mais de 100 vezes mais do que nos de IA. Já em 2022, Daphne Ippolito, pesquisadora do Google, dizia à MIT Technology Review que erro de digitação é bom indício de autoria humana.

Agora o freio. O próprio guia da Wikipédia avisa que esses padrões são sinais possíveis de um problema, e que muita gente escreve assim sem IA nenhuma. Ele também pede para não confiar só em detectores e cita um estudo de 2025 em que pessoas tentando distinguir texto de IA acertaram tanto quanto o acaso. Um sinal isolado não prova nada. Vários juntos justificam uma pergunta.

O que isso muda para quem escreve com IA

Muda a revisão. Se você usa IA para escrever, o risco real é entregar um texto genérico, com as manias do modelo no lugar da sua voz. Ser "pego" por um detector é o menor dos problemas. E se você lê ou avalia textos dos outros, a lição é a cautela antes de acusar.

Se você éO que fazer
Estudante ou profissional que escreve com IAReleia cortando todo aviso de importância e todo adjetivo que não descreve. Acrescente o detalhe que só você conhece.
Professor ou gestor que avalia textosNão use detector como prova. Converse sobre o conteúdo: quem escreveu sabe explicar o que escreveu.
Leitor comumUse as cinco perguntas para medir a qualidade do texto. Texto vazio é ruim, venha de onde vier.
Quem cria conteúdo para site ou rede socialDê ao modelo regras de escrita e exemplos seus. A Anthropic diz que o Opus 5.5 segue as regras de escrita que recebe.

Trocar de modelo não resolve, porque cada um tem o seu sotaque. Se você quer entender o que o modelo da Anthropic entrega além do texto, vale ler a nossa análise do Claude Opus 5.5. Para acompanhar os outros lançamentos, a página de inteligência artificial reúne tudo o que publicamos sobre o tema.

Perguntas frequentes

Travessão ainda entrega um texto de IA?

Cada vez menos. O Opus 5.5 usa 99% menos travessões que o Opus 5, o Gemini 3.1 Pro quase não usa e o GPT-6 Astra usa menos que uma pessoa. Um texto cheio de travessões hoje pode vir de um modelo antigo ou de um humano que gosta do sinal.

Dá para confiar em detector de IA?

Como prova, não. O teste com 14 ferramentas concluiu que elas não são precisas nem confiáveis, e outro estudo mostrou que acusam injustamente quem escreve em inglês como segunda língua. O resultado serve, no máximo, como motivo para olhar o texto com mais atenção.

Como saber se um texto é de IA em português?

O estudo da Graphite só traz exemplos em inglês, então não existe lista medida para o português. O que dá para levar são os padrões: importância anunciada sem consequência, contraste pronto, elogio vago e falta de detalhe concreto. Eles dependem da ideia da frase, e a ideia sobrevive à tradução.

Os vícios de escrita da IA vão desaparecer?

Pelos dados, eles mudam mais do que somem. Do Opus 5 para o Opus 5.5 a contagem caiu só 4%. E no estudo original, comparando duas versões seguidas do mesmo fabricante, mais da metade dos vícios aparecia em só uma delas. É mais útil aprender o padrão do que a palavra.

O estudo tem limitações?

Tem, e os autores listam várias. Os textos são artigos de sites, e os vícios podem ser outros numa conversa com o chatbot. Todos os modelos receberam a mesma instrução, e instruções diferentes dariam resultados diferentes. A nota de prosa afetada foi dada por outro modelo, o Claude Opus 5, o que pode distorcer a nota.


Da próxima vez que um texto soar estranho, você já sabe onde olhar: menos para o travessão, mais para a frase que promete importância e não entrega nada. E se o texto for seu, a revisão é a mesma.


Publicado originalmente no kalkazu.org, onde saem análises sobre IA em português e inglês.

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