O que um MOBA me ensinou sobre carreira dev
Um dos jogos que mais joguei durante toda minha infância e adolescência foi Smite. Para quem não conhece, é um MOBA em terceira pessoa cujos personagens são deuses mitológicos — gregos, nórdicos, egípcios, maias, incas, japoneses... Para fins de comparação, é um League of Legends com uma câmera mais imersiva.
Eu amava aquele jogo. Meu personagem principal era o Thor, assassino (ou jungle, para os íntimos do gênero). Foi minha primeira maestria 10, com direito a skin dourada e diamante. Depois veio a Neith, a deusa tecelã (DPS), e a Belona, guerreira (Solo). Por muito tempo, foquei apenas neles. Eu dominava cada habilidade, peculiaridade e movimentação. Com o tempo, eu conseguia identificar até como os adversários que usavam esses personagens iriam se comportar. Afinal, eu conhecia o "kit" deles de cor.
Eu jogava em um trio com dois amigos. Um deles, meu primo, um dia me disse: “Jogue com outros bonecos. Você precisa variar, pegar pelo menos maestria 1 com eles; assim você vai saber como jogar contra”.
Todo mundo tem seus favoritos e é chato ter que jogar com personagens que você não gosta ou sabe que é "ruim". Mas aquela frase tinha muito valor. Eu segui a sugestão e, por muito tempo depois, eu não apenas sabia jogar com os meus personagens, mas sabia ler as possíveis ações dos inimigos, independente dos deuses que selecionassem. Eu entendia o que eles podiam fazer, como funcionavam os poderes e, principalmente, quais eram as limitações.
Hoje, isso se replica em outros jogos, como Overwatch. Não há um personagem sequer que eu não tenha jogado ao menos 5 horas para entender passivas e movimentações. Tudo para saber como lidar com eles.
E sabe onde mais aquela frase de um jovem adolescente se encaixa? Na sua carreira como desenvolvedor.
Eu sempre afirmo ser o tal "Frontend heavy". É onde busco diariamente adquirir maestria nas habilidades, "poderes" e passivas que essa função exige. Mas, na hora de atacar as torres, coordenar com o Backend solo, com o Designer mid lane ou com o pessoal de Infra que dá o suporte, eu sei o que pedir. Eu sei o que eles fazem e conheço suas dificuldades porque eu já "joguei" com eles.
O famoso Profissional em T, que os anúncios da Alura ou Rocketseat tanto falam, é real — e ele existe até nos jogos. Se você precisa implementar algo que depende do Backend ou acionar o time de Infra, como falar com eles? O que pedir? Você não vai pedir algo impossível para a lane errada e querer que entendam, né?
Se você entende a outra função, você antevê movimentos e economiza builds por já saber o que comprar (ou o que pedir) antes de sair da base. Quando você fala a língua do time todo, você se torna o jogador que "joga bem".
Com o tempo, tive diversos contatos e tarefas onde precisei mexer com Backend puro, infraestrutura, banco de dados, deploys e CI/CD. Se você me perguntar sobre melhores práticas de arquitetura para escalar milhões de acessos, eu não vou ter a resposta pronta de imediato — precisaria de um "tempo de preparo à la Batman". E tudo bem! Não são minhas especialidades, mas eu entendo o suficiente para ter a noção básica e saber como pesquisar o que não sei. Enquanto isso, no que escolhi ter maestria, eu entrego com velocidade.
Recentemente, minha esposa me recomendou um site chamado UX Hub. Nele, você preenche suas habilidades pontuando de 0 a 5 (de "nunca ouvi falar" até "sou o mestre"). O divertido é que ele gera um gráfico mostrando sua presença em cada área. Não é estritamente focado em dev (é mais voltado para Gestão, Design, IA e Front), mas o visual é matador para entender seu momento.
Meu gráfico ficou assim:
Parece uma estrela deformada, tadinha... mas ainda tenho muitos personagens e funções para pegar ao menos maestria 1, aparentemente. 🫣
Resumindo o logbook de hoje: repito a você as mesmas palavras que ouvi jogando Smite: “Jogue com outras áreas, pelo menos até a maestria 1”. Assim, você saberá como se comunicar, se defender e trabalhar em equipe.
Seja o duo que todo mundo gostaria de ter: faça bem o seu, mas compreenda o do outro.
GG.
🌊 Marés da semana (Direto da Newsletter)
-
OpenAI adquire Promptfoo: O foco agora é DevSecOps em IA A OpenAI comprou a Promptfoo, ferramenta open-source de testes sistemáticos para apps de IA. A ideia é integrar a tecnologia de avaliação diretamente na infraestrutura dos modelos para pegar vulnerabilidades antes do deploy. 🛠️
Finalmente estamos saindo do "vibe coding" para algo sério. Para nós, isso significa que testar prompts e saídas de agentes deixará de ser uma gambiarra manual para virar parte integrante da CI/CD. Menos alucinação, mais segurança.
-
Nanomedicina 2.0: De carreadores passivos a agentes responsivos Pesquisas de março mostram que a nanomedicina evoluiu de simples cápsulas para terapêuticas "mecanicamente conscientes", capazes de sentir forças físicas no corpo e ajustar a entrega de drogas em tempo real. 🧬
É basicamente sistemas embarcados em escala nanométrica. O "código" aqui é químico e biológico, mas a lógica de sensores e atuadores é idêntica ao que fazemos em IoT. A biotecnologia está virando, cada vez mais, uma disciplina de engenharia de software aplicada.
-
Cúpula Nuclear de Paris e a fome de energia da IA Líderes globais reafirmaram o papel central da energia nuclear para sustentar a demanda massiva dos novos data centers de IA, com foco em reatores modulares pequenos (SMRs). ⚡
O hardware e a energia voltaram a ditar o ritmo do software. Como devs, precisamos começar a olhar para o "Green AI" e eficiência de inferência, pois o custo energético de rodar modelos gigantes está redesenhando a geopolítica mundial.
📦 Treasure - Good Stuff (Direto da Newsletter)
Para os tesouros desta edição, trago ferramentas originais do Logbook for Devs. Projetos que nasceram do próprio laboratório do Logbook.
- Yggdrasil Worktree (Yggtree CLI): Como a grande árvore mítica nórdica conecta diferentes reinos, o Yggtree conecta múltiplos ambientes de trabalho dentro do mesmo repositório.
Usando Git Worktrees, ele permite criar ambientes isolados para cada tarefa, PR ou experimento. Assim você pode trabalhar em paralelo, testar ideias ou correr com aquele hotfix ou PR Review sem precisar trocar de branches, fazer stash ou interroper o fluxo atual. - Excel-ent: Uma biblioteca para gerar exports de Excel e CSV de forma estruturada. Baseada em SheetJS, ela facilita criar planilhas com múltiplos estilos e organização previsível de dados, tanto no browser quanto no backend.
📜 Arquivos de Bordo
🖼️ Infográfico do Episódio
Seu mapa visual para salvar e consultar
→ Este conteúdo está disponível na versão oficial publicada no Substack.
⚓ Se chegou até aqui, já deu pra sentir o clima de bordo.
Essa é uma das entradas do meu Logbook for Devs —
onde registro ideias, reflexões técnicas e ferramentas que cruzam meu caminho na jornada dev.
Toda terça e quinta tem uma nova anotação de rota, com marés atualizadas e tesouros recém-descobertos.
⛵ Quer seguir viagem comigo?
Embarque aqui.