Olá, vou te passar uma experiência própria que talvez te dê uma luz.
Eu acho que você deve seguir o caminho das linguagens que vão te levar ao nicho em que você quer atuar. Hoje as empresas não contratam exatamente porque você é um “canivete suíço” que aprende qualquer coisa super rápido. Acredite, eu passei por isso, e vou te contar uma história.
Desde pequeno, com 9 anos de idade lá em 1989, eu já programava banco de dados em Clipper Summer 87 por puro prazer, acredita? 😂 Então eu desenvolvi um amor enorme por backend. Eu não curto front, acho chato; gosto mesmo é de ver aquelas telinhas de terminal rodando código, aquilo me deixa igual cachorro abanando o rabo olhando pro bife.
Trabalhando com backend, acabei estudando muito a camada de hardware também, aí fui me especializando em servidores, protocolos de comunicação, redes (tanto parte digital quanto física). As linguagens nesse mundo costumam ser mais de baixo nível: COBOL, C, C++, Assembly etc. Mas a gente sabe que precisa de um front-end, então também acabei estudando, mesmo não gostando tanto.
Se somar tudo isso aí, já são uns 36 anos apaixonado por tecnologia. Quando eu tinha uns 29 anos de experiência, eu ainda tinha uma empresa de tecnologia que prestava serviço sob contrato para multinacionais, geralmente nessa parte de infra: servidores, manutenção, redes, reimplantação, recuperação de desastres etc.
Um dia, atendendo em caráter de emergência uma empresa que estava despontando no mercado e tinha se tornado a maior do segmento de software para advogados do Brasil, recebi uma proposta de emprego. Mas eu teria que passar pela entrevista.
O proprietário era meu amigo, então pensei: “Por que não? Sair um pouco da correria de empresa própria e concentrar esforços em uma coisa só pode ser interessante”. Decidi arriscar a entrevista só pra ver no que dava.
Fiz as entrevistas, a galera ficava impressionada com meu conhecimento, experiência etc. Mas eu não tinha o perfil que a empresa precisava. As linguagens que eles usavam no nicho eram outras, e mesmo eles sabendo que eu poderia aprender o básico em 48 horas e ir evoluindo, isso não era suficiente. Eles não queriam (e nem podiam) se dar ao luxo de esperar eu me adequar.
Esse é o ponto importante:
as empresas, na hora de contratar, procuram alguém o mais próximo possível do perfil técnico e do stack que elas já usam. Elas não querem contratar para “ver no que dá”. Só que, ao mesmo tempo, elas também não podem ficar esperando meses até aparecer alguém exatamente perfeito. Ficam entre a cruz e a espada: “esperamos e nos ferramos, ou contratamos alguém fora do perfil?”.
Aí entra a terceira via: terceirização. Eu já atendia essa empresa pela minha própria empresa, então eles seguiram me contratando como terceirizado — e assim eu cobro bem mais caro do que seria CLT 😂. Ou seja, na prática eu não servia como empregado “perfil da vaga”, mas servia muito bem como fornecedor.
A grande moral disso é:
👉 se você quer ser empregado CLT/estagiário, precisa atender um perfil. Stack, nicho, linguagem, tipo de produto… tudo isso pesa.
👉 se você quer trabalhar por conta própria, aí o jogo muda um pouco: o importante é você ter domínio profundo de tecnologia e se tornar realmente necessário em alguma coisa.
Um exemplo forte é COBOL. Linguagem da década de 1960, mas praticamente todos os mainframes das maiores empresas do Brasil ainda usam e vão continuar usando por muito tempo. Tem pouquíssimos profissionais que dominam, e quem sabe ganha muito bem. A maioria prefere trabalhar por projeto, não por CLT.
Então, trazendo isso pro teu caso:
Python + JS/React é um caminho ótimo pra começar, bem sólido e com muita vaga.
Se você curte baixo nível, pode ir explorando C, C++ e embarcados aos poucos, sem abandonar o que te dá empregabilidade mais rápida.
Não precisa abraçar tudo ao mesmo tempo. Escolhe um caminho principal (por exemplo: backend web) e um “lado B” pra ir explorando (baixo nível, embarcados etc.).
No fim das contas, o que conta é:
Ter um perfil claro pra vaga que você quer (por exemplo: “backend Python”, “fullstack JS”, “desenvolvedor embarcado C/C++”);
E, ao longo dos anos, ir ganhando profundidade em alguma coisa a ponto de se tornar realmente necessário.
É só a minha visão, mas é assim que eu enxergo depois de muitos anos apanhando e aprendendo. Espero que te ajude de verdade.