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Admiro a indignação do post, mas discordo completamente do remédio. O desastre da CrowdStrike não é falta de regulação estatal — é sintoma de uma indústria onde os clientes se recusam a agir como adultos e aceitam EULAs que os deixam completamente desprotegidos.

Sou da velha guarda: responsabilidade é individual e o mercado precisa se autorregular. Se um hospital precisa de um software que controla respiradores — algo que pode literalmente matar —, ele tem a obrigação de exigir garantias contratuais de verdade. Testes, auditoria, penalidades contratuais pesadas. Se o fornecedor não der essas garantias, é simples: não compra. Ou desenvolve internamente, ou assume o risco consciente. Mas não terceiriza a culpa para o Estado.

A lei já permite isso. Responsabilidade civil, contratos, indenizações — está tudo lá. O que falta são compradores que ajam como compradores. Quem aceita EULA sem ler e depois chora "ai, o software falhou" merece o chapéu de idiota que enfiou na própria cabeça. O mercado só é irresponsável porque os clientes autorizam essa irresponsabilidade.

Quanto à comparação com engenharia civil: software não tem milênios de documentação, mas tem padrões de qualidade que funcionam muito bem quando o cliente os impõe. A aviação comercial não é segura porque o Estado aprovou cada linha de código; é segura porque as companhias aéreas exigem contratos draconianos e auditorias privadas.

O Estado metendo o nariz só atrasa a inovação e afasta investimento. A mesma IA que amanhã pode descobrir a cura do câncer seria enterrada em papelada. Regulação estatal também mata — só que por asfixia burocrática, não por bug. Prefiro um mercado onde o comprador tem poder real a um mercado onde um burocrata decide por todos o que é seguro.

Portanto, sim: odeio software beta perpétuo tanto quanto qualquer um. Mas a solução não é chamar o governo. A solução é cada comprador deixar de ser criança e passar a tratar software crítico como o que ele é — uma ferramenta que, se falhar, pode matar. Quem não sabe fazer isso, que feche as portas.

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