A armadilha do protagonismo: Como faturei R$ 200 em menos de 10 minutos vendendo o 'álibi perfeito'.
Eu tenho uma história para contar hoje. E, por mais estranho que pareça, ela não é para todo mundo. O algoritmo fez a parte dele em colocar isso na frente da pessoa certa: você. Não estou falando de forma figurada para agradar as massas. Você, que está lendo isso agora e duvidando dessa coincidência, preste atenção, porque a história a seguir vai explicar por que esse texto tinha que te encontrar.
A verdade nua e crua é que eu não acredito em coincidências. Muito menos em destino.
Eu acredito apenas em causa e consequência.
Nesse jogo complexo que vivemos, o poder de dedução se tornou a minha ferramenta mais valiosa. Foi assim que decidi levar a minha vida: colocando a leveza da dedução à frente dos problemas. Essa mudança de perspectiva tira um peso enorme das costas e elimina a ansiedade do caos diário.
Hoje, eu não enxergo o caos como um monstro que provoca dúvida e terror. Eu o vejo como uma ferramenta da causa. Uma engrenagem.
E é exatamente por isso que estou escrevendo para você hoje. O fato de você ter chegado até esta linha não é uma coincidência cósmica. É a engrenagem funcionando. É a ferramenta agindo.
Mas chega de teoria. Vamos à história real.
Eu decidi compartilhar esse acontecimento porque ele escancara algo que ocorre todos os dias, bem na sua frente, mas que talvez você ainda não tenha treinado os olhos para enxergar. O meu objetivo hoje é te ensinar a observar essas engrenagens girando e te mostrar como deduzir cenários extremamente úteis para o seu próprio futuro.
Então, puxa a cadeira e já vai lustrando a bola de cristal aí...
Recentemente, fui acionado por um cliente. Para contextualizar: um dos braços da minha empresa atua com fornecimento e instalação de material elétrico. Nós já havíamos entregue e instalado boa parte do projeto, mas o arquiteto da obra era daquele tipo que decide mudar o escopo inteiro na última hora. Isso, naturalmente, começou a atrasar o nosso cronograma.
Imediatamente, a minha 'antena de dedução' começou a apitar. Diante das mudanças, tomei uma decisão fria e me recusei a fazer aqueles serviços extras.
Eu tinha os meus motivos para isso. O primeiro é óbvio: fazer puxadinhos de última hora atrapalharia o que já havia sido colocado em prática e testado. O segundo motivo é que assumir responsabilidades adicionais sob pressão nunca — e eu repito, nunca — acaba bem.
Mas a primeira grande lição que eu quero te passar vem do terceiro motivo: o preço de ser o protagonista. Quando você faz a maior parte de um projeto, se der problema em qualquer coisa lá na frente, mesmo que a falha não seja sua, a bomba vai estourar no seu colo. Por quê? Porque você é a principal marca na memória do cliente. Portanto, muito cuidado com o nível de protagonismo que você assume. Essa vitrine cobra caro.
O quarto e melhor motivo é onde entra a face mais afiada da dedução, e aqui vai uma dica de ouro, especialmente se você for programador: quando alguém se mete no meio do seu projeto para construir algo ali, se essa pessoa for menos competente que você, é altamente provável que o erro dela se torne a sua próxima fonte de receita.
Como assim? É pura lógica.
Como eu me neguei a fazer a alteração, o cliente só tinha duas opções: desistir da ideia ou chamar outra pessoa. Ele escolheu a segunda.
Enquanto a minha equipe finalizava o que havíamos combinado, o outro profissional chegou para instalar uns spots de iluminação. Eu cruzei os braços e apenas observei a causa e a consequência agindo. Em menos de dez minutos no local, o sujeito causou um curto-circuito na rede.
Naquele exato momento, a minha 'bola de cristal' brilhou e a dedução se confirmou: fonte futura de renda ativada.
Passados dois meses, a engrenagem girou. Fui chamado por um funcionário daquela empresa porque um dos spots do trilho de iluminação estava oscilando, ligando e desligando. Um detalhe importante para o contexto: não estamos falando de uma lâmpada comum. Um spot desses pode custar facilmente uns 300 reais, dependendo do modelo.
Como eu não tinha tempo a perder — e muito menos iria deslocar um funcionário meu para verificar o erro alheio —, tomei a atitude mais lógica. A minha equipe está lá para produzir e otimizar o meu tempo; desrespeitar o tempo deles é desrespeitar o meu. Respondi no WhatsApp, de forma direta, que não havíamos instalado aquilo. Orientei que procurassem o arquiteto para acionar o profissional que ele mesmo havia contratado.
Parece simples e justo, não é?
Mas a verdade é que eu sabia que nada disso iria funcionar. E era fundamental deixar a situação seguir esse curso natural. Eu precisava que o cliente entrasse naquele clássico processo de 'loop' que quase sempre ocorre no mercado: um ciclo de empurra-empurra que gera uma frustração enorme e, consequentemente, aumenta de forma gradual o preço da minha futura resolução.
A dedução foi precisa. O funcionário procurou o arquiteto, que repassou o problema ao tal profissional. A resposta do sujeito? Disse que bastava 'trocar a lâmpada' e sequer foi ao local verificar. Uma resposta típica de quem não faz ideia de quem é o cliente e muito menos do valor do equipamento que está manuseando.
O detalhe que transformou o problema em desespero é que esse spot ficava na sala de um dos dois sócios da empresa. Ou seja: alta prioridade.
E havia um agravante técnico considerável: a energia não podia ser desligada para o conserto. Se o disjuntor daquele setor específico fosse desarmado, o atendimento de uns 15 funcionários de suporte seria paralisado. A minha empresa é uma das poucas que sabe trabalhar com rede viva, roteando energia de forma específica sem causar um pandemônio na operação do cliente.
No fim, a engrenagem completou o seu giro perfeito. O funcionário, exausto do 'loop', voltou até mim e contou a sua tragédia.
Foi nesse momento que eu vendi a solução. Era uma quinta-feira. Eu olhei para ele e disse: 'Calma. Na segunda-feira cedo eu resolvo isso para você, tudo bem? Antes disso, infelizmente, eu não consigo.'
Ele me deu o 'ok' sem pestanejar e sem reclamar. Por quê? Porque o chefe estava respirando no cangote dele, e ele queria apenas uma coisa: se livrar do problema.
Fique atento a isso. Foi exatamente isso que eu entreguei. Eu não vendi um conserto. Eu não vendi uma visita técnica. Eu vendi o álibi perfeito. Eu disse a ele: 'Pode ir lá e dizer para o seu chefe que a culpa da demora é minha. Diga que eu só posso ir na segunda, mas que sou o único que vai resolver isso sem parar o atendimento da empresa e sem fazer vocês gastarem com uma lâmpada nova à toa, como o outro cara sugeriu.'
O resultado da minha bola de cristal?
Fui lá na segunda-feira bem cedo. Apenas apertei a lâmpada no spot que o outro profissional havia deixado frouxa e pronto. Resolvido em menos de dez minutos.
Precinho camarada: 200 reais.
Duzentos reais por oito minutos de atendimento pode até parecer pouco para alguns, eu sei. Mas agora me imagine fazendo isso 8 horas por dia, todos os dias da semana, em diversas frentes e com valores até maiores. É aí que o jogo muda. Porque esse é o meu trabalho real: vender álibi, paz de espírito e segurança emocional, de forma verdadeira e com competência.
Agora, vamos ao real motivo de você estar lendo isso até aqui.
Pense no absurdo da situação: precisou de um CEO de uma empresa grande, de um arquiteto, do eletricista que causou o problema, e de um funcionário. Quatro pessoas suando frio, tentando fugir do problema e empurrando a culpa de um lado para o outro. Tudo isso para que um quinto ator, de fora e sem nenhuma ligação direta com o problema, tivesse que ir lá e resolver.
E o que fez esse quinto ator resolver a equação? Duas coisas. Competência para executar e, principalmente, ATITUDE.
Eu poderia te contar mais mil histórias como essa para te provar um ponto imutável: quem ganha dinheiro de verdade é quem tem competência, levanta a bunda da cadeira e faz a coisa acontecer, sabendo o que está fazendo.
Então, aqui vai a minha dica de ouro. Se você faz, faz, faz e não ganha nada (ou não ganha o suficiente), a verdade é uma só: você é incompetente nisso. E está tudo bem. É apenas um fato. O que você precisa é parar e tomar uma decisão lógica. Pergunte-se: 'Devo estudar, melhorar e me tornar competente nisso?' ou 'Isso não vale a pena, devo tentar outra coisa?'.
Decida ou desista.
Esse é o único 'segredo mágico' para quem realmente quer ganhar grana. Adquirir competência e agir. É só isso que separa quem fatura de quem chora.
E o detalhe mais inteligente de todos: você não precisa ser competente em tudo. Existem pessoas que dominam áreas que você não faz ideia de como funcionam. É exatamente para isso que servem sócios e funcionários. Mas preste muita atenção: montar uma equipe com a premissa de terceirizar a culpa ou para você poder cruzar os braços e parar de trabalhar é o atalho mais rápido para levar a sua empresa à falência.
Agora você está aqui, lendo isso, e eu te pergunto: quem você vai ser na história da sua vida?
Estou escrevendo uma série de artigos, te convido a adicionar meu perfil do linkedin para não perde-los: https://www.linkedin.com/in/edilson-maia-favero-a46510368/