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Como usei IA para criar uma Central da Copa 2026, e por que isso não foi “só pedir para a IA fazer”

Por Lucas Sodré.

Recentemente desenvolvi um projeto chamado Central da Copa 2026, uma aplicação web para acompanhar a Copa do Mundo FIFA de 2026, reunindo informações como jogos, tabela e transmissões em uma experiência simples, direta e pensada para quem quer consultar rapidamente o que importa.

O projeto está disponível aqui:

https://centraldacopa.app.br/

A ideia nasceu de uma necessidade bem comum: quando chega uma Copa do Mundo, as informações ficam espalhadas. Você quer saber quando tem jogo, quem joga, em qual fase, onde assistir, quais partidas estão próximas e como acompanhar tudo sem precisar abrir vários sites diferentes.

A Copa de 2026 tem um desafio adicional: ela é maior do que as edições anteriores. São mais seleções, mais jogos, mais fases, mais horários e mais possibilidades de confusão para quem só quer acompanhar o torneio de forma prática.

Por isso, meu objetivo foi criar uma central simples, organizada e útil.

Mas o ponto principal deste relato não é apenas o produto final. É o processo.

Eu sou engenheiro de software sênior e usei IA para desenvolver praticamente toda a aplicação. Mas isso não significa que eu simplesmente escrevi “crie um site da Copa” e aceitei qualquer resultado.

Na prática, o trabalho foi muito mais parecido com liderar um desenvolvedor extremamente rápido, mas que precisa de direção clara.

IA não substituiu engenharia. Ela amplificou engenharia.

O que mais mudou em 2026, comparando com minha experiência em 2025, foi a qualidade da colaboração.

Em 2025, eu já tinha desenvolvido uma solução semelhante para acompanhar a Copa do Mundo FIFA de Clubes. Na época, a IA ajudava bastante, mas ainda exigia muito mais correção manual, retrabalho, revisão de estrutura e explicações repetidas.

Em 2026, a sensação é diferente.

A IA já consegue lidar melhor com contexto, manter consistência entre arquivos, entender regras de negócio com mais profundidade, sugerir componentes, ajustar layout, refatorar trechos, criar testes e corrigir problemas de forma mais próxima de um fluxo real de engenharia.

Mesmo assim, o papel humano continua sendo decisivo.

Eu defini o produto.
Eu defini o fluxo de navegação.
Eu defini as regras de negócio.
Eu revisei a experiência de uso.
Eu conduzi as decisões técnicas.
Eu validei se o resultado fazia sentido.
Eu pedi ajustes quando a IA seguia um caminho genérico demais.
Eu cobrei consistência, clareza e qualidade.

A IA executou muito, mas a direção foi humana.

O que eu precisei fazer além de “pedir código”

Uma coisa que ficou muito clara nesse projeto é que a qualidade do resultado depende diretamente da qualidade da condução.

Meu trabalho foi transformar uma ideia vaga — “uma central para acompanhar a Copa” — em decisões concretas de produto e engenharia.

Algumas decisões que precisei orientar:

  • Como organizar as informações principais para o usuário não se perder;
  • Como tratar jogos, fases, horários e transmissões;
  • Como deixar a interface simples para consulta rápida;
  • Como pensar a experiência mobile, já que muita gente acompanha esse tipo de informação pelo celular;
  • Como evitar uma interface poluída, mesmo lidando com muitos dados;
  • Como separar responsabilidades no código;
  • Como validar regras e comportamentos esperados;
  • Como revisar o que a IA entregava antes de aceitar como pronto.

Esse ponto é importante porque existe uma visão superficial de que usar IA para programar é “não programar”.

Na minha experiência, é o contrário.

Quanto mais capacidade a IA ganha, mais importante fica saber especificar, revisar, testar, priorizar e tomar decisão técnica.

A diferença é que, em vez de gastar a maior parte do tempo digitando cada linha de código, eu consigo gastar mais energia pensando no produto, na arquitetura, nos casos de uso e na qualidade final.

O ganho real não foi só velocidade

Velocidade foi um ganho óbvio.

Mas, para mim, o maior ganho foi conseguir iterar mais.

Eu conseguia testar uma ideia de interface, perceber que não estava boa, pedir uma variação, ajustar a hierarquia visual, mudar a abordagem, revisar o fluxo e seguir refinando.

Esse tipo de iteração normalmente custa caro em energia. Com IA, ficou mais barato experimentar.

Isso muda bastante a forma de construir produto.

Antes, muitas vezes eu evitava testar certas ideias porque sabia que teria um custo alto de implementação. Agora, consigo explorar alternativas com mais liberdade — desde que eu continue fazendo o papel de filtro técnico e de produto.

A IA acelera a criação, mas ainda cabe ao engenheiro decidir o que merece ficar.

Onde a IA ajudou mais

Neste projeto, a IA foi especialmente útil em algumas frentes:

  1. Estruturação inicial da aplicação;
  2. Criação de componentes;
  3. Ajustes de layout e responsividade;
  4. Organização de dados;
  5. Refatoração de trechos;
  6. Sugestão de melhorias de experiência;
  7. Criação e revisão de regras;
  8. Testes e validações;
  9. Correção de inconsistências;
  10. Polimento final.

Mas em todos esses pontos, a IA funcionou melhor quando recebeu instruções claras.

Quando eu era genérico, o resultado era genérico.
Quando eu especificava melhor o comportamento esperado, o contexto do usuário e as restrições do produto, o resultado melhorava muito.

Esse talvez seja um dos aprendizados mais importantes: IA boa não elimina a necessidade de clareza. Ela aumenta o retorno de quem sabe ser claro.

O que mudou de 2025 para 2026

Comparando com a solução que fiz em 2025 para a Copa do Mundo FIFA de Clubes, senti algumas diferenças bem fortes.

A IA de 2026 entende melhor tarefas maiores.
Mantém melhor o contexto do projeto.
Erra menos em mudanças espalhadas por múltiplos arquivos.
Consegue ajudar melhor com testes.
É mais útil para revisar código.
Lida melhor com refatorações.
Consegue colaborar de forma mais próxima de um fluxo real de desenvolvimento.

Em 2025, muitas vezes parecia que eu estava usando uma ferramenta de autocomplete muito avançada.

Em 2026, a sensação é mais próxima de trabalhar com agentes de desenvolvimento: eu descrevo uma intenção, defino restrições, reviso o plano, deixo executar, testo, corrijo a rota e sigo iterando.

Isso não torna o processo automático. Torna o processo mais produtivo.

O desenvolvedor continua sendo responsável

Um ponto que considero essencial: usar IA não tira a responsabilidade técnica de quem está construindo.

Se a regra de negócio está errada, a culpa não é da IA.
Se a experiência ficou confusa, a culpa não é da IA.
Se o código está frágil, a culpa não é da IA.
Se não houve teste, revisão ou critério, a culpa não é da IA.

A IA pode sugerir, escrever, adaptar e acelerar. Mas quem assina a decisão continua sendo o engenheiro.

Por isso, vejo cada vez menos sentido na pergunta “a IA vai substituir programadores?” e cada vez mais sentido na pergunta:

Que tipo de programador consegue extrair valor real da IA?

Na minha visão, quem mais ganha com IA não é necessariamente quem sabe pedir “faça uma tela bonita”.

É quem sabe decompor problema, definir regra, pensar fluxo, revisar arquitetura, testar comportamento, identificar inconsistência e transformar uma ideia em produto utilizável.

Conclusão

Criar a Central da Copa 2026 com IA foi uma experiência muito interessante porque mostrou, na prática, como o desenvolvimento de software está mudando.

Eu não deixei de ser engenheiro de software durante o processo. Pelo contrário: precisei usar ainda mais julgamento técnico.

A diferença é que a IA assumiu boa parte da execução operacional, enquanto eu fiquei mais focado em direção, produto, arquitetura, qualidade e validação.

Para mim, esse é o ponto mais forte da IA em desenvolvimento hoje.

Ela não transforma uma ideia ruim automaticamente em um bom produto.
Ela não substitui clareza de pensamento.
Ela não elimina regra de negócio.
Ela não dispensa testes.
Ela não remove a necessidade de revisão.

Mas, quando bem conduzida, ela permite que um engenheiro experiente construa mais rápido, teste mais ideias e chegue a um resultado melhor em menos tempo.

A Central da Copa 2026 foi um ótimo exemplo disso para mim.

Não foi “a IA fez sozinha”.

Foi engenharia guiada por humano, com execução acelerada por IA.

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Ficou bem legal, queria apenas levantar alguns pontos:

  • Percebi que o texto tem vários "vícios" do chatgpt, aqui no site é comum usar ele pra fazer os posts mas seria legal substituir algumas coisas para deixar o texto mais natural (como excesso de listas e frases curtas com .). Você pode usar o próprio chat para isso depois que identificar
  • O "card" com os jogos está direcionando para a página com os detalhes. Nesse caso seria bom mudar o cursor para pointer ou substituir por um botão de "detalhes"
  • Recomendo não utilizar o logo ou nome oficial do torneio pois a FIFA é exageradamente rígida com isso. Os das TVs devem estar ok
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André, obrigado pelos feedbacks.

Sobre os 3 pontos:

  • Foi propositalmente o uso de listas e quebrar em partes as explicações. Eu fiz todo o texto base e pedi ajustes para remover contextos dúbios ou que pudessem ser vagos;
  • Realmente faltou um cursor pointer. Já realizei o ajuste e estará em breve no ar;
  • Agradeço também a informação sobre o naming rights, irei fazer os ajustes necessários para evitar quaisquer tipos de problemas.
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Lucas meus cents! Excelente projeto. Já favoritei pra acompanhar os jogos, obrigado por compartilhar.

Não se trata de substituir o humano. Você mostrou a função de ser curador do sistema. Muitos hoje querem saber "isso foi feito por "IA ou humano?" isso é um erro categórico; a questão relevante é "isso possui utilidade e validade dentro do sistema?"
Então veja que com sua expertise você entrega uma arquitetura de valor através da tecnologia que tu construiu com a IA e simplesmente controlando o fluxo. E que resolve um problema real!

Em relação aos placares dos jogos serão atualizadosem tempo real ?

Os desafios em relação a segurança do projeto qual a sua opnião ?

Abraços!

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Obrigado.
É exatamente isso que tentei fazer: usar a IA como parte do fluxo, mas mantendo decisão, regra de negócio e validação comigo.

Sobre os placares, a arquitetura foi preparada para atualizar os dados com ao vivo, então a ideia é acompanhar as partidas em tempo real (talvez com atraso de 1 ou 2 minutos no placar).
Ainda assim, eu quero validar isso em jogo real para confirmar a latência e o comportamento antes de tratar como totalmente fechado.

Sobre segurança: a aplicação em si é uma SPA estática, então a superfície é menor, mas ainda existe dependência no consumo de dados oficiais, links externos e de analytics. Por isso eu tratei algumas coisas como validação de payload, fallback de snapshot local, headers básicos de segurança na hospedagem e proteção para não expor dados sensíveis.

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O ponto "quando eu era genérico, o resultado era genérico" resume bem a experiência de quem usa IA a sério — vale para código e para qualquer outra tarefa.

Uma coisa que funcionou comigo em projetos parecidos: transformar as decisões que você listou (regras de negócio, fluxo, restrições de produto) num arquivo de contexto fixo do projeto, que vai junto em toda sessão. Isso reduz muito o retrabalho de "explicar de novo" que você citou da experiência de 2025 — o modelo erra menos em mudanças multi-arquivo quando as regras estão escritas num lugar só, e não espalhadas pela conversa.

Outro detalhe que percebi: pedir variações pequenas dentro da MESMA conversa (como você fez nas iterações de interface) rende mais do que reescrever o prompt do zero, porque o modelo mantém o histórico do que já foi rejeitado.

Fiquei curioso: de 2025 pra 2026, o que mais pesou na sua percepção de melhora — o modelo em si ou o tooling em volta (agentes, CLIs, contexto maior)?

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Excelente ponto. Concordo muito com essa ideia de levar as regras e restrições para um arquivo de contexto fixo do projeto, porque isso reduz bastante o retrabalho e melhora a consistência entre sessões, fora que ajuda o programador em sempre entender o que está construindo.

Sobre sua pergunta: de 2025 para 2026, o que mais pesou para mim foi o tooling. O modelo evoluiu, mas o que mudou mais (ao menos para mim) foram CLI, contexto maior, persistência de regras e um fluxo melhor para iterar sem recomeçar do zero toda hora. O modelo ajuda, mas o ambiente deixou a construção muito mais confiável.

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Obrigado por compartilhar Lucas, ficou muito bom!

Sugiro uma feature que permita usuários escolher qual timezone desejam ver os horários dos jogos. Dava jeito pra pessoas acessando o site a partir de outros países como eu 🙃.

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Obrigado.
Hoje o projeto foi pensado com horário de Brasília como referência principal, porque é o foco do público-alvo, mas faz bastante sentido evoluir para timezone selecionável.
Eu não imaginei que, um "projeto pessoal" deixaria de ser tão pessoal rs.
Mas irei trazer essa atualização o quanto antes para facilitar a sua vida e de outros que estão acessando fora do Brasil e até em outros fusos dentro do Brasil.

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Valeu. Fico feliz que tenha gostado tanto do processo quanto do site. O objetivo era justamente entregar algo simples de usar, mas realmente útil. Obrigado pelo apoio.

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Primeiro parabéns pelo projeto, realmente ficou muito bom para acompanhar. Uma dúvida, um projeto como esse na vercel, há algum custo para você? como funciona?

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Fala, João. Obrigado!

Sim, este projeto está na Vercel. Para ser sincero, ele poderia estar hospedado em quase qualquer lugar, mas escolhi a Vercel pela praticidade.

Atualmente, uso somente o plano Free, e ele tem me suprido muito bem.

Como faço consultas diversas, sendo muitas delas atualizadas a cada X segundos, não posso me dar ao luxo de deixar os clientes fazerem requisições diretamente às APIs oficiais.

Por isso, existe uma estratégia de cache no navegador/client, tolerante a falhas, e todas as requisições dos clientes passam por uma Edge Function. Essa Edge Function é quem chama as APIs oficiais.

De forma visual, o fluxo fica mais ou menos assim:

Cliente → Edge Function → Cache/CDN → APIs oficiais

Na prática, quando muitos usuários pedem a mesma informação, como o placar ao vivo, a Edge Function tenta entregar primeiro o que já está em cache. Se o cache ainda estiver válido, a resposta vem dali mesmo, sem precisar consultar novamente a API oficial.

Com isso, mesmo que 1.000 requisições busquem o placar ao vivo, somente uma ou poucas, vão fazer a chamada “quente” para a API oficial. As demais vão receber a resposta a partir do cache da CDN.

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Meus 2 cents,

Parabens pela iniciativa !

Teu site/app resolveu um problema que eu tinha: um local "unificado" e de facil leitura para saber os jogos e onde serao transmitidos, eh o tipo de informacao fragmentada e as vezes "escondida".

Quanto a experiencia de desenvolvimento - que bom que deu certo, a experiencia de construcao de app via IA ainda eh um desafio razoavel.

Obrigado por compartilhar.

Saude e Sucesso !


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Obrigado.
Esse era exatamente o problema que eu queria resolver: informação espalhada, difícil de consultar e pouco amigável no dia a dia. No processo de construção com IA, a parte mais valiosa foi conseguir transformar esse contexto de produto em algo consistente o suficiente para sair do improviso e virar um app útil de verdade. Obrigado pela leitura atenta e pelo apoio.

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Gostei bastante do seu relato, especialmente porquê sinto e observo os mesmos pontos trazidos em relação ao desenvolvimento com IA auxiliando. Parabéns pelo projeto!

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Muito interessante sua experiência, compartilho de muitas coisas que você passou!
Nas últimas semanas tenho utilizado a IA para automatizar algumas coisas no laboratório que sou colaborador, e como você disse, nos momentos que fui genérico, o resultado também foi.

Depois que comecei a criar PRDs bem detalhados e definir bases sólidas do que eu queria, os resultados foram muito melhores e as iterações seguintes ficaram muito mais refinadas.

Conseguimos sair de um fluxo de trabalho totalmente manual e repetitivo para uma automação por telegram e uma dashboard com todas informações necessárias para realizar o trabalho que de fato precisa ser manual e com supervisão humana.

Obrigado por compartilhar. Parabéns pelo projeto, vou utilizar para acompanhar a copa também!

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Muito obrigado pela colaboração. Isto mostra que, cada vez mais, usar a IA como ferramenta que resolve os problemas reais é o melhor caminho até o momento.

Parabéns pela iniciativa da automação. Depois, compartilha (se permitido) um pouco mais da automação realizada. É interessante termos outros casos de uso e, até entender como cada um de nós trabalhamos com essas ferramentas.