EP19: Registries: a nova base do Frontend moderno
🧭 Mapa da Edição
📓 Depois de meses ancorado, volto para um front-end diferente: menos abstração fechada, mais código nas mãos do dev. Registries não são moda — são direção.
🌊 O CSS finalmente resolve problemas antigos, agentes nascem de frases e GPTs ficam mais rápidos que o loading spinner.
📦 O mar muda, o stack muda, o papel do desenvolvedor também. E talvez estejamos entrando numa era onde controlar a base é o verdadeiro diferencial.
📓 Entrada no Logbook
Queria falar com vocês sobre algo que acredito estar se tornando cada vez mais uma espinha dorsal no desenvolvimento Frontend — especialmente com Tailwind.
MUI, AntD, ChakraUI, React Suite, React Bootstrap… as conhecidas bibliotecas de Design Systems já foram extremamente comuns em diversas aplicações. E quando digo que “foram”, não significa que deixaram de ser usados — ainda são. Mas estão cada vez mais raros em projetos novos.
O oceano agora está repleto de copy and paste (ou “copia e cola”, para os íntimos).
Os chamados: Registries.
Mas antes de ir longe demais:
O que é um registry, afinal?
Em termos simples, é um arquivo (geralmente JSON) que descreve um componente — suas dependências, estrutura e código — e que, através de um comando CLI, pode ser extraído e colado diretamente no seu projeto. Isso quando você opta pela “instalação” automática e não manual.
Para entender o que são registries, precisamos falar antes do que foi — e do que é — o Shadcn.
Esse quase Satoshi do design web apareceu há alguns anos trazendo uma série de componentes pré-estilizados com Tailwind em cima de uma biblioteca headless chamada Radix. A premissa era simples: componentes headless, instalação atômica (instale apenas o que for usar), com uma estilização opinada por cima.
Como instalar?
- CLI: um simples comando instala as dependências necessárias e “copia” o código para seu projeto.
- Manual: pela documentação, você pode literalmente copiar a implementação e colar no seu código.
Ambas têm algo em comum: o código não fica na node_modules.
Ele não é uma dependência opaca.
Ele se torna parte do seu projeto — 100% maleável e editável por você.
E aqui está o ponto central: o propósito de um registry não é que você copie, cole e use.
É que você copie, cole, adapte e use.
Ele entrega a base lógica e visual. Você ajusta como quiser: troca variants, comportamentos, bibliotecas externas. Não gosta de Lucide? Use Phosphor. Não curte o padrão composable? Crie um wrapper com as partes.
Hoje isso foi além do Shadcn. Registries se espalharam. O padrão de distribuição mudou. Já existem diversas fontes criando componentes, lógicas e elementos visuais disponibilizados nesse formato.
Existem registries de ícones animados, hooks, componentes 8bit, neobrutalism, elementos de IA e muito mais.
Alguns exemplos:
- **8Bitcn:** componentes em estilo 8bit
- **Aceternity:** componentes com animações impressionantes
- Coss: focado no headless BaseUI
- ElevenLabs UI: componentes voltados para áudio (estou tentando arrumar uma desculpa para usar 🫠)
- E muitos outros no diretório oficial do Shadcn
Shadcn está criando um império e ditando as regras? Quase.
Muitos registries já foram além do próprio Shadcn. Mas é inegável: registries vieram para ficar.
O motivo? IA e manutenção.
Quem já usou design systems tradicionais sabe como pode ser difícil customizá-los para que tenham “a cara do projeto”. Classes com nomenclaturas quase indecifráveis, !important espalhado, overrides frágeis…
Com registries, a história muda.
O código está ali.
Usando CSS Variables, tokens, semantic tokens — todos sob seu controle.
E aqui entra um fator novo: as IAs.
Quando o código vive dentro do seu projeto, a IA não precisa adivinhar como uma biblioteca funciona internamente. Ela lê, entende e modifica direto na fonte. O pedido vira uma edição clara em um arquivo claro — sem brigar contra abstrações fechadas.
Hoje já existem muitos registries. O próprio Shadcn expandiu além do Radix, adicionando suporte ao novo queridinho do momento: BaseUI — mais enxuto e ainda menos opinado, para quem quer controle total sobre comportamento.
Como era de se esperar, esse movimento gerou impacto. Muitos registries começaram a migrar (ou já migraram) para BaseUI — seja adicionando suporte, seja trocando totalmente a base.
Eu amo registries.
Para mim, é uma das melhores evoluções recentes no desenvolvimento Frontend quando falamos de construção de componentes, lógica e visual.
Por ter tudo pronto? Não.
Quem me conhece sabe que prefiro coisas mais manuais — principalmente CSS (amo fazer CSS, julgue-me se quiser).
Mas os registries se tornaram um boost. Um ponto de partida prático, em cima do qual adapto, melhoro, refino, adiciono ou removo conforme necessidade.
E a maioria ainda segue o padrão composable (componentes em partes, tipo quebra-cabeça: DialogRoot, DialogTrigger, DialogContent). Se você ainda não usa esse padrão, recomendo fortemente. Sua versão futura vai agradecer pela deliciosa Developer Experience (DX).
Meses ancorado no porto. Agora voltamos a velejar.
Se antes a promessa era “eu cuido do visual por você”, hoje parece ser:
“te dou a base — o resto é seu.”
A maneira de velejar muda. O mar também.
Cabe a nós ajustar o barco.
PS: A partir deste episódio, convido vocês a acessarem também a versão no Substack (onde os episódios ficam disponíveis além do email). Lá estou trazendo uma versão em podcast, com duas IAs conversando sobre o tema, gerado via NotebookLM. Acho que vai ser interessante.
🌊 Marés da semana
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O Google Labs liberou o "NotebookLM Plus" para usuários corporativos e educacionais
A ferramenta agora permite que você conecte bases de dados inteiras do Google Drive para criar uma interface de chat técnica sobre documentações privadas. O diferencial é a nova capacidade de "raciocínio estruturado" para identificar inconsistências em requisitos de software.
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Nvidia e SoftBank anunciam a primeira rede 5G impulsionada por IA (AI-RAN) em escala comercial
Diferente das redes tradicionais, essa infraestrutura usa GPUs para processar o tráfego de rede e, simultaneamente, rodar cargas de trabalho de IA na borda (edge computing). Isso reduz a latência de inferência para milissegundos diretamente na torre de sinal.
📦 Treasure - Good Stuff
Para combinar com o tema, os tesouros de hoje serão alguns registries favoritos que gosto de explorar quando possível:
- React Bits: A large collection of animated, interactive & fully customizable React components for building memorable websites.
- MagicUI: UI Library for Design Engineers. 150+ free and open-source animated components and effects built with React, Typescript, Tailwind CSS**.**
⚓ Se chegou até aqui, já deu pra sentir o clima de bordo.
Essa é uma das entradas do meu Logbook for Devs —
onde registro ideias, reflexões técnicas e ferramentas que cruzam meu caminho na jornada dev.
Toda terça e quinta tem uma nova anotação de rota, com marés atualizadas e tesouros recém-descobertos.
⛵ Quer seguir viagem comigo?
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